Felipão ensaia sete jogadas para a seleção brasileira na Copa

De olho nas últimas aparições do Brasil e nos treinos da equipe, identificamos as táticas do treinador para chegar à final do Mundial

Robson Morelli - Enviado especial a Teresópolis, O Estado de S. Paulo

07 de junho de 2014 | 16h02

O repertório de jogadas da seleção para a Copa não se resume às invencionices de Neymar. Depois de 13 dias na cola do Brasil em Teresópolis, passando por Goiânia (onde a equipe bateu o Panamá por 4 a 0 em amistoso de preparação), fazendo uma segunda parada em São Paulo (quando venceu a Sérvia por 1 a 0) e de volta à Granja Comary, foi possível desenhar as sete principais jogadas de Felipão, todas ensaiadas - umas mais, outras menos. É dessa forma, seguindo o riscado, que a seleção pretende bater seus adversários.

O leque de jogadas do Brasil ainda inclui, de acordo com o próprio treinador, duas modificações táticas, cartas na manga. Uma delas diz respeito à escalação de dois atacantes de área, Fred e Jô, juntos, de modo a abrir mão de um meia. A outra opção, para manter o placar, é fortalecer a defesa com mais um beque: Henrique, que ficaria à frente de Thiago Silva e David Luiz. Felipão admite uma terceira: improvisações.

As sete jogadas ensaiadas resgatam um pouco do que foi o Brasil na Copa das Confederações. A principal delas é para o começo do jogo, aqueles 15 minutos em que o time tenta marcar gol na base do abafa. O rival geralmente não espera a blitz, perde a bola, erra passes, torna-se vulnerável. A qualidade e a rapidez ajudam. É bote mortal.

A estratégia, batizada de jogada 7, consiste na movimentação dos atletas nos três setores do campo, direita, meio e esquerda. Neymar, Oscar, Fred, Hulk, Marcelo e Daniel Alves avançam para cima do adversário, sem deixá-lo respirar. Os defensores adiantam a marcação para roubar a bola. É tudo muito rápido, e todos os espaços são diminuídos. Para conseguir isso, Felipão fez coletivos em campo de 60 metros, onde todos tinham de se movimentar e pensar rapidamente.

 

A jogada 6 parte da defesa, com o zagueiro David Luiz, que gosta e tem facilidade para os lançamentos. O cabeludo dá um esticão para Neymar já no campo de ataque. O craque domina a bola, avança alguns metros e chama Marcelo na esquerda. O lateral, sempre pronto para atacar, vai à linha de fundo e faz o cruzamento para a chegada de Neymar, Fred e Oscar. É contra-ataque com qualidade. 

Neymar é o protagonista da jogada 5. É de bola parada. O atacante cobra escanteio forte e no fundo. Geralmente, buscando Paulinho. Pode ser David Luiz também. Enquanto a confusão rola solta no miolo da defesa, em busca da marcação de Fred e dos altos zagueiros brasileiros, Paulinho vai em direção à bola; Marcelo e Oscar ficam à espreita do rebote. Na cabeçada, Paulinho pode mandar direito para o gol ou jogar na bagunça da área.

Pelé disse em entrevista ao Estado, há um ano, que achava um erro ver Neymar, com toda a sua qualidade, cobrando escanteios. Um desperdício, em suas palavras. Queria ver o craque na entrada da área, à espera de uma bola espirrada. No Brasil, ele vai ser o cara das bolas paradas: escanteios, faltas e o primeiro batedor de pênaltis.

A jogada 4 é pela direita, com Daniel Alves, Hulk e Oscar. É uma combinação simples, mas eficiente. Foi dessa forma que o lateral marcou o segundo gol do Brasil contra o Panamá. Quem começa o lance é Oscar. O meia percebe a movimentação de Hulk aberto, levando a marcação para o fundo. O atacante faz uma parábola na área para escapar do oponente, recebe a bola e chama Daniel Alves. O lateral fecha pelo meio, em direção ao gol, na diagonal, recebe a bola e fuzila. Uma segunda opção é dar o passe para quem está entrando na defesa, como Fred e Neymar.

Pelo meio, geralmente Fred fica encaixotado entre os marcadores. O 9 é sempre o mais marcado, porque se movimenta na frente do gol. Qualquer bola que para em seu pé é perigo. Por isso, as jogadas de Felipão priorizam as laterais. Na 3, Marcelo come pelas beiradas. David Luiz acha Neymar no meio, que toca para Oscar do lado, um pouco mais avançado. O meia já sabe que Marcelo está pedindo bola na esquerda e faz o passe. Marcelo avança e cruza. Fred já está lá na área esperando a bola, louco pela conclusão. Hulk e Daniel Alves fazem a retaguarda dos amigos. 

A jogada 2 é comum no futebol e também está no repertório de Felipão. É bola parada, falta um pouco mais longe do gol. Três jogadores se organizam para a cobrança. Como Neymar é o cara, o adversário espera que ele chute. Mas o craque rola curtinho para Hulk, que passa o pé em cima da bola para que David Luiz solte a bomba. O zagueiro chuta forte e com direção. É tudo muito rápido. A bola pode passar pela barreira, que se desmancha e se desarruma na jogada ensaiada.

O torcedor conheceu a jogada 1. Os panamenhos também. Foi com ela que a seleção furou a retranca do rival no Serra Dourada. Falta na entrada da área; apresentam-se para bater Neymar e Oscar. Marcelo cisca por ali. Mas quem vai bater é Neymar. Oscar simula e tenta desconcentrar os homens da barreira. Neymar pede que o árbitro cheque a distância. Concentra-se. O chute sai pelo alto por cima do último homem ou do seu lado, o oposto ao do goleiro. O resultado? Todos viram em Goiânia. Caixa. Melhor que isso, só se Felipão tirar alguma coisa da cartola.

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