Felipão tenta fechar 'Avenida Daniel Alves' na seleção brasileira

Gols sofridos pelo Brasil tem começado pelo lado do lateral-direito

Sílvio Barsetti - Enviado especial a Teresópolis, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2014 | 05h00

 Os dois gols sofridos pelo Brasil na Copa do Mundo surgiram de jogadas pelo lado esquerdo de ataque das seleções da Croácia e de Camarões. Ou seja, no setor ocupado por Daniel Alves. O lateral-direito brasileiro foi superado em vários outros lances das três partidas disputadas pela seleção até agora. Os adversários já perceberam que não há obstáculos na “Avenida Daniel Alves’’. Por ali, nascem ataques em que os atletas dispõem de um corredor livre, o que sobrecarrega os volantes e os zagueiros da seleção.

Por isso, mais uma vez, o técnico Luiz Felipe Scolari vai gastar algumas horas até o próximo confronto - sábado, contra o Chile, no Mineirão -, para tentar corrigir o problema. Isso já deve ficar mais claro no treino desta quarta-feira, na Granja Comary, o primeiro para as partidas pelas oitavas de final.

Ele vai reafirmar que Daniel deve sim ir à frente, desde que haja uma cobertura eficiente quando das investidas do lateral. Ninguém questiona o quanto o lateral do Barcelona é importante no apoio e responsável por várias jogadas de perigo no ataque da seleção. No entanto, Daniel tem sofrido com a falta de fôlego para voltar rapidamente e evitar um contra-ataque adversário. 

Além disso, como Paulinho não vinha funcionando na proteção à zaga, as investidas de Daniel deixavam Luiz Gustavo com a função de cobrir tanto o lado direito quanto o oposto, o de Marcelo, que também apoia bastante, em busca de tabelas com Neymar e os outros homens ofensivos da seleção.

Se permanecer com Fernandinho na vaga de Paulinho, substituição feita no intervalo da goleada por 4 a 1 sobre Camarões e que deu nova vida ao meio de campo da seleção, Felipão poderá resolver em parte essa velha preocupação.

Não foi apenas nos três jogos do Brasil no Mundial que essa brecha na defesa ficou evidente. Antes mesmo, nos amistosos contra Panamá e Sérvia, já no início de junho, houve situações de jogo em que Daniel Alves subia ao ataque e jogadores mais velozes dos adversários se posicionavam naquele setor do gramado desprotegido pelos brasileiros.

O técnico também recorreu, no jogo com Camarões, a outro volante, Ramires, a quem coube mais diretamente ocupar os espaços deixados por Daniel Alves. Foi uma substituição no segundo tempo, com a saída de Hulk do time. O jogo já estava sob controle do Brasil, mas Felipão não quis correr riscos e o resultado foi positivo. Ramires conseguir dar mais proteção à lateral direita da seleção.

Daniel Alves considera exageradas as críticas a seu rendimento e diz estar mais preocupado em ajudar a seleção a conquistar o seu objetivo, que, obviamente, é o título mundial. “Este grupo está preparado para enfrentar qualquer adversário”, garantiu.

O lateral entende que não se deve deixar de lado os méritos dos adversários, quando se faz a análise de seu desempenho e também o da seleção. “Tentamos sempre fazer o melhor, mas os rivais criam dificuldades para a gente’’, adverte.

Ele prevê mais dificuldade na partida de sábado. Mas acredita em uma grande partida. “O jogo com o Chile vai ser bom porque as equipes são parecidas’’, diz.

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