Abertura da Copa tem atração discreta com paraplégico

Experimento científico do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis não teve destaque nas câmeras das emissoras de televisão do jogo

Felipe Rosa Mendes, Agência Estado

12 de junho de 2014 | 17h13

A abertura da Copa do Mundo, nesta quinta-feira, contou com uma atração incomum em eventos deste tipo. Um jovem paraplégico, vestindo um exoesqueleto, deu o pontapé inicial do Mundial, na beira do gramado da Arena Corinthians, antes da partida entre Brasil e Croácia, em São Paulo.

O aguardado experimento científico, conduzido pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, acabou decepcionando a comunidade científica porque chamou pouco a atenção dos torcedores. Nem os telespectadores puderam acompanhar o pontapé inicial porque as câmeras da geradora de imagens não captaram a imagem.

Durante a cerimônia de abertura, antes da apresentação musical de Claudia Leitte, do rapper Pitbull e de Jennifer Lopez, Juliano Pinto, de 29 anos, deu um chute na Brazuca na margem do campo. Juliano, que vestia uma camisa verde e amarela, tem paraplegia completa de tronco inferior e membros inferiores. Mas conseguiu chutar a bola com seu pé porque estava usando um esqueleto robótico.

Com o chamado exoesqueleto, ele é capaz de dar passos e chutar a bola ao transmitir um comando mental que é captado pelo esqueleto, que atende as ordens emitidas por seu cérebro. Em outras palavras, o paraplégico conduziu o exoesqueleto com a força dos seus pensamentos.

No exoesqueleto, um capacete com sensores captam as emissões do cérebro do paciente e enviam para um computador localizado em uma mochila em suas costas. As emissões são decodificadas e enviadas para o esqueleto robótico que reproduz os movimentos ordenados pela mente do paciente.

O experimento é conduzido por um consórcio de cientistas de diversos países e é liderado pelo brasileiro Miguel Nicolelis, especialista em neurociência e fanático por futebol. Foi por causa do seu amor pelo esporte que o torcedor do Palmeiras decidiu transformar o seu experimento no pontapé inicial da Copa do Mundo.

Para fazer o projeto, chamado de Andar de Novo, ele contou com ajuda do governo federal. Foram R$ 33 milhões bancados pelo Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Apesar da pouca atenção recebida na abertura da Copa, Nicolelis exaltou o experimento. "É só o começo de um futuro em que pessoas com paralisia poderão abrir mão de cadeiras de rodas e, literalmente, andar de novo", afirmou o cientista, que contou com oito pacientes nos testes do experimento. "Foi um grande trabalho de equipe e destaco, especialmente, os oito pacientes, que se dedicaram intensamente para este dia. Coube a Juliano usar o exoesqueleto, mas o chute foi de todos. Foi um grande gol dessas pessoas e da nossa ciência", destacou.

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