'Não consigo encarar como pressão', diz Neymar sobre Copa

Em entrevista à revista Red Bulletin, craque conta que é "motivo de orgulho" ser o principal nome de seleção brasileira atualmente

O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2014 | 11h11

Neymar tinha dez anos quando o Brasil ganhou pela última vez uma Copa do Mundo. Hoje, aos 22 anos, o atacante do Barcelona é o dono da camisa 10 do Brasil, uma espécie de trono do futebol. Naturalmente, é nele que a maior parte dos torcedores deposita a esperança da conquista do hexa em casa. Responsabilidade demais? Em entrevista à revista Red Bulletin, que será publicada em julho, ele garante que pensa diferente: "Não consigo encarar como pressão. Tem que ser motivo de orgulho e alegria para entrar em campo."

O craque conta que jogar uma Copa do Mundo é um sonho de criança. Às vésperas da estreia do Brasil contra a Croácia na Arena Corinthians, Neymar não esconde a felicidade. "Todo mundo diz que vencer uma Copa do Mundo é uma alegria indescritível, e eu quero muito sentir isso. Quero gritar ‘É campeão!’." No entanto, ele sabe que o caminho até a conquista não é nada fácil. E o alerta, diz Neymar, vem do próprio treinador, Luiz Felipe Scolari. "É um torneio curto em que a margem de erro é muito menor que nas outras competições."

Exímio driblador e fã de Robinho, Neymar revela que estuda muito os vídeos de outros jogadores talentosos. E também copia muito. "Não tenho nenhum até agora que tenha inventado", conta. "Vejo muito Ronaldinho, Ronaldo, Messi, Cristiano Ronaldo. Já assisti a vídeos de todos os jogadores habilidosos que você possa pensar. Nos bate-bolas e nos treinos, tento fazer o mesmo que eles e, quando é para valer, acontece naturalmente."

É também com naturalidade que Neymar lida com o assédio da imprensa. "Sou um cara que não fica encanado", diz na entrevista. "As pessoas imaginam que eu sou como elas me veem na televisão, mas sou completamente diferente, porque não me sinto pressionado por nada." E faz questão de rechaçar qualquer estrelismo: "Na seleção, temos um único objetivo". "Somos todos muito amigos, fazemos brincadeiras, os egos ficam de fora." Vai dar certo? "É a coisa que eu mais quero na vida."

Como você lida com a pressão do país, esperando que ganhe a Copa?

Era o meu sonho desde criança, e hoje isso está bem na minha frente: sou o camisa 10 do Brasil e vou jogar a Copa do Mundo, e no meu país. Não consigo encarar como pressão. Tem que ser motivo de orgulho e alegria para entrar em campo. Todo mundo diz que vencer uma Copa do Mundo é uma alegria indescritível, e eu quero muito sentir isso. Quero gritar “É campeão!” Todo mundo fala: “Você tem a responsabilidade de ser o grande nome da seleção.” Não me sinto pressionado, me sinto feliz. Sempre fiz as coisas do meu jeito. A imprensa corre atrás de mim desde que eu tinha 13 anos, dizendo que eu seria o novo Robinho. Sou um cara que não fica encanado. Se ninguém me lembrar que sou o Neymar, jogador do Barcelona e do Brasil, vou esquecer isso. As pessoas imaginam que eu sou como elas me veem na televisão, mas sou completamente diferente, porque não me sinto pressionado por nada.

Do que você se lembra da última vez em que o Brasil ganhou a Copa do Mundo, em 2002?

Eu tinha 10 anos, já entendia o futebol. Acordei de madrugada para assistir à final em casa. Até cortei o cabelo igual ao do Ronaldo. Assisti ao jogo com meus pais e minha irmã, todo mundo junto. Depois, fomos para a casa da minha avó, comemos um churrasco, todo mundo gritando “é campeão!”, como torcedores fanáticos. A Copa do Mundo sempre foi o objetivo da minha vida. É engraçado que hoje esteja perto de se realizar.

Um de seus maiores talentos é o drible. Você copia dribles ou se inspira em algum jogador?

Acompanhei o Robinho de perto, porque, quando fui pro Santos, ele era a estrela do time. Ele é meu ídolo e driblava muito. Vejo muito Ronaldinho, Ronaldo, Messi, Cristiano Ronaldo. Já assisti a vídeos de todos os jogadores habilidosos que você possa pensar. Nos bate-bolas e nos treinos, tento fazer o mesmo que eles e, quando é para valer, acontece naturalmente. Os dribles são uma questão de prática. Não tenho nenhum até agora que tenha inventado. Faço dribles normais, como usar o corpo para enganar o adversário, ou dar o passo em falso, que eu treino e uso bastante. Eu usei a roleta (giro com a bola) do Zidane. Copiei muito.

O seu futebol parece cheio de alegria. Você ainda sente alegria enquanto joga ou é mais como um emprego agora?

É engraçado que é algo que precisa ser administrado. Você precisa ser sério em relação a isso. Mas estou sempre feliz quando jogo. Quando você está feliz, as coisas funcionam naturalmente. Quando você está triste, as coisas nunca funcionam.

Como você encara a sua primeira temporada no Barcelona?

Não foi perfeita, mas também não foi ruim. É a primeira vez que eu estava vivendo fora do meu país. Sinto falta dos meus amigos e da família. Foi difícil no começo, mas aprendi muito tanto profissionalmente como na vida pessoal. Estudo meus colegas de time, sobre o que eles conversam, como eles agem com as outras pessoas. Pego um pouco de cada jogador e adapto ao meu estilo. Algumas pessoas são boas no campo, outras fora dele, algumas se comportam bem nos treinos... Eu incorporo as qualidades de cada um.

O que mais te chamou atenção em relação ao Messi? Agora vocês estão juntos quase todos os dias...

Ele me surpreendeu de todas as formas. Antes de chegar aqui, escutei algumas coisas horríveis, como ele ser muito reservado e não falar com ninguém. Agora vejo tudo de maneira completamente diferente. Além de ser um gênio, fora do campo ele é sempre 100% comigo. Não apenas comigo, mas quando vejo ele com outras pessoas, também. Não tenho nada de ruim para dizer sobre o Messi.

Na seleção, quem escolhe as músicas no vestiário?

Varia. Todos podem escolher o que ouvir. As pessoas tendem a gostar de pagode, funk, sertanejo... Sempre vou para o estádio, usando meus fones de ouvido, escutando gospel. Daí, para agitar, botamos um pagode para todo mundo ouvir. Somos todos muito amigos, fazemos brincadeiras, os egos ficam de fora. Na seleção, temos um único objetivo. Como a gente trabalha em equipe e se ajuda, tem muita chance de dar certo.

O Felipão fala bastante do penta de 2002 com vocês?

Sim, bastante. Ele fala que a Copa é o torneio mais difícil. Não tem espaço para erros, tem que estar a toda velocidade desde o começo. É um torneio curto em que a margem de erro é muito menor que nas outras competições.

O Brasil vai levar?

É a coisa que eu mais quero na vida.

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