Perto da estreia, seleção terá todo um cuidado com Neymar

Luiz Felipe Scolari começa, esta semana, a proteger o principal trunfo do time brasileiro para ganhar a Copa do Mundo em casa

Robson Morelli - Enviado especial a Teresópolis, O Estado de S. Paulo

07 de junho de 2014 | 16h00

Uma das preocupações da comissão técnica do Brasil, de agora em diante, é perder Neymar por lesão ou fadiga. O Brasil precisa do seu craque durante os sete jogos até a final do torneio, sobretudo nas fases eliminatórias, quando não há mais chance de recuperação. O Brasil precisa de Neymar, como a Argentina precisa de Messi e Portugal precisa de Cristiano Ronaldo. Como o Brasil precisou de Pelé. É dessa forma que Felipão vê a dependência da seleção do craque. "Todo time que tem um grande jogador depende dele."

Contra a Sérvia, num campo pesado e diante de marcadores grandalhões e implacáveis, Felipão não pensou duas vezes para tirar o atacante do jogo no segundo tempo, quando a seleção vencia por 1 a 0, mas os sérvios ainda não tinham se entregado. Bernard ganhou sua vaga.

O gesto foi uma contradição do treinador, que havia dito, na Granja Comary, um dia antes, que Neymar precisava jogar para se sentir bem e adquirir ritmo – porque ficou fora das partidas finais do Barcelona na temporada. Estava machucado. A intenção de Felipão era deixá-lo em campo durante os 90 minutos, como fez diante dos panamenhos no primeiro teste. Preferiu tirá-lo para evitar qualquer risco desnecessário faltando poucos dias para a estreia.

Felipão sabe que a seleção se escora em Neymar, um dos melhores do mundo, assim como todas as fichas argentinas são depositadas nas cartas de Messi, e as lusitanas, nas de Cristiano Ronaldo. "Isso é normal, gente. Neymar é igual a todos esses grandes jogadores. Toda seleção ou time que tem um grande jogador vai se apegar a ele. Isso é normal", disse.

O Brasil espera muito de Neymar. O próprio Fernandinho admitiu isso depois da partida em que a seleção venceu o Panamá. "Ele vai ganhar muitas partidas para o Brasil. E nós lhe daremos o suporte necessário."

Parreira foi o primeiro a perceber que Neymar precisava ter sossego para ajudar a seleção. Foi ideia dele liberar o atacante para uma viagem a Barcelona antes da Copa das Confederações, no ano passado. O jogador havia acabado de assinar contrato com o time espanhol, mas ainda vivia a expectativa da apresentação no Camp Nou. O Brasil já estava reunido para o torneio.

A intenção da comissão técnica naquela ocasião era tirar o peso das costas do garoto, para que ele pudesse trabalhar com serenidade e concentrado. Parreira e Felipão sabem exatamente quanto Neymar representa para o Brasil nesta Copa. E farão de tudo para preservá-lo até dessa responsabilidade.

Eles não estão dispostos a assumir essa dependência – nem precisam, com tantos bons jogadores no elenco, de Marcelo a Fred, passando por Oscar e Hulk, que tem feito uma função tática como poucos na posição.

Ocorre que é visível o rendimento da seleção quando Neymar vai mal, como foi diante dos sérvios. Ele tentou o tempo todo, mas não conseguiu nada. Por vezes a bola lhe escapou dos pés. E para provar que o craque geralmente é o espelho da equipe, todos os outros também não foram bem no Morumbi, até a defesa, que vivia fase diferenciada individualmente. Daniel Alves e Marcelo bobearam em algumas jogadas e quase complicaram a vida do Brasil. Em um desses erros, a Sérvia acertou a trave de Julio Cesar.

Felipão imagina que o jogo com a Sérvia seja o modelo que ele precisava para convencer seus atletas de que a Copa não será moleza para os anfitriões. E que todos terão de se desdobrar quando Neymar estiver marcado e não conseguir jogar.

Por isso Felipão pensa em Willian somente para o segundo tempo. O meia do Chelsea pode ajudar muito o chefe. E não necessariamente na vaga de Oscar no começo da partida. Willian é um parceiro para desafogar Neymar. "Precisamos achar as brechas para penetrar nas defesas adversárias. Às vezes não é fácil", disse, ainda no Morumbi.

Quando entra na segunda etapa, Willian pega as defesas já cansadas e desarrumadas. Sua habilidade e rapidez, como Felipão ressaltou, podem ser úteis nessa etapa do jogo. Até para Neymar ter refresco.

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