Confusões aproximam Copa do Mundo da Libertadores

Práticas tradicionais no torneio sul-americano tomam conta da competição entre seleções no Brasil

Jamil Chade, Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2014 | 05h00

A Copa do Mundo parece ter virado uma versão miniatura da Libertadores em alguns momentos. Várias práticas dos torcedores que costumamos ver no torneio sul-americano estão sendo reproduzidas na competição "padrão Fifa": é invasão do campo, entrada forçada no estádio, rojão dentro da arena, bagunça em porta de hotel e por aí vai. Claro que também tem o lado plástico de tudo isso, como muita festa. Mas algumas reclamações aparecem com força.

A invasão dos chilenos na última quarta-feira no estádio do Maracanã foi a gota d'água e a Fifa ligou o sinal de alerta. A segurança já apresentou diversas falhas na competição e isso tem assustado os dirigentes, que prometem reforçar o sistema de defesa. A comparação com a competição sul-americana se torna inevitável, pois a Libertadores é famosa por contar com casos de invasão a campo, rojões e bagunça diante de hotel.

Internamente, responsáveis pela segurança na Fifa comparam a situação sul-americana com o comportamento dos torcedores europeus dos anos 70 e 80, quando tumultos e até mortes faziam parte do cenário.

Já há meses a Fifa insiste que um dos impactos da Copa poderia ser uma mudança no comportamento dos torcedores em campo. Com regras restritas, controles frequentes e leis que impedem a entrada de instrumentos, rojões e a obrigação até de estarem sentados, a esperança era de que o Mundial fosse suficiente para modificar a "cultura" local de ir ao estádio. Mas isso ainda não vingou.

Outra constatação dos organizadores é de que o número de sul-americanos sem ingressos que viriam para a Copa foi subestimado. Com 150 mil homens de segurança nas ruas, a prioridade era frear protestos, o crime organizado e proteger os torcedores estrangeiros. Agora, em crise, a Fifa promete novas medidas. Mas o clima de Libertadores já marcou a Copa. Relembre alguns casos nos últimos dias:

INVASÃO CHILENA

QUARTA-FEIRA - Cerca de 200 torcedores conseguiram entrar à força pelo Centro de Midia do Maracanã, no Rio de Janeiro, e provocaram muita confusão. Alguns escaparam e puderam assistir à partida entre Espanha e Chile, mas 85 foram detidos. Para piorar, torcedores acabaram entrando em campo antes da partida.

CAMBISTA COLOMBIANO

TERÇA-FEIRA - Em Belo Horizonte, cinco cambistas foram presos em flagrante por vender ingressos para jogos da Copa. Dois eram colombianos e os outros eram franceses. Eles pediam cerca de US$ 300 por casa bilhete.

BAGUNÇA MEXICANA

SEGUNDA-FEIRA - Os torcedores do México fizeram fez até altas horas da madrugada em frente ao hotel da seleção. Os próprios jogadores do time Azteca reconheceram que tiveram dificuldade para dormir com tanto barulho em um hotel de Fortaleza que foi escolhido pela Fifa.

INVASÃO ARGENTINA

DOMINGO - Vinte torcedores argentinos conseguiram passar à força por seguranças em um dos portões do Maracanã e entraram no estádio sem pagar para ver a partida entre Argentina e Bósnia. Alguns tentaram, inclusive, pular as grades de proteção.

ROJÃO CHILENO

SEXTA-FEIRA - Alguns torcedores do Chile conseguiram entrar com rojão dentro da Arena Pantanal, em Cuiabá, o que é proibido pela Fifa. O artefato explosivo foi estourado no final da partida em que a seleção sul-americana bateu a Austrália por 3 a 1.

HOTEL URUGUAIO

QUINTA-FEIRA - Cerca de 100 torcedores do Uruguai invadiram o hotel onde a seleção ficou hospedada em Fortaleza e fizeram um grande barulho no saguão. Os poucos seguranças não conseguiram evitar a entrada da multidão e um torcedor ainda quebrou um pedaço do teto na confusão.

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