Thiago Silva admite que seleção brasileira ainda sofre com pressão

Zagueiro aponta que é preciso controlar a ansiedade e o nervosismo

Robson Morelli - Enviado especial a Belo Horizonte, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2014 | 15h02

O Brasil não disputa essa Copa com os nervos à flor da pele, mas entra em campo com a emoção nas nuvens, alterada a ponto de alguns jogadores precisarem de mais tempo para relaxar e conseguir entrar no jogo. O capitão Thiago Silva contou nesta sexta episódio que aconteceu com ele na estreia, contra a Croácia, em São Paulo. "Teve uma hora do jogo que perguntei a mim mesmo se havia desaprendido a jogar futebol, tão nervoso e ansioso que estava. Aquele não era eu." Foi pego de surpresa por uma emoção que lhe tomou conta e o impediu de atuar, mesmo em sua segunda Copa do Mundo.

Essa emoção tem se mostrado acentuada nesse time, desde o começo da competição. A ansiedade é tamanha que transborda logo no Hino Nacional, diferente de tudo o que esses jogadores já viveram e que parecem não se acostumar. O zagueiro David Luiz, por exemplo, não canta o hino. Ele grita o hino. As câmeras de TV já mostraram para o Brasil todo as lágrimas de nossos jogadores. Neymar desabou na Arena Corinthians. Chorava como criança. A seleção vai para a quarta partida neste sábado, no Mineirão, e ainda se mostra tão ansiosa quanto na abertura.

Na entrevista desta sexta, por pouco Felipão e Thiago Silva não choraram diante dos jornalistas. O capitão disse que foi emocionante o que ouviu do treinador no vestiário do Itaquerão. "Ele nos emocionou com suas palavras. Por isso, é especial. Vou até parar de falar disso porque sou emotivo e vou chorar na frente de vocês."

Essa emoção é boa porque envolve o torcedor brasileiro, mas também traz alguns prejuízos à equipe. Felipão sabe disso. Sua missão é diminuir a intensidade desse sentimento de modo a não impedir que seus jogadores se expressem numa Copa dentro de casa. Longe disso. Ele busca a cada conversa com os jogadores um meio termo para isso, um equilíbrio que possa deixar os jogadores emocionados sem que as pernas tremam na hora de decidir, como deve ser diante dos chilenos.

"Mesmo tendo experiência, tudo isso mexe com a gente. É normal que a gente sinta e tenha alguma ansiedade antes da partida, principalmente quando começa o mata-mata. Ficamos mais assustados e mais nervosos. Não é por ser no Brasil apenas, mas é porque a cada fase que passa, você tem mais chance chegar à final. E também de ser eliminado", disse Felipão.

O capitão do Brasil admitiu que não é possível se 'desligar' da Copa. "O pensamento é constante. Antes mesmo de a competição começar, o pensamento era nisso tudo aqui. Temos de controlar essa ansiedade e esse nervosismo. O Felipão nos disse coisas que nos emocionou muito. Não tem como não nos emocionar. Não forçamos uma situação." Desde que percebeu essa situação, Felipão tem conversado com os atletas mais sensíveis. Trabalha para deixá-los tranquilos e fazer com que a emoção não diminua o rendimento de cada um deles.

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