Taxistas em Fortaleza chegam a cobrar R$ 300 por corrida até Castelão

Situação fez a prefeitura de Fortaleza e o Sindicato dos Taxistas ligarem sinal de alerta para pegar em flagrante os 'espertinhos'

PAULO FAVERO E SILVIO BARSETTI - enviados especiais a Fortaleza, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2014 | 18h26

Em dias de jogos da Copa em Fortaleza, alguns taxistas estão aproveitando para ganhar mais dinheiro em cima dos turistas e, em vez de ligar o taxímetro do automóvel, acertam previamente valores fechados que são sempre superiores ao que se paga normalmente.

Para se ter uma ideia, uma corrida de táxi da avenida Beira-Mar até o Castelão custa normalmente entre R$ 30 e R$ 40. Mas no dia do jogo do Brasil, na última terça-feira, alguns profissionais estavam pedindo R$ 50 por pessoa. A reportagem presenciou uma família que teria de pagar R$ 200 para ir ao estádio e o taxista ainda queria deixar combinado para ir buscá-los no final da partida por R$ 300.

A situação fez a prefeitura de Fortaleza e o Sindicato dos Taxistas do Estado do Ceará ligar o sinal de alerta para pegar em flagrante os "espertinhos". Estão sendo feitas algumas blitzes na cidade e já teve motorista com o carro apreendido e que será submetido uma investigação.

"Estamos atuando conjuntamente com o Ministério Público e a prefeitura. Há reclamações por parte dos turistas de cobranças abusivas e estamos investigando", diz Vicente de Paula Oliveira, presidente do sindicato.

Ele pede para as pessoas que não tentem combinar um valor antecipadamente com os motoristas. "O pessoal tem mania de fazer isso e dificulta as coisas. Nossa orientação é para que o passageiro exija que o taxímetro seja ligado. Só assim será cobrado o valor correto", explica, lembrando que o problema não ocorre apenas no Ceará, mas em todas as sedes da Copa.

O aumento nas cobranças iniciou no aeroporto, com a chegadas de muitos torcedores para ver os jogos da Copa, e se expandiu para todas as áreas turísticas da capital cearense. "Não concordo com esse tipo de ação da categoria. Quem perceber irregularidades tem de anotar o número da permissão, pois aí saberemos quem cometeu a infração. Até porque o uso do taxímetro é lei", continua Vicente.

Ele mesmo passou por uma situação inusitada, quando um grupo de mexicanos se propôs a pagar R$ 50 por pessoa pela corrida até o estádio. "Mas falei que tinha de usar o taxímetro, só expliquei que era bandeira 2 por causa do feriado na cidade", afirma, lembrando que Fortaleza tem uma frota de 4.392 táxis e que cerca de 85% deles estão envolvidos com os evento do Mundial. "Temos carros novos e corrida mais em conta. Nossa bandeirada só é mais cara que duas capitais brasileiras: Teresina e São Luís", garante.

O taxista Eder Silveira, da Cooprataf, acha que a atitude de alguns motoristas está manchando a imagem da categoria. "Eu sou totalmente contra o que eles estão fazendo. Tem gente que está usando de má fé para se beneficiar. Mas isso não é só com o transporte. A comida aumentou, as diárias de hotel estão mais caras, tudo ficou assim na Copa", lembra.

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