Torcedores argentinos festejam Lionel Messi como o 'novo Maradona'

Milhares de fãs da seleção e do jogador acompanharam a partida contra a Nigéria na praça San Martín, na capital Buenos Aires

Ariel Palacios - Correspondente em Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2014 | 15h09

Milhares de torcedores argentinos festejaram nesta quarta-feira na praça San Martín a vitória da seleção sobre a Nigéria. Nessa praça, em pleno centro portenho, onde a prefeitura instalou um mega-telão, os "hinchas" (gíria local para "torcedores") celebraram cada toque de Lionel Messi como se fosse um momento de êxtase. "Messi é nosso novo Maradona", exclamou ao Estado nos primeiros minutos do jogo Federico Muñoz, operário da construção civil. Em tom ufanista, sustentou: "depois de 28 anos de espera vamos chegar na final e conquistaremos a Copa do Mundo!". Muñoz, que tinha sete anos em 1986, última vez que a Argentina venceu uma Copa, afirmou que "Messi tem que ter cuidado para não se machucar nas próximas semanas". 

A poucos metros dali, sob a sombra de uma centenária árvore da Praça San Martín, o garçom Roberto Pizzutti, de 68 anos, admitiu: "não gostava de Messi na Copa de 2010. Ele nada fez na época. Mas agora está conquistando meu coração. Ele joga futebol sem trapacear, ao contrário de Maradona". No entanto, Pizzutti expressou ao Estado ceticismo sobre o desempenho geral do time: "não dá pra cantar vitória. O caminho até a final é longo. O time tem muitos ajustes a fazer e não pode ficar totalmente dependente de Messi". 

O jornal esportivo Olé embarcou no frisson generalizado pelo astro do Barcelona como sucessor de Maradona e estampou a manchete "Messidona". Os analistas esportivos arriscavam-se a fazer suas primeiras considerações sobre uma eventual superioridade de Messi sobre Maradona, assunto que teria sido considerado uma "heresia futebolística" há pouco tempo.

O colunista esportivo Daniel Arcucci sustenta que Messi é como um "solista" de uma sinfônica que ainda não conseguiu que ao redor dele o resto do time o acompanhe como uma "orquestra".

PRÉ-MESSI 

No início do segundo turno, na pizzaria "Continental" do bairro da Recoleta, o aposentado Mario Bonatto, rejeita a ideia de que Messi é um "novo Maradona" e reavalia o conceito, com ironia: "ao contrário, eu diria que o Maradona foi um pré-Messi...".

Na mesa do lado, a bibliotecária Norma Arroyo, acompanhada por seu namorado Nicolás Rosen, assistia o jogo com impaciência. "A seleção está muito molenga. Outro grupo já teria disparado quatro gols nos nigerianos", exclamou ao Estado enquanto mastigava uma empanada de frango. Nicolás bebia calmamente uma cerveja e ponderava com tom de filósofo: "calma, o time ainda está encontrando uma sinergia própria. (O técnico Alejandro) Sabella vai conseguir, meu bem".

AVÔ 

O avô materno de Messi, Antonio Cuccitini, é um declarado fã das habilidades futebolísticas do neto desde que era uma criança na cidade de Rosário na província de Santa Fe. Mas horas antes do jogo contra a Nigéria Cuccitini ressaltou que não aprecia "fanfarronear": "sou sincero. Ele está meio frouxo. Não corre como anos atrás. Na Espanha é elétrico e deixa tontos os 22 jogadores. Mas agora não corre. Não me convence". 

No entanto, o avô de Messi afirmou que possui a esperança de que o neto "melhorará o nível nos próximos jogos". Depois, arrematou com uma metáfora teológica: "não é Deus para estar em todas as jogadas..."

A milhares de quilômetros de Rosário, outro torcedor deixava claro nesta quarta-feira de manhã que estava pendente da seleção. O "hincha" em questão era o papa Francisco, um portenho do bairro de Flores que é fervoroso fã do futebol. Durante uma saudação aos fiéis na Praça de São Pedro, uma pessoa lhe arremessou uma camiseta da seleção argentina que o sumo pontífice pegou no ar, abrindo um amplo sorriso. 

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