Contra probabilidades, seleção do Irã sonha com as oitavas de final

Equipe asiática precisa de uma combinação de resultados, mas garante ir à luta contra a Bósnia, que quer se despedir com vitória

Fernando Faro - Enviado especial a Salvador, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2014 | 01h29

Apelidada de casa das goleadas da Copa do Mundo, a Fonte Nova passará por seu mais duro teste hoje, quando Bósnia e Irã entrarem em campo para fechar o Grupo F. Juntas, as equipes marcaram apenas um gol nos quatro jogos e vão contra a chuva de bolas na rede que caracterizam a sede baiana. Foram 17 tentos em três partidas.

É verdade que tudo indica que a aparente fonte inesgotável tem grandes chances de secar. Mas como o Irã ainda tem boas chances de passar de fase - precisa vencer e torcer para a Argentina bata a Nigéria no beira-rio por pelo menos dois gols de vantagem; se vencer por um, a decisão será no sorteio - e a Bósnia espera ter sua despedida honrosa em sua primeira participação em Mundiais, o jogo pode ser muito animado mesmo sem o apelo de grandes craques.

Se as ambições dos adversários são distintas, o discurso converge quando é para reclamar da arbitragem - e ambos têm razão. A Bósnia teve um gol legal anulado de Dzeko contra a Nigéria quando a partida estava empatada (os africanos venceram por 1 a 0). Já o Irã reclama de pênalti de Zabaleta em Dejagah contra a Argentina - os sul-americanos só conseguiram confirmar a vitória por 1 a 0 no último lance, com Messi.

"Infelizmente, os árbitros interferiram com erros grosseiros nos jogos. Nossa equipe poderia ter quatro pontos, a Argentina só três, mas espero que amanhã as duas equipes possam jogar um bom futebol e a arbitragem esteja à altura do jogo e não interfira como aconteceu até aqui", disparou Carlos Queiroz, técnico do Irã. O discurso foi repetido pelo colega bósnio, Safet Susic. "Se os árbitros tivessem tomado decisões mais lógicas, talvez jogássemos pela vaga."

Do lado bósnio, a frustração pela eliminação precoce ficou evidente desde a chegada da delegação a Salvador. O time reduziu a carga de treinos e os jogadores não disfarçam o abatimento; Susic chegou a dizer que via a equipe como segunda força do grupo, atrás apenas da Argentina.

Agora, os jogadores esperam ao menos conquistar uma vitória para apagar qualquer má impressão que possa ter ficado e prometem muita dedicação. "Quem acha que entraremos em campo como turistas está enganado, vamos mostrar armas do nosso arsenal que infelizmente ainda não foram apresentadas até agora", disse o zagueiro Emir Spahic.

CAUTELA

Mesmo podendo conquistar a inédita vaga, o técnico Carlos Queiroz não deve mudar a forma de o Irã jogar. Assim, deve-se esperar um time muito fechado na defesa, tentando explorar contra-ataques.

"É importante não perder o senso de realidade. Nosso adversário tem jogadores com experiência internacional. Nos últimos jogos criamos oportunidades e poderíamos ter vencido, especialmente contra a Argentina", analisou.

Apesar da cautela, o treinador não esconde a esperança de conquistar a vaga. "Quando chegamos aqui ninguém falava de nós. Jogaremos uma final de Copa do Mundo. As pessoas falavam que era impossível, mas deixem-nos sonhar."

FICHA TÉCNICA

BÓSNIA X IRÃ

BÓSNIA - Begovic; Mujdza, Bicakcic, Spahic e Lulic; Besic, Medunjanin, Pjanic, Misimovic e Hajrovic; Dzeko. Técnico - Safet Susic

IRÃ - Haghighi; Montazeri, Hosseini, Hajsafi e Pooladi; Teymourian, Nekounam, Shojaei, Sadeghi e Dejagah; Ghoochannejhad. Técnico - Carlos Queiroz

JUIZ - Carlos Verdasco Carballo (ESP)

LOCAL - Arena Fonte Nova, em Salvador

HORÁRIO - 13 horas

TRANSMISSÃO - ESPN, SporTV 2 e Fox Sports 2

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