'Sonho em levantar a taça todos os dias', diz capitão da seleção

Zagueiro da seleção brasileira projeta caminhos para o Mundial.

Entrevista com

Thiago Silva

SÍLVIO BARSETTI, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2014 | 18h01

TERESÓPOLIS - Thiago Silva está diante de uma oportunidade raríssima para um jogador de futebol: levantar a taça da Copa do Mundo em casa, diante de sua torcida. E ele confessa que não há dia em que essa imagem não passe por sua cabeça. E seria impossível ser diferente. O capitão da seleção sabe que se trata de uma ocasião irrepetível e desfruta dela a cada dia, embora saiba que a responsabilidade que ele e seus companheiros terão de enfrentar no Mundial brasileiro será enorme.

Muito confiante no trabalho de Luiz Felipe Scolari e no talento de seus companheiros - especialmente de Neymar, o astro da companhia -, Thiago tem certeza de que o Brasil será muito forte na briga pelo título mundial, por mais que seleções como as de Argentina, Espanha e Alemanha tenham potencial para estragar a festa verde e amarela. Às vésperas de disputar a sua primeira Copa do Mundo como titular (ele esteve no Mundial de 2010, na África do Sul, mas como reserva), o jogador do Paris Saint-Germain falou com exclusividade ao Estado sobre o sonho de levantar a taça, o relacionamento com Felipão e sua temporada no bicampeão francês. E disse sem medo de errar: Neymar será o craque do Mundial.

A temporada de Neymar não foi tão positiva no Barcelona. Problemas fora de campo por causa da polêmica negociação para contratá-lo, lesões e sem títulos... Você acha que ele está preparado para assumir mais uma vez o papel de craque da seleção, assim como na Copa das Confederações?

Nosso ponto forte sempre foi a qualidade coletiva do nosso grupo, mas sem dúvidas o Neymar é um dos nossos trunfos para desequilibrar. Assim como todo o nosso time, ele está preparado e confiamos que ele ira fazer uma grande Copa.

O que o período na Europa ajudou para crescimento do Neymar como jogador? E como isso pode interferir no jeito de jogar da seleção?

Ele amadureceu mais, aprendeu mais. Hoje, ele é um cara que entende mais os aspectos táticos do jogo, por exemplo. Isso só tem a acrescentar à Seleção.

Quem será o craque da Copa? Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar...?

Neymar!

Quais são as seleções favoritas ao título?

Além do Brasil, vejo a Alemanha, a Argentina e a Espanha como favoritas, mas podemos ter surpresas com Itália, Uruguai...

Qual análise faz do grupo do Brasil na primeira fase? E como vê a possibilidade de enfrentar Espanha ou Holanda já nas oitavas de final?

Caímos num grupo muito equilibrado,  que nos trará algumas dificuldades, mas estamos nos preparando para isso. Precisamos pensar jogo a jogo, independente dos adversários, teremos totais condições de sair com a vitória.

Em 2010 você esteve no Mundial, mas não chegou a atuar. Qual a expectativa agora de estrear num jogo de Copa do Mundo?

É claro que bate aquele friozinho na barriga, pois se trata da maior competição de todas. Todo atleta sonha um dia em poder vestir a camisa de sua seleção e jogar uma Copa do Mundo. Comigo não é diferente. Estou ansioso, mas também muito preparado. Trabalhei muito para estar onde estou e a expectativa é a melhor possível.

Qual é o sentimento de ser o capitão da seleção em uma Copa do Mundo disputada em casa?

É a minha maior experiência profissional. Uma sensação indescritível, que marcará para sempre a minha vida.

Já imaginou como pode ser o momento de levantar a taça?  

Sonho com isso todos os dias. Farei de tudo para que todos nós, brasileiros, possamos viver esse momento mais do que especial!

A pressão pelo título, por jogar em casa, pode atrapalhar a seleção brasileira?

Estamos cientes do que iremos representar e da pressão que iremos enfrentar. Nos preparamos para isso. Então, não creio que o ambiente irá nos atrapalhar. Estamos prontos para brigar por esta Copa em casa!

Para muitos analistas, você e David Luiz formam a melhor zaga do mundo. Hoje, o futebol do Brasil seria mais respeitado pela qualidade de seus defensores?

Acho que o futebol brasileiro continua muito respeitado pela qualidade de seus jogadores. Temos um grande goleiro, os melhores laterais do mundo, temos volantes, meias e atacantes que seriam titulares em qualquer seleção do mundo.

Felipão disse recentemente que vai até o inferno, se for preciso, para defender seus convocados. Você faria o mesmo pelo treinador?

Sim. Se tem uma coisa que ninguém nos tira, é nossa união. Difícil imaginar um grupo mais coeso e unido do que o nosso. Um corre pelo outro até o fim.

Como foi sua temporada no PSG e qual sua condição física neste fim de temporada europeia?

Foi uma temporada muito boa. Infelizmente, ficamos pelo caminho na Liga dos Campeões, mas conquistamos títulos nacionais importantes e mostramos mais uma vez nossa força. Me sinto realmente bem e preparado para a copa.

Você está totalmente recuperado da fratura no osso da face? Terá de jogar de máscara?

Sim, sim. Foi um susto, mas passou. Levarei a máscara comigo e se, por prevenção precisar, usarei sem problemas.

Em 2005, na Rússia, você ficou internado por meses por causa de uma tuberculose. Chegou a imaginar que a doença abreviaria ou atrapalharia sua carreira? Que lembranças traz daquele período?

Passaram as piores coisas pela minha cabeça. Foi um momento de muito sofrimento, mas eu buscava apoio nas pessoas que me amavam e me colocavam para cima. Graças a Deus, tudo aquilo passou.

Ao ser repatriado pelo Fluminense em 2006, você ganhou projeção. Conquistou uma Copa do Brasil e foi vice da Libertadores. Pensa um dia em retornar ao clube?

Penso, sim. Tenho um carinho muito grande pelo Fluminense e pela torcida tricolor. Vivi momentos inesquecíveis no clube e sou muito querido por todos lá. Quem sabe no futuro não pinta uma oportunidade de voltar?

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