Improviso é retrato do palco de abertura da Copa do Mundo

Por todo o canto, paus, pedras e cavaletes lembram torcedores que estádio ainda é um grande canteiro de obras

Fernando Faro, Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2014 | 18h23

SÃO PAULO - É difícil imaginar que Brasil e Croácia entrarão no Itaquerão em apenas onze dias para dar o pontapé inicial da Copa. Às vésperas de um torneio que o país sabia que iria receber desde 2007, o palco de abertura do Mundial é um retrato fiel do improviso que ameaça caracterizar o torneio. Falta muita coisa para que a casa corintiana esteja realmente pronta para receber milhares de torcedores, autoridades e jornalistas do mundo inteiro sem correr o risco real de passar vergonha.

Nos próximos dias, será preciso trabalhar sem parar para que o estádio esteja minimamente preparado para um evento de tamanha magnitude. Desde as dificuldades de acesso de carro até a falta de sinalização e informações precisas, o torcedor não goza de facilidades para chegar ao local.

O setor Oeste, mais luxuoso do complexo, é um canteiro de obras. A maior parte dos camarotes estiveram fechados e o hall de entrada não foi aberto para o público porque operários ainda precisam concluir as obras. “É um estádio bonito, mas inacabado. Fica uma sensação generalizada de que ele não está pronto”, disse o botafoguense Alexandre Lacerda.

Vale lembrar que o evento – primeiro e único sob tutela da Fifa – não foi uma simulação exata do que será a estreia, já que as arquibancadas provisórias do setor Norte foram vetadas pelos bombeiros por falta de laudos de segurança e parte do setor Sul conseguiu a liberação parcial pelo mesmo motivo; apenas 40mil dos 68 mil lugares foram liberados – quase 38 mil pagantes acompanharam a partida. Dada a falta de testes e simulações, é impossível dizer que tudo transcorrerá da forma adequada no dia 12, quando alguns assentos receberão torcedores pela primeira vez.

Chegar ao estádio de carro é uma tarefa indigesta. Os bloqueios para criar o perímetro exigido pela Fifa trouxeram transtornos aos motoristas, que em muitos casos se viram obrigados a estacionar a mais de três quilômetros de distância pagando R$ 25 por uma vaga. As congestionadas vias de acesso ficaram piores por causa da falta de sinalização e das informações desencontradas dos agentes de trânsito.

O metrô e o Expresso Copa foram opções bem melhores e justamente por isso que tanto governo quanto prefeitura reforçaram durante toda a semana que o ideal era deixar o carro em casa. Vale lembrar que o evento-teste poderia ter sido no meio de semana, mas a próprias autoridades ficaram temerosas em relação ao trânsito.

OBRAS

Por todo canto que se olha, percebe-se que o estádio não está pronto. Há pedras, pedaços de pau, cavaletes espalhados em volta da arena. No elevador, por exemplo, os plásticos de proteção das paredes não foram tiradas. As lanchonetes também não funcionaram em sua capacidade total e a cobertura não existirá para o Mundial.

É verdade que alguns pontos melhoraram, como a presença de mais voluntários (foram cerca de 400, o dobro do registrado na partida contra o Figueirense), e o aperto na fiscalização a ambulantes – alguns conseguiram se aproximar do entorno, mas com muito mais dificuldade do que no primeiro teste Ainda assim, não dá para dizer que o Itaquerão está aprovado.

Quando o Itaquerão estiver pronto será uma arena moderna e apta a receber qualquer jogo. O problema é que isso precisaria acontecer em dez dias e, pelo que foi visto, está cristalino que esse prazo é muito curto para reverter o cenário.

As autoridades admitem os atrasos, mas insistem que apesar dos inúmeros problemas a serem resolvidos a toque de caixa, tudo estará pronto e funcionando perfeitamente para a Copa do Mundo. A dúvida é saber se ainda dá tempo.

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