'Ao menos somos os únicos classificados para a próxima Copa', diz torcedora russa

Moradora no bairro paulistano da Vila Zelina, que tem colônia russa, Ekaterina Pivinskaya foi torcer ontem na Fan Fest. Mas a classificação não veio

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2014 | 13h41

Todos os jogos felizes são parecidos. Os infelizes são infelizes cada um a sua maneira. Para a russa Ekaterina Pivinskaya, de 41 anos, a infelicidade da seleção de seu país será celebrada com um brinde de vodca em homenagem à saúde dos jogadores. "Jogaram bem. Pelo menos somos os únicos classificados para a próxima Copa ", diz ela, que mora no Brasil há 4 anos e fala bem o português - mantendo apenas algumas marcas no sotaque.

Sede da próxima Copa, em 2018, a Rússia passou boa parte do jogo de ontem com a vaga na próxima fase garantida. Mas o gol da Argélia acabou com o sonho do time russo, de Ekaterina e da amiga Elena Lebedeva, de 26 anos - há três anos e meio no Brasil.

As duas são professoras e tradutoras em São Paulo e foram ontem ver a seleção do país na Fan Fest, no centro da cidade, com amigos que fazem aula de russo com elas. "Agora vamos ter de tomar vodca mesmo", disse após o fim do jogo a radialista Sarah Rodrigues, de 30 anos, que faz aula do idioma com Ekaterina. "O Putin vai ficar bravo", disse a russa.

O primeiro jogo elas viram com amigos conterrâneos na casa de Ekaterina e depois na casa de amigos em Ribeirão Pires - todos russos ou descendentes. "Passei a gostar de futebol aqui no Brasil", diz ela, que mora na Vila Zelina, zona leste da cidade, que ainda reúne colônia russa e do leste europeu.

As russas de olho claro e bandeira do país atraíram a atenção na Fan Fest e muita gente queria fotos. "É nossa fama de cinco minutos", disse Elena, que é de São Petersburgo.  As duas cantaram juntas e se emocionaram no hino, xingaram em português na hora do erros, mas a despeito do otimismo normal dos torcedores, já temiam a classificação da Argélia. "Não é para bater, é para fazer a técnica", reclamou Elena na hora que um jogador russo chutou a bola em cima do zagueiro.

Elena ainda não tem planos para daqui quatro anos, mas Ekaterina tem certeza: na próxima Copa vai estar lá em seu país. "Tem estádios em Sochi e Rostov, perto da casa dos meus pais. Vou acompanhar a próxima Copa de perto", diz ela, que é da Sibéria e casada com um boliviano. "Lá os estádios vão ficar prontos rápido. O Putin vai só olhar sério e pronto", brinca. 

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