Alejandro Sabella, um técnico argentino que é quase brasileiro

Jogador do Grêmio nos anos 80 e fez parte da comissão técnica do Corinthians em 2005, junto com Passarella

Gonçalo Junior - Enviado especial a Belo Horizonte, O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2014 | 05h00

O técnico argentino Alejandro Sabella tem profundas ligações com o futebol brasileiro. Foi jogador do Grêmio na metade da década 1980 e, depois de encerrar a carreira, fez parte da comissão técnica de Daniel Passarella na rápida e polêmica passagem pelo Corinthians, em 2005. Nas duas funções, deixou saudades. Quem faz essa avaliação são profissionais que trabalharam com o técnico argentino.

O canhoto baixinho, inteligente e habilidoso foi trazido do Estudiantes no início de 1985, numa contratação de US$ 170 mil (R$ 380 mil pelo câmbio de hoje). "Eu era menino quando o Sabella chegou ao Grêmio. Eu tinha acabado de subir para o time profissional e aprendi a ter um carinho muito grande por ele", conta o técnico Caio Junior, atualmente sem clube, que atuou com Sabella.

Para o ex-treinador Rubens Minelli, jogadores e dirigentes do Grêmio demoraram para entender que Sabella era um "craque de toque curto e preciso e de ótimos lançamentos".

O meia foi destaque no título do Troféu Palma de Mallorca, contra o Barcelona, conquistou a Copa Roterdã, em jogo com o Bayern, de Munique, vencido por 2 a 1, e o Campeonato Gaúcho daquele ano.

Embora tenha feito bons jogos, sofreu com a adaptação, estilo de jogo, ritmo da preparação física, mudança de função no campo, lesões e até mesmo com uma virose. Acabou emprestado ao Estudiantes por três meses, no início de 1986.

"Ele sempre foi muito positivo, importante, passando experiências para os mais novos", conta o ex-goleiro Mazzaropi.

Depois do empréstimo, Sabella voltou ao Olímpico na metade do Campeonato de 1986 e novamente teve dificuldades com a preparação física. Acabou retornando definitivamente para a Argentina com a esperança de disputar a Copa de 86, mas não foi chamado.

A passagem pelo Grêmio foi tão marcante que ele ganhou uma camisa do clube de Mano Menezes, então técnico da seleção brasileira, quando os dois disputaram o Superclássico das Américas em 2011.

"Ele era aquele meia clássico, que sempre deixava os atacantes na cara do gol. Eu, mesmo, fiz vários gols após uma assistência dele. O cara era muito bom, bastante habilidoso", elogia Caio Junior. 

CORINTHIANS

Daniel Passarella teve uma passagem tumultuada pelo Corinthians e ficou apenas quatro meses como treinador da equipe. Era o período da MSI, controlada por Kia Joorabchian. Apesar dos nomes famosos, como Tévez, Roger, Mascherano - hoje no grupo dirigido por Sabella -, a equipe foi mal na temporada. Quem segurava as dificuldades de relacionamento do técnico com os jogadores era o próprio Sabella, então auxiliar técnico.

"O Alejandro se misturava com os jogadores e falava com todos. Ele até tentava falar português. O Passarella era mais reservado. Quando tínhamos problemas, falávamos com o Alê, era assim que ele era chamado", conta o lateral Gustavo Nery.

De acordo com Caio Junior, esse bom relacionamento quase fez com que Sabella fosse contratado pelo Corinthians após a saída de Passarella. “Ele não ficou por lealdade ao Daniel, mas a diretora queria ficar com ele”, conta Caio Junior. 

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