Após simulação de Robben, Fifa pede 'fair-play' dos jogadores

Entretanto, entidade afirma que não vai punir craque holandês

Jamil Chade, Marcio Dolzan e Sergio Torres, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2014 | 21h18

Depois dos incidentes envolvendo o atacante Robben e sua simulação no jogo contra o México, a Fifa apelou nessa segunda-feira para que os jogadores atuem com "fair play". Mas a entidade não pensa em punir o astro holandês. "Pedimos que joguem com espírito de fair play", disse Delia Fischer, porta-voz da Fifa.

Mas ela rejeitou qualquer tipo de punição. "Cabe aos árbitros identificar lances e dar cartões para desencorajar esse comportamento", disse.

Questionada se a Fifa avalia o comportamento de Robben, Fischer indicou que isso não aconteceria. "O comitê disciplinar existe para julgar casos mais graves", justificou. No domingo, logo após o jogo que custou a eliminação mexicana da Copa, o capitão da seleção reclamou do meia holandês. "De dez faltas que recebeu, Robben caiu em cinco. Isso não é fair play", disse Rafa Marquez.

Para esquentar ainda mais a discussão, o meia Arjen Robben admitiu que havia simulado um pênalti no primeiro tempo, o que gerou críticas da imprensa internacional. Mas, nesta segunda, o meia do Bayern de Munique se defendeu.

"Às vezes você acaba punido por ser honesto, mas eu preferi ser honesto", disse Robben, em coletiva de imprensa realizada na Gávea, onde a Holanda realiza seus treinamentos. O jogador afirmou que o lance em que se atirou "não teve nenhuma influência no resultado”, e sentenciou sobre a marcação que garantiu a classificação holandesa no fim do jogo: “O pênalti do segundo tempo foi muito claro".

As perguntas sobre o pênalti decisivo se repetiram e, demonstrando muita calma, o meia respondeu a todas – inclusive às afirmações do técnico mexicano Miguel Herrera, que após a partida afirmou que Robben havia se atirado três vezes. "Cada um pode ter sua opinião. Muita gente está vendo a Copa ao redor do mundo, mas acho que temos que ser realistas um com o outro", defendeu-se.

QUARTAS DE FINAL

Sobre a Costa Rica, adversário da Holanda nas quartas, Robben pregou respeito. "A Costa Rica é um time muito bom. Ela ficou em primeiro em um grupo muito difícil, com Uruguai, Inglaterra e Itália", lembrou. “Vai ser um jogo muito difícil para nós.”

A mesma opinião foi compartilhada pelo colega de equipe Wesley Sneijder, autor do gol de empate sobre o México. "É um time muito bom, que ficou em primeiro em seu grupo", repetiu. "Tivemos um jogo quente ontem (domingo), e precisaremos estar 100%. Dadas as circunstâncias do último jogo, nós precisamos nos recuperar agora, até porque esperamos um novo jogo quente no sábado."

A Holanda teve muitas dificuldades para superar o México – a equipe virou o marcador com dois gols após os 40 minutos do segundo tempo – em uma partida desgastante. Além disso, o time ficou sem o volante Nigel de Jong logo no início do jogo, devido a uma lesão na virilha.

Contra a Costa Rica, caso o volante não consiga atuar, como suspeita o treinador Louis van Gaal, o também volante Jonathan de Guzman deverá voltar à seleção holandesa. Titular nas duas primeiras partidas da Copa, De Guzman não jogou contra o Chile - vitória da Holanda por 2 a 0 – porque cumpriu suspensão automática pelas punições por cartões amarelos nas duas primeiras partidas.

No domingo, De Jong foi substituído aos 9 minutos pelo zagueiro Bruno Martins Indi. Van Gaal disse que chegou a pensar em trocá-lo por De Guzman, mas preferiu usar o zagueiro, que sofrera concussão cerebral no jogo contra a Austrália e vinha fora do time desde então.

A ideia inicial de Van Gaal é reaproveitar De Guzman, jogador do inglês Swansea City. Ele tem confiança no volante de 26 anos, que só não voltou ao time porque ainda se recupera dos problemas musculares que até ameaçaram sua participação na Copa.

Se optar pela troca de um volante por outro, Van Gaal deverá manter Martins Indi no banco de reservas. As duas formas serão testadas pelo treinador holandês antes do jogo de sábado, pelas quartas de final, contra a Costa Rica.

"Nigel é um dos jogadores mais importantes de nossa equipe. Ele é fundamental. Fiquei em dúvida entre Martins Indi e De Guzman. Achei que a solução por Indi fosse melhor naquele momento. Estava certo. Mas poderia ter tido sucesso se optasse por De Guzman", disse o treinador após a vitória por 2 a 1 contra o México, anteontem em Fortaleza.

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