Do inferno ao céu

Julio César salva Brasil contra o Chile e se redime de 2010

O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2014 | 14h27

SÃO PAULO - Sessenta anos depois do "Maracanazzo", um goleiro da seleção brasileira acabou novamente crucificado por uma derrota em Copa. Barbosa falhou em 50 na decisão contra o Uruguai e Julio César nas quartas de final diante da Holanda, em 2010. Erros marcantes nas carreiras de dois grandes profissionais.

No último Mundial, o Brasil batia a Holanda por 1 a 0. Voltou à etapa final confiante, consequência do desempenho convincente nos primeiros 45 minutos. Até que após uma cobrança de falta, a bola resvalou na cabeça do volante Felipe Melo antes de Julio César a alcançar. Gol de empate holandês.

O Brasil se descontrolou. Felipe Melo agrediu o adversário e recebeu cartão vermelho. E de um escanteio saiu o gol de cabeça de Sneijder. Desta vez Julio César nada pôde fazer. Holanda 2 a 1. O Brasil estava fora da Copa.

Embora extremamente abatido, o goleiro foi o primeiro a deixar o vestiário. "Julio César admite falha e mostra personalidade", relatou o Estadão em 3 de julho, dia seguinte à derrota. "Falhei, estou colocando minha cara à tapa", disse, com os olhos vermelhos e se controlando para não desabar.

Nos anos seguintes à Copa, a carreira de Julio declinou. Depois dos dourados pela Inter de Milão, de 2005 a 2012, rodou por times pequenos. Chievo, Queens Park Rangers até o atual Toronto, onde disputa a Major League norte-americana.

Robson Morelli e Luiz Antônio Prósperi, editores do Estadão, falam sobre dramas de Barbosa e Julio César. Ouça:

Ainda assim o técnico Luiz Felipe Scolari deu-lhe voto de confiança e o escalou como titular para a Copa de 2014. E não se arrependeu.

Contra o Chile, pelas oitavas de final, o goleiro foi o heroi da vitória brasileira nos pênaltis. Defendeu dois e garantiu a passagem do Brasil às quartas de final.

 

"Há quatro anos eu dei uma entrevista e estava muito triste. Só eu sei o que eu passei em 2010. Faltam três degraus", disse Julio César à Globo após o penoso triunfo sobre os chilenos.

Julio voltava a salvar o Brasil dez anos depois da conquista na Copa América de 2004, quando espalmou um pênalti do argentino D'Alessandro na final. Outra coincidência: Julio César estreou pela seleção naquela Copa América, justamente contra o Chile.

O Brasil avançou na Copa 2014 e ainda passou pela Colômbia nas quartas. Mas na semifinal o inferno astral de Julio Cesar retornou na histórica derrota do Brasil para Alemanha por 7 a 1.

Após a goleada, o goleiro novamente deu a cara a tapa e afirmou que trocaria o vexame brasileiro por um revés por 2 a 1 com uma falha sua, como em 2010. E assim, em outro momento difícil, deu grande demonstração de caráter.

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