Rússia e Coreia do Sul empatam por 1 a 1 e embolam Grupo H

Os dois times correram muito, mas faltou maior qualidade no ataque. Na próxima rodada, apenas a vitória interessa a ambas as seleções

Fábio Hecico, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2014 | 21h01

Últimas seleções a entrar em campo na Copa do Mundo, as renovadas Rússia e Coreia do Sul, repletas de jovens em campo, se esforçaram, mas tropeçaram na carência de jogadores de melhor técnica e o 1 a 1 acabou justo na Arena Pantanal. O duelo que poderia ser decisivo para a segunda vaga da chave acabou sem vencedor diante de uma calorosa torcida em Cuiabá.

O técnico Fabio Capello completa 68 anos nesta quarta-feira. De presente, ganhou uma verdadeira dor de cabeça. O futebol da seleção russa é pobre e nem mesmo seu goleiro parece transmitir segurança. Foram três lances seguidos com defesas "estranhas" de Akinfeev numa segunda etapa com mais ímpeto dos coreanos.

A bola bateu no peito do goleiro, no queixo e ele ainda deixou uma escapar. Por sorte, nenhum atacante coreano estava perto do camisa 1 nesse lance. Mas no futebol, quando o goleiro adversário mostra insegurança, o técnico inimigo manda seus atacantes baterem de longe. E foi o que fez Keun-Ho aos 23 do segundo tempo. O camisa 11, que entrou na fase final, arriscou, e o inseguro Akinfeev ficou com as penas na mão no primeiro frango desta Copa.

Desde que virou uma república independente, em 1992, a Rússia disputou apenas duas Copas. Em 1994 e em 2002, caindo, em ambas, na primeira fase. Agora, a aposta é a de que esse tabu fique para trás. País-sede de 2018, os russos esperam fazer uma grande competição em solo brasileiro para ganhar moral. O primeiro passo, porém, traz enorme desconfiança.

O time precisou do artilheiro Kherzakov para evitar um vexame maior na estreia. O atacante, em seu primeiro lance, garantiu a igualdade em Cuiabá.

Futebol pobre de um lado, não muito animador do outro. Os coreanos mostraram que a dificuldade em se obter a vaga no Mundial não foi por acaso (superaram o Uzbequistão apenas no saldo de gols). Sobra correria, falta um gênio como Park Ji-Sung, aposentado da seleção.

Nesta terça, o primeiro chute a gol aconteceu aos 9 minutos, em jogada individual de Heung-Min, jovem de 21 anos que leva em seus pés a esperança de um país inteiro. Ele passou pela marcação e bateu forte. A bola subiu além da conta.

O bonito lance que animou os cuiabanos e os brasileiros em geral, visivelmente torcendo para os asiáticos no estádio, foi o cartão de visita da Coreia, que ainda teve boa chance em bomba de Ja-Cheol raspando a trave, aos 35, e com o próprio Min, que quase jogou a bola fora do estádio. O garoto é bom, mas estava ansioso demais.

Escola de futebol de toques rápidos, com inversões de jogadas e a busca pelo cruzamento à área da linha de fundo, os russos seguiram à risca o que trabalharam à exaustão em Itu. Toque pra cá, pra lá e dá-lhe chuveirinho. Uma artilharia aérea de tirar o fôlego, mas que só obteve sucesso no gol, já aos 28 do segundo tempo. Ainda assim, após bate-rebate. Do mais, nada de sucesso, já que o goleiro Ryong foi soberano pelo alto.

Pelo presenciado em Cuiabá, apostar em quem vai ficar com a segunda vaga na chave – a Bélgica passará fácil – é correr enorme risco de perder dinheiro.

FICHA TÉCNICA

RÚSSIA 1 x 1 COREIA DO SUL

RÚSSIA - Akinfeev; Yeshchenko, Berezutski, Ignashevich e Kombarov; Glushakov (Denisov), Shatov (Dzagoev), Samedov e Faizulin; Kokorin e Zhirkov (Kherzakov). Técnico: Fábio Capello.

COREIA DO SUL - Jung; Lee Young, Hong, Kim e Yun; Han, Koo, Ki e Lee Chung; Son (Kim-Bo) e Park (Lee). Técnico: Hong Myung-Bo.

GOLS - Lee, aos 22, e Kerzhakov, aos 28 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Shatov e Samedov (Rússia); Son, Ki e Koo (Coreia do Sul).

ÁRBITRO - Néstor Pitana (Fifa/Argentina).

RENDA - Não disponível.

PÚBLICO - 37.603 pessoas.

LOCAL - Arena Pantanal, em Cuiabá (MT).

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