Atletas da seleção brasileira faturam alto com publicidade

Neymar é o campeão, com 16 contratos, mas até Murtosa ganhou espaço no mercado com a chegada da Copa do Mundo

Almir Leite e Sílvio Barsetti - Enviados especiais a Teresópolis, O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2014 | 06h30

Neymar é, obviamente, o campeão, com seus 16 contratos de patrocínio, em que "vende" de cueca a óleo lubrificante, passando por carros e aparelho de televisão. A onda da Copa, porém, está ajudando vários atletas da seleção brasileira e o técnico Luiz Felipe Scolari a ganhar um ‘dinheirinho’ extra como garotos-propaganda de todo tipo de produto. Até mesmo o coordenador técnico Flávio Murtosa, apesar de não estar sempre na mira dos holofotes, conseguiu pegar uma carona e usar seu bigode para reforçar a conta bancária.

Trata-se de contratos individuais, que rendem de R$ 1 milhão a R$ 3 milhões cada, dependendo de fatores como número de peças publicitárias, variação de canais de veiculação e participação em eventos. De maneira geral, cada contrato tem duração de um ano.

A Copa, o carisma de alguns jogadores, a imagem positiva de outros, o fato de o torcedor/consumidor brasileiro ter passado por um hiato de grandes ídolos e a oportunidade de as empresas anunciarem seus produtos gastando menos do que se patrocinassem a seleção (via CBF) são motivos apontados por especialistas em marketing para a "explosão" atual. E não é preciso nem o jogador ter ligação com clubes brasileiros. Basta ter boa imagem.

É o caso do zagueiro David Luiz, com carreira feita quase totalmente na Europa e há quatro anos um ilustre desconhecido do público. A partir de sua chegada à seleção, mostrou empatia com o torcedor, espírito nacionalista e pronto. Hoje, tem nove contratos de patrocínio. E quem investiu nele está comemorando.

"Antes da Copa das Confederações, ninguém fazia publicidade com o David Luiz. Ele salvou um gol em cima da linha na decisão (com a Espanha), é um rapaz falante, articulado, atencioso. Hoje, todos querem tê-lo associado a sua marca", afirma Roberto Rodrigues, diretor comercial da empresa De Ponta Marketing Esportivo.

Para ele, esse ‘boom’ de patrocinadores de jogadores da seleção é pontual, por causa de um grande evento, o Mundial.

BOM NEGÓCIO

O consultor de marketing esportivo Amir Somoggi considera vantajosa a relação entre empresa e jogador. "Patrocinar um atleta custa menos do que a seleção. O jogador muitas vezes tem mais apelo (de imagem) do que a própria seleção", diz. “E não é só o jogador que valoriza a marca. A marca também valoriza o jogador."

De acordo com Somoggi, o bom comportamento dos atuais atletas da seleção também impulsiona a maioria deles a fazer propagandas (mais informações no quadro ao lado). "Hoje, o jogador está se posicionando de maneira diferente. Não se envolve em polêmica, é simpático com o público."

Mas a enxurrada de propaganda veiculada em vários tipos de mídia também traz problemas. O excesso de exposição pode vir a ser negativo para a marca e para o atleta, alerta o consultor de marketing. "Pode chegar um momento em que o torcedor, que é potencial consumidor, não aguente mais a repetição da propaganda. E, caso a seleção não vá bem, o atleta pode ser tachado como garoto-propaganda e não como um atleta eficiente."

Vez dos veteranos. Atletas vencedores da seleção brasileira no passado também estão surfando na onda da Copa. Capitão da equipe campeã em 2002, no torneio disputado na Coreia do Sul e no Japão, Cafu é o maior exemplo. Participa de várias campanhas publicitárias, inclusive de órgãos governamentais - é possível vê-lo até na divulgação de métodos de prevenção contra a dengue. Recentemente, admitiu estar ganhando até mais dinheiro do que quando jogava.

Rivellino, campeão em 1970, no México, e Marcos, o goleiro titular da seleção em 2002, também estão entre os "craques do passado" que emprestam a imagem à divulgação de produtos.

Mas não há fenômeno publicitário que se compare a Pelé. Estimativa feita em março pela agência Sport 10, que gerencia sua imagem, calculou em R$ 58 milhões os ganhos dele com publicidade apenas em 2014. Trata-se, afinal, do Rei do Futebol.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.