Seleção chilena sonha com classificação para as quartas de final

Time de Sampaoli tenta eliminar o Brasil em um Mineirão lotado, entrar para a história e, por que não, sonhar com o título mundial

Vítor Marques - enviado especial a Belo Horizonte, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2014 | 22h30

A vitória contra a Espanha por 2 a 0 no Maracanã foi considerada histórica. Mas o verdadeiro "antes e depois" do futebol chileno pode ganhar um novo marco neste sábado no Mineirão. Eliminar o favorito Brasil, que joga em casa e com a torcida a seu favor, significa, para o Chile, uma mudança de patamar como seleção. É um jogo que vale uma Copa. Repetir uma semifinal como em 1962 ou almejar um inédito título se tornaria um objetivo palpável. Até 2010, os espanhóis não haviam vencido uma. Por que, então, o Chile não pode sonhar?

"Falam que não temos nada a perder. Eu vejo o contrário. Temos uma grande oportunidade de fazer história. Somos uma equipe, nosso conjunto funciona contra qualquer equipe", disse o goleiro e capitão Claudio Bravo, anunciado há três dias como novo reforço do Barcelona.

Esse time montado por Jorge Sampaoli é rotulado como uma das melhores seleções chilenas de todos os tempos, embora não tenha um zagueiro do quilate de Elías Figueroa - e talvez seja exatamente a defesa seu ponto fraco. Mas o que não se pode dizer é que essa geração de Gary Medel, Arturo Vidal e Alexis Sánchez não tenha fome de ganhar. Segundo os próprios jogadores, houve uma mudança de mentalidade.

"Nunca o chileno teve fé contra as potências. A mentalidade que temos de ter é a de Gary, a de Arturo. Temos de acreditar que somos melhores", disse Alexis Sánchez, numa rara e divertida entrevista na Toca da Raposa, sentado ao lado do lateral-direito Isla. "Eu digo que Isla é o melhor do mundo na sua posição, mas ele não acredita."

Arturo Vidal, principal jogador do Chile, defende, com afinco, a condição de que sua seleção joga de igual para igual contra qualquer adversário. Valdivia, outro jogador que dá declarações fortes, falou sobre o histórico brasileiro de vitórias. "História é para museus", disse. "Esperamos mudar o retrospecto negativo contra o Brasil."

O retrospecto é amplamente negativo para o Chile. Grosso modo: eles só vencem o Brasil a cada dez jogos. Na história, ganharam sete jogos de 68 disputados. Marcaram 58 gols e sofreram praticamente o triplo (159), segundo dados da Fifa.

"Será a partida mais importante da minha vida", resumiu o lateral-esquerdo Mena. "E será importante para revertemos esse histórico, para deixar para trás essa marca negativa que temos contra o Brasil."

A virada desse Chile, o que eles chamam de mudança de mentalidade, começou com a chegada de Marcelo Bielsa, treinador na última Copa, apesar da eliminação para o Brasil, também nas oitavas de final. Houve uma turbulência com Claudio Borghi, demitido. Mas Sampaoli recolocou a seleção nos trilhos. Assumiu no meio das Eliminatórias, levando o Chile ao terceiro lugar, atrás de Argentina e Colômbia.

Em comum, esses três treinadores são argentinos. E Sampaoli admira o trabalho de Bielsa, embora tenha um estilo próprio. O técnico do Chile não prometeu a vitória ou a classificação à quartas. Mas revelou que gostaria, ao fim da partida, de sentir orgulho de sua seleção. "A imagem que quero ver é a de um grupo de jogadores que deu seu máximo, propôs sua maneira de jogar contra todas as adversidades e fez seu jogo histórico", afirmou.

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