Para Jorge Sampaoli, jogo contra o Brasil sempre foi clássico

Técnico do Chile acredita que partida deste sábado será muito difícil e prega marcação coletiva sobre Neymar na defesa chilena

LEANDRO SILVEIRA E VÍTOR MARQUES - enviados especiais a Belo Horizonte, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2014 | 17h34

Até pela larga vantagem da seleção brasileira no retrospecto geral, o confronto com o Chile está longe de ser um dos principais duelos do futebol mundial. Porém, ao menos para o técnico Jorge Sampaoli, enfrentar o Brasil tem uma motivação especial. Afinal, o treinador da seleção chilena é argentino e encarou, desde a sua infância, o duelo com o Brasil como um clássico.

"Pela minha natureza e minha nacionalidade, meu clássico sempre foi com o Brasil. Foi sempre assim, na minha infância e também na adolescência. Adoro esse tipo de jogo. Sei que é muito especial. E também muito difícil", disse Sampaoli, nesta sexta-feira, na véspera do duelo entre as seleções de Chile e Brasil, no Mineirão, em Belo Horizonte, pelas oitavas de final da Copa.

Essa dificuldade comentada pelo treinador passa pela tentativa dos chilenos de parar Neymar. Sampaoli garante que não haverá marcação individual sobre o brasileiro, mas avisa que o atacante será vigiado de perto. "Temos que estar muito próximos quando ele estiver com a bola. Não será marcação individual, mas coletiva. É um jogador com muitas virtudes, reconhecido e que respeito muito. Vamos tomar muito cuidado com seus movimentos e tentar neutralizá-lo", avisou.

Para Sampaoli, a atual equipe do Brasil possui um estilo de jogo mais direto e de velocidade do que o seu histórico indica. "Acredito que é um jogo mais direto, de velocidade e transição, que recupera a bola e é forte defensivamente, diferente do que estamos acostumados a ver na história do Brasil", disse. "Assim como fizemos com a Espanha (vitória por 2 a 0), temos que neutralizar um dos melhores times do mundo", completou.

O respeito ao Brasil, aliás, acompanhou as declarações dos chilenos na véspera do confronto decisivo. E isso não é à toa, afinal, a seleção sempre superou o oponente na Copa do Mundo, em 1962, nas semifinais, e também em 1998 e em 2010, nas oitavas de final.

Por isso, o lateral-esquerdo Eugenio Mena destacou a importância do confronto para uma seleção que nunca alcançou as quartas de final de uma Copa, exceto por 1962, quando foi o anfitrião do torneio. "Esse é o jogo mais importante que vou viver. O Brasil é uma história negativa para os chilenos. É um jogo importante para deixarmos isso para trás", disse o jogador do Santos.

Tentando fazer história, o Chile se inspira na sua vitória sobre a Espanha nesta Copa, mas também em um outro jogo, o amistoso de março com a Alemanha, quando não abdicou de seu estilo de jogo ofensivo, dominou o adversário em Stuttgart, mas terminou sendo batido por 1 a 0.

É esse comportamento que Sampaoli espera ver novamente em campo, dessa vez no Mineirão, diante do Brasil. "A imagem que gostaria de ver ao final do jogo é de um grupo de jogadores que fez tudo e propôs o jogo contra todas as adversidades, tentou se superar e fez um jogo histórico. Ver o que fez contra a Alemanha. Deixar a imagem do time que enche seu técnico de orgulho", concluiu o treinador do Chile.

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