Fifa corre contra o tempo para liberar Arena Corinthians

Novo evento-teste não vai significar muita coisa para a abertura da Copa; serviço de hospitalidade ainda não deverá funcionar

PAULO FAVERO, VÍTOR MARQUES, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2014 | 22h34

SÃO PAULO - Com o atraso nas obras na Arena Corinthians, a Fifa se viu obrigada a realizar um novo teste ao mesmo tempo que não desconhece que significará pouca coisa para o jogo de abertura da Copa do Mundo. No domingo, o torcedor que for ao estádio para assistir ao jogo contra o Botafogo não terá todos os serviços disponíveis, desde a alimentação até setores que não serão abertos.

Desde que assumiu o estádio, na semana passada, a Fifa começou a instalação das estruturas complementares e as obras estão sendo feitas principalmente no prédio Oeste. Por isso, a entidade optou por mudar as câmeras de televisão e radialistas momentaneamente para o prédio Leste. O argumento usado é que, no primeiro teste, cinco cabos de fibra ótica foram estragados. Assim, a princípio, a transmissão televisiva será feita no lado oposto ao que é feito em outros estádios brasileiros e será contra o sol.

Outros problemas, como a instalação das estruturas complementares, terão efeito direto nos torcedores. Um exemplo disso é o serviço de alimentação. O Corinthians montou cozinhas provisórias para a partida contra o Figueirense e já desmontou toda a estrutura, mas até agora a Fifa não teve tempo para conseguir colocar os seus equipamentos. Dessa forma, a operação no jogo contra o Botafogo será precária, com serviço provavelmente de comida pronta ou de fácil preparo.

Outra situação que pode se agravar é o gramado, que passou bem no primeiro teste, mas, nesta semana, foi submetido a um processo de limpeza e replantio – o ideal seria deixá-lo alguns dias sem nenhuma atividade. Outras arenas da Copa também estão fazendo a manutenção do campo.

Se para os torcedores a ida ao estádio não será como ver um jogo de Copa, o principal teste para Fifa será a análise da estrutura das arquibancadas provisórias. O lado Norte foi vetado e o Sul só poderá receber cinco mil pessoas, apesar de a capacidade ser de 9.800 lugares. Como a tendência é que os torcedores se agrupem na parte de baixo, para ficar mais próximo do campo, o lado de cima não passará pelo teste ao qual deveria ser submetido, com carga máxima.

A Fifa e o Comitê Organizador Local estão cientes de que o jogo ainda não terá 100% dos serviços oferecidos na Copa. Em um comunicado, a entidade avisou que os serviços de internet, por exemplo, não serão os mesmos que deverão ser utilizados no Mundial. O Corinthians decidiu abrir alguns poucos camarotes, para receber conselheiros e convidados, mas dificilmente haverá serviço de hospitalidade nos moldes do que o clube propõe para depois da Copa.

Preocupação. Não é só o evento-teste deste domingo que causa temor na Fifa. Os problemas envolvendo o serviço de alimentação da área VIP preocupam especialmente as grandes multinacionais e o governo federal, que convidaram CEOs e chefes de Estado de todo o mundo para abertura. Mas os patrocinadores já alertaram a Fifa que pagaram caro, com a condição de que teriam um serviço completo nos camarotes.

Um dos problemas pode ser a capacidade da cozinha para aquecer a comida para 14 mil convidados, incluindo presidentes de empresas que poderão investir no Brasil. O Estado apurou que elas já cobraram da Fifa soluções, alertando que, durante a Copa das Confederações, algumas das sedes tiveram sérios problemas no serviço.

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