Megaoperação detém 29 em 'invasão' de argentinos no RS

Suspeitos presos foram acusados de transgressões como furto, venda ou uso de ingressos falsos e posse de drogas na Fan Fest

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2014 | 20h07

A "invasão" argentina não foi tão gigantesca como algumas previsões indicavam, mas coloriu de azul e branco o centro de Porto Alegre, os 4,7 quilômetros do Caminho do Gol, o Beira-Rio, a Fan Fest no Anfiteatro Pôr-do-Sol e os bares do bairro Cidade Baixa. A Polícia Federal contabilizou o ingresso de 25,6 mil argentinos entre a sexta-feira da semana passada e esta quarta-feira e de 36,8 mil de 1º a 25 de junho.

Somados aos que já estavam no Brasil, como moradores ou como turistas, eles corresponderam a quase metade das 43 mil que estavam no estádio e à maioria entre os participantes da Fan Fest oficial e entre os que viram o jogo em um telão extra instalado nas proximidades.

A presença dos argentinos foi acompanhada por uma megaoperação policial, vistoriada até pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e não teve grandes confusões. Durante o dia foram registradas 15 ocorrências policiais, com detenção de 29 pessoas, sendo 20 argentinos, dois uruguaios, três nigerianos, dois indianos e dois brasileiros, por transgressões como furto, venda ou uso de ingressos falsos e posse de drogas na Fan Fest.

A maioria dos casos, no entanto, foi por tentativa de roubo de ingressos. Alguns torcedores chegaram a pedir para tirar fotos com brasileiros para, enquanto posavam, furtar o tíquete.

O primeiro registro ocorreu durante a madrugada. Um argentino foi atingido por uma bala de raspão em briga em um bar na região central. Antes do jogo, a polícia foi notificada de quatro furtos de ingressos, todos praticados por argentinos contra nigerianos e brasileiros, com detenção de alguns deles e devolução do tíquete aos donos. Ao mesmo tempo, foram detidos dois indianos e dois nigerianos vendendo ingressos por preços muito superiores aos da compra e dois argentinos vendendo bilhetes falsos.

Nas catracas do estádio, três argentinos foram barrados com ingressos falsos. Os argentinos também foram vítimas de crimes. Três deles tiveram objetos furtados por um compatriota em um hotel. Um foi assaltado por dois homens armados em uma rua da cidade.

A Secretaria da Segurança Pública não divulgou um número, mas centenas de pessoas foram retidas quando tentaram passar da área de livre circulação da Avenida Padre Cacique para a área restrita aos torcedores que tinham ingressos nas mãos. A barreira foi montada pela Brigada Militar a cerca de 300 metros do estádio, em todos os jogos disputados na capital gaúcha.

Os torcedores não estavam em grandes grupos e não houve confusão. Eles chegaram sozinhos ou em pequenas turmas ao longo de toda a manhã e, à medida em que eram impedidos de seguir, iam para a Fan Fest, a um quilômetro de distância, ou para bares e restaurantes.

Na tentativa de ver Messi e seus companheiros contra os nigerianos, houve argentinos e nigerianos que tentaram ludibriar a vigilância apresentando ingressos de jogos anteriores. Alguns conseguiram passar pela primeira barreira e entrar na área restrita aos portadores de tíquetes. Mas acabarem retidos no acesso ao estádio, de onde foram levados para fora da zona de restrição pelos policiais.

O balanço da secretaria também destacou que, desde o início da Copa, houve 68 ocorrências policiais envolvendo turistas em Porto Alegre, com estrangeiros vítimas em 46 delas e estrangeiros suspeitos em 37. No mesmo período, a Polícia Federal impediu 22 barra-bravas, torcedores argentinos com histórico de violência, de ingressar no Brasil pelas fronteiras e aeroportos do Rio Grande do Sul.

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