Bandeira do Brasil carrega milhares de autógrafos para seleção

Publicitário Tião da Bandeira tem viajado o País com uma missão: viver a Copa do Mundo no País de outra forma

Paulo Favero - Enviado especial a Fortaleza, O Estado de S. Paulo

03 de julho de 2014 | 05h00

 A frustração por não conseguir comprar ingressos para os jogos do Mundial se transformou em motivação para Tião Bandeira, que idealizou uma viagem pelo País para coletar assinaturas de torcedores em uma imensa bandeira do Brasil de 8 por 11 metros. "Eu queria viver a Copa de outra forma", explica.

Tião ficou famoso por ter uma bandeira que só pode ser autografada por campeões mundiais ou medalhistas olímpicos. Ela tem mais de 230 assinaturas e ele lamenta apenas não ter conseguido dos ex-jogadores Gerson e Tostão. "São as únicas que faltam dos campeões da Copa de 1970", diz, na esperança de encontrar também Maradona em uma das partidas da Copa.

O torcedor já se considera um maluco pela loucura que decidiu fazer a poucos dias do início da Copa. Deixou a mulher e a filha em São Caetano do Sul - elas foram as primeiras a assinar a bandeira gigante - e partiu em direção a todas as sedes que o Brasil jogaria. Esteve em São Paulo, Fortaleza, Brasília, Belo Horizonte e agora voltou à capital cearense. No meio do caminho ainda voltou para casa, para passar seu aniversário de 52 anos com a família.

Seu maior lamento é não ter conseguido assistir a um jogo ao vivo dentro do estádio até agora. "Pensei em fazer algo diferente com minha bandeira. Quero que ela seja um símbolo do DNA da torcida brasileira. Acredito que já tenha quase 5 mil assinaturas e quero chegar ao dobro disso", avisa.

Quando abriu o manto em frente ao Mineirão, foi uma loucura e ele quase perdeu o controle dos autógrafos. Também esteve no Mané Garrincha e em frente ao hotel onde a seleção ficou hospedada. "Deixo qualquer um assinar, desde que seja brasileira", comenta. A única exigência é para que os torcedores tirem os sapatos antes de pisar na bandeira. É o próprio Tião e seus colegas que se encarregam de disponibilizar as canetas.

Para que a aventura ficasse ainda mais caracterizada, Tião "envelopou" seu carro com adesivos para reforçar o tema da viagem. "Devo gastar no total uns R$ 25 mil e já rodei até agora mais de 12 mil quilômetros", revela. Ele trabalha como publicitário e conseguiu tirar uns dias das atividades profissionais. "Alguns amigos ajudaram, mas não tenho qualquer patrocínio para fazer isso."

Com o tempo, a fama de Tião Bandeira, ou Sebastião Pereira para os mais íntimos, foi crescendo. Nas estradas, os caminhoneiros começaram a espalhar a história de que um maluco estava dirigindo pelas rodovias colhendo assinaturas de torcedores. "Certa vez, cheguei a um posto de gasolina e tinha uma comitiva me esperando. Acho que tem de ser louco para fazer essas coisas", brinca.

A cada vez que estende a bandeira gigante no chão, um monte de curiosos se aproxima e todo mundo quer autografar. Sua meta é entregar para a CBF, na expectativa de que os jogadores carreguem essa bandeira em algum momento, mesmo que seja em um treinamento. "Acho que acabei virando um personagem", admite Tião, que já tem planos para os Jogos do Rio, em 2016, e para a próxima Copa, na Rússia, em 2018. "Só volto para casa no fim da Copa. E espero que retorne com o Brasil campeão", conclui, otimista.

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