Pai de Fernandinho pede a Felipão uma chance para seu filho

Luís Carlos faz lobby para que seu menino comece a partida das oitavas no lugar de Paulinho

Robson Morelli - Enviado especial a Teresópolis, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2014 | 05h00

A confiança dos familiares de Fernandinho é tamanha de que ele entre no time desde o começo na partida do Brasil contra o Chile, sábado, pelas oitavas da Copa, que o churrasco na rua sem saída onde mora seu pai, Luís Carlos, com as tias Lourdes e Aparecida, em Londrina, já está marcado. Vai ter até um telão para que todos vejam melhor o filho ilustre da cidade.

Fernandinho briga com Paulinho por uma vaga na seleção, e tem seu nome pedido quase como um clamor popular. Embora seja reserva, contra Camarões o volante do Manchester City, campeão inglês, voou no Mané Garrincha, ajeitou o meio de campo da equipe e ainda marcou um gol na boa vitória do Brasil por 4 a 1.

Fez isso em 45 minutos, ao entrar após o intervalo no lugar de Paulinho. Como o titular não joga bem, corre risco de perder seu posto. "Ele tem de jogar", sentencia o pai de Fernandinho. "Mas o Felipão é jogo duro! É difícil de ele mexer no time. Já foi assim em 2002. Ainda mais quando a seleção está ganhando e empatando suas partidas. Mas tenho certeza de que o garoto vai jogar contra o Chile."

Antes da partida em Brasília, que classificaria o Brasil para a fase de mata-mata em primeiro lugar do grupo, portanto, a mais importante das três nesta etapa, Fernandinho ligou para o pai. "Estou indo para o estádio", disse, como sempre fez nos jogos do Brasil. "Filho, vai lá e jogue firme", ouviu como conselho de um ex-atacante da várzea que virou volante para passar um pouco de seu conhecimento ao menino que crescia nos campinhos de Londrina.

Luís Carlos é fã de Clodoaldo, volante do Santos e da seleção tricampeã em 1970. "Aquela Copa de 70 eu lembro bem", diz, hoje com 62 anos. "O Fernandinho era lateral no Atlético-PR. Um dia disse a ele para virar volante. Deu certo." Luís Carlos também fez um pedido a Fernandinho nesta Copa. "Se você jogar metade do que jogou Clodoaldo em 70, vai ser craque."

A festa na casa do pai do jogador foi imensa durante o jogo. Começou quando o filho apareceu na beira do gramado, após o intervalo, para entrar no jogo e fazer sua estreia na Copa. “Quando ele fez o gol, a festa foi grande. Todos me deram os parabéns. O Brasil melhorou com ele em campo. Por isso é que acho que ele vai ficar no time.”

Se optar pela mudança, não será a primeira vez que Felipão monta um time e troca as peças no meio do caminho. Na Copa da Coreia e do Japão, o Brasil tinha Juninho Paulista, que perdeu posição para Kléberson.

Em 1994, na campanha do tetra, Parreira fez o mesmo. A seleção jogava com Raí antes de efetivar Mazinho no setor. Há outros exemplos, mas esses dois nasceram de decisões de Felipão e Parreira, juntos agora na Granja Comary atrás do hexa.

Nas conversas que tiveram desde que a Copa começou, Luís Carlos viu no filho seu desejo de jogar, mas também sempre ouviu dele o respeito pelos titulares. "Sei que se o Felipão não optar pelo meu filho, ele vai ficar aborrecido. Quer jogar."

Luís Carlos não foi a nenhuma partida do Brasil. Nem vai. Reclama de um derrame que teve e agora prefere ficar no seu canto, longe do agito. No churrasco de sábado, para ver o filho cantando o hino nacional pela primeira vez na Copa, já disse que não ficará na bagunça, tampouco diante do telão. "Vejo os jogos do Fernandinho na minha tevê, que fica no meu quarto. Ali eu me concentro." 

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