Governo intervém, Fifa cede e novo esquema de segurança é anunciado

Após reunião entre Fifa, ministro da Justiça, Abin e Polícia Federal, ficou definido que número de policiais e stewards será aumentado

Jamil Chade - Enviado especial ao Rio, O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2014 | 22h49

A Fifa cedeu e o governo brasileiro anunciou, na noite desta sexta-feira, que tanto a entidade quanto as forças públicas aumentarão o número de seguranças privados e policiais nos 12 estádios da Copa do Mundo. Não se descarta nem mesmo policiais atuando dentro dos estádios.

Depois de dias de troca de acusações, a Fifa e a cúpula do governo realizaram um encontro de crise no Rio, que contou com a presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a cúpula das Forças Armadas, a Polícia Federal, Abin e todos as forças policiais nacionais. Depois de duas horas de reuniões, Brasília e a Fifa anunciaram um reforço do policiamento, até mesmo com homens que nem sequer terminaram o treinamento. Na grande final, as Forças Armadas atuarão como um apoio para a segurança. Mas não controlarão ingressos e nem farão revistas.

O anúncio vem depois de vários incidentes e duas invasões do Maracanã por torcedores. Ao contrário do que havia sido anunciado horas antes pelo Comitê Organizador Local da Copa, novos vigias privados serão contratados pela Fifa para todos os estádios. A entidade também abriu a possibilidade para que policiais atuem dentro das arenas quando for detectada a falta de vigias. Do lado do governo, Brasília se comprometeu a colocar mais homens nas ruas.

A Fifa acabou cedendo em diversos pontos e aceitando o plano do governo. Não apenas a entidade terá de contratar mais vigias, algo que tinha negado durante a tarde de sexta-feira, como não se descarta o uso dos policiais dentro dos estádios. Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, admitiu que o reforço ocorrerá "onde for necessário".

"Em face da realidade, alguns pontos têm de ser ajustados", admitiu o ministro. "Tivemos um programa de aperfeiçoamento das ações, seja dentro dos estádios, com a fixação de um número maior de stewards (vigias contratados pela Fifa que atuam nos estádios), bem como uma melhoria na revista e Raio X, bem como melhoria na fiscalização do perímetro dos estádios", explicou o ministro. Segundo ele, as novas medidas serão adotadas para todos os estádios e começarão a valer neste sábado.

Nem o governo e nem a Fifa deram números de quanto será o aumento de homens. No caso do Maracanã, o incremento será de 600 policiais e um aumento do período de isolamento do estádio para um total de sete horas. Um feriado será declarado no Rio em dias de jogos. Mas os homens que serão usados acabam de sair do treinamento e ainda são "policiais em formação". Os novos policiais somente poderão atuar sob orientação e nem sequer tinham ainda uniformes.

O novo acordo prevê até mesmo que possa ser utilizado policiais dentro dos estádios, algo que a Fifa rejeitava. "A ideia em princípio, e nos parece perfeitamente possível, é ter dentro do estádio um número suficiente de stewards. As forças de segurança pública têm uma ação suplementar", indicou o ministro.

Segundo o ministro, a situação vai variar "de estádio para estádio". "Vamos elevar o número de stewards e melhorar a revista onde for necessário e, se necessário, haverá um apoio das polícias estaduais", indicou Cardozo. "Se for necessário que utilizemos segurança pública, não temos nada contra", declarou Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa. "O que queremos é um evento seguro. E tudo o que foi necessário para ter essa segurança será feita pela Fifa e pelo governo", insistiu.

Um dos acordos entre o governo a Fifa foi estabelecer uma estratégia especial para a final no Maracanã. "Vamos olhar um jogo especial, que é a final, para termos a segurança no mais alto nível", declarou Valcke. Outro jogo considerado como delicado é o da Argentina em Belo Horizonte. "Posso garantir que teremos um excelente padrão de segurança também neste jogo. E agora, com as medidas de comum acordo, eventuais pontos falhos ficam resolvidos e podemos ter ainda uma situação muito melhorada nos próximos jogos", declarou.

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