Joseph Blatter culpa calendário por cortes na Copa do Mundo

Critica é um recado claro para os grandes clubes europeus

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2014 | 13h16

Preocupado diante do corte de algumas das maiores estrelas do futebol do principal torneio mundial, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, critica a "longa temporada" dos jogadores, num recado direto aos clubes e federações da Europa.

"É uma temporada muito longa", disse Blatter, hoje em São Paulo. "É longa demais e o problema é que os jogadores são sempre os mesmos nos principais torneios", afirmou. Nos últimos dias, alguns dos principais astros da Copa, como o alemão Reus e o francês Frank Ribéry foram cortados do torneio por lesão.

Vários outros, como Cristiano Ronaldo e mesmo Lionel Messi, estão em condições longe do ideal para a principal vitrine do esporte, a Copa do Mundo.

Desde 2002, a Fifa vem tentando estabelecer um período mínimo de preparação e descanso entre os últimos jogos dos clubes europeus e o início da Copa, justamente para garantir qualidade em campo durante o evento que gera milhões de dólares em lucros. Mas, neste ano, o período chega a ser mais curto que em 2010.

Internamente na Fifa, a "culpa" é jogada sobre a Europa e sobre os clubes que não abrem mão de disputar campeonatos nacionais, taças e a Liga dos Campeões. Blatter tem feito críticas veladas ao "egoísmo" da Europa.

Segundo um levantamento obtido pelo Estado e realizado pela própria Fifa, dois terços de todos os jogadores que estarão na Copa saem de clubes localizados em apenas cinco países europeus. Só o Bayern de Munique terá 18 de seus jogadores nas seleções da Copa. Todos os clubes brasileiros juntos somam apenas 16.

Na Uefa, a entidade rejeita a acusação de que o problema seja dos clubes e de uma temporada longa. Gianni Infantino, secretário-geral da Uefa, prefere colocar a responsabilidade nos amistosos disputados pela seleções na fase de preparação da Copa. "Antes, um amistoso era um amistoso. Ninguém se tocava. Hoje, é um jogo  competitivo como qualquer outro", declarou. 

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