David Luiz usa seu jeitão como arma para o hexa do Brasil

Carismático é querido por todos, zagueiro conta que usa tolerância, paciência e generosidade para fazer a seleção brilhar na Copa

Silvio Barsetti - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

31 de maio de 2014 | 08h11

TERESÓPOLIS - Titular da seleção desde o fim da Copa de 2010, David Luiz já jogou 34 vezes com a amarelinha. O tradicional cabelo encaracolado é sua marca, aliada à técnica e seriedade quando está em campo. Tão carismático quanto Neymar, costuma inventar caretas nos momentos de descontração. Ontem, durante entrevista na Granja Comary, repetiu alguns gestos, mostrou que é um dos mais bem articulados atletas da seleção e falou sobre seu jeito extrovertido.

"Meus pais me ensinaram mais a agradecer do que a se queixar. A sorrir em vez de ficar triste. Trago da infância essa maneira de ser e sou feliz assim". O zagueiro de 27 anos, recém-contratado pelo PSG, da França, disse que vai sentir saudades do Chelsea, embora acredite numa rápida adaptação. Numa entrevista ao lado de Willian, que ele ajudou a levar para o clube inglês, David Luiz comentou que exercita a tolerância, a paciência e a generosidade.

"Tenho que ter sensibilidade para entender o ser humano. Na seleção, tento transmitir que o impossível é possível e que num grupo desprovido de vaidade e com um único objetivo, todos são mais fortes."

O jogador é assediado com frequência por crianças e adolescentes e às vezes toma a frente de situações em que os atletas são convidados a receber a visita de alguma criança especial. Para ele, importante é estar sempre pronto a retribuir o carinho de todos.

"Sempre fui querido por onde passei e sinto falta de também tocar o coração dos brasileiros." A Copa é a grande oportunidade. Ele já deixou indícios de seu carisma na final da Copa das Confederações de 2013, quando salvou um gol em cima da linha no Maracanã e evitou gol de empate da Espanha. Por minutos, seu nome foi idolatrado por milhares de vozes no estádio.

Em Teresópolis, o apelo a David Luiz pode ser notado pelos ainda tímidos gritos da torcida que não consegue entrar na Granja Comary para ver os treinos. Ele é reverenciado várias vezes, à distância, e talvez só fique atrás de Neymar e Fred na soma das manifestações dos torcedores mirins. "Crianças são o que há de mais puro. Eu chego a chorar quando pego um bebê no colo."

No convívio do Chelsea, de onde está se despedindo, fazia o papel de 'tio coruja' dos dois filhos de Willian e do primogênito de Ramires, outro atleta da seleção. "Eu era o David babá."

Durante mais de meia hora, David respondeu a várias perguntas na entrevista interrompida por minutos por causa do ruído do helicóptero que decolava com o presidente da CBF, José Maria Marin, de um campo do centro de treinamento.

David abordou diversos assuntos. Ao mesmo tempo em que emitia sua opinião, tornava o ambiente mais leve com algumas tiradas bem humoradas.

Ao ser indagado pelo repórter Osires Nadal, da Rádio Manchete AM, do Rio, sobre sua experiência de nove anos em clubes da Europa, procurou localizá-lo num auditório com mais de 300 jornalistas. Começou a elaborar a resposta e perdeu de vista o entrevistador, que andara alguns metros para aproveitar uma caixa de som e gravar com mais eficácia a resposta. "Cadê o homem, sumiu?". Ao reencontrá-lo, David Luiz continuou. "Gosto de olho no olho.” O tom era de brincadeira e Osires, o mais experiente dos jornalistas na Granja, reagiu com um sinal de positivo.

David Luiz e Willian, que concedera entrevista antes, mas permaneceu à mesa, trocaram 'provocações' várias vezes. Na verdade, estavam se sentindo à vontade. São amigos desde a adolescência – atuaram juntos nas escolinhas de futebol de Marcelinho Carioca e de Cesar Sampaio. Ao encerrar sua participação, Willian cogitou deixar o auditório. Logo ouviu em tom firme: "Fica aí!" Era uma 'ordem' de David, logicamente cumprida pelo amigo.

Ele ainda falou rapidamente sobre sua transferência para o Chelsea. "Uma nova etapa da minha vida, uma nova língua, um novo país. Chegou ao fim um ciclo, vou recomeçar."

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