Na escola de samba e no Jockey Club, tensão na partida foi igual

Cerca de 2 mil pessoas assistiram ao jogo entre Brasil e Chile, pelas oitavas de final, na quadra da Rosas de Ouro, em São Paulo

Diego Zanchetta e Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2014 | 22h55

SÃO PAULO - Assim que o chute de Gonzalo Jara explodiu na trave no Mineirão, eliminando o Chile e classificando o Brasil, cerca de 500 pessoas que assistiam à partida na quadra da Rosas de Ouro, na zona norte de São Paulo, viram um desfile da escola de samba, com direito a interação com bateria e com a ala das baianas. Parecia o Sambódromo do Anhembi em pleno carnaval.

No Jockey Club, na zona oeste, o público era essencialmente jovem, entre 20 e 30 anos, e todos estavam produzidos como se fossem para uma festa. Entre selfies e muita cerveja, os torcedores não pouparam os gritos na hora dos gols.

No Jockey, o ingresso para ver a partida custava R$ 100 e dava direito a cerveja à vontade. Já na Rosas de Ouro, variava de R$ 10 a R$ 100 e, além do chope, os torcedores tinham também churrasco.

Mesmo sem a comida de graça, o Jockey era a opção mais atraente para alguns. “Estávamos vendo os jogos em bares, mas decidimos vir aqui porque é um público selecionado”, disse Alda Mancuso, de 30 anos.

Torcida. A tensão nos dois lugares foi igual. Assim que a bola começou a rolar no telão do Jockey, Leonardo Barbosa de Souza, de 24 anos, já xingava o juiz e apoiava a seleção como um louco. “Estou morrendo do coração. Vou acabar no hospital.” Na Rosas, muitos duvidaram que haveria samba caso o Chile ganhasse. “Nem se ganhar acho que vai ter, nem estou vendo ninguém com tamborim”, disse a assistente de telemarketing Alice Rodrigues, de 24 anos.

No Jockey, o apito final da prorrogação deixou torcedores com olhos cheios de lágrimas. Algumas mulheres diziam: “Vamos, Brasil! Não quero trabalhar na sexta-feira” - data do jogo das quartas de final.

Quando Jara desperdiçou a última cobrança de pênalti dos chilenos, cerveja voou de todas garrafas do Jockey - ninguém escapou do banho. Menos de 10 segundos depois, na Rosas de Ouro, a euforia da torcida foi acompanhada pela entrada triunfante dos componentes da escola, todos a caráter, no meio da quadra. Até a presidente da agremiação, Angelina Basílio, participou do desfile.

Na quadra da zona norte, a festa durou até as 18h. Os puxadores de samba cantaram os cinco últimos sambas-enredo da Rosas e turistas disputavam fotos com baianas e passistas. No clube da zona oeste, jovens de verde e amarelo cantavam “sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor”, embriagados e aliviados por garantir a folga no trabalho na sexta.

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