Copa do Mundo, só uma grande festa

Nesta sexta se completa um ano da abertura da Copa no Brasil e fica claro que era apenas uma grande festa, pois o Mundial não veio para mudar o transporte público, as cidades ou a realidade do País. É uma certeza que fica e que tem de ser aprendida para os Jogos Olímpicos. Eu não consigo aceitar que a modernização dos aeroportos, por exemplo, tem a ver com a Copa. Isso era necessário com ou sem ela.

Pedro Trengrouse, professor de MBAs FGV, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2015 | 09h39

Um outro ponto é que o futebol brasileiro não aproveitou a Copa para se reestruturar. Tivemos a construção de novas arenas, mas vemos agora que o futebol nacional está com dificuldade de levar público para os estádios. Por outro lado, as federações estão cada vez mais ricas enquanto os clubes cada vez mais pobres.

Acredito que diante desse grande escândalo de corrupção no futebol, o que fica claro é que por trás das entidades esportivas existe uma estrutura ultrapassada. Um choque de democracia, transparência e controle social é fundamental. O sistema precisa mudar. Um dos legados é a certeza que essa estrutura não serve para o século 21. 

Quem precisa comprovar o legado da Copa são os governantes, que têm de provar que suas promessas foram cumpridas. Inclusive, como parâmetro, podemos pensar no caso da Baía de Guanabara. Desde a Eco-92 que prometem a despoluição. Mas até hoje não ocorreu e não será feita para a Olimpíada. O povo brasileiro já devia ter aprendido isso. A gente mora aqui e merece os investimentos no dia a dia. Não é só porque vai ter um evento internacional que precisamos arrumar a casa.

Acho que é possível esperar uma grande festa nos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro, com muitos estrangeiros, mas talvez com menos empolgação em comparação à Copa, porque o futebol é uma paixão nacional. (Pedro Trengrouse, professor de MBAs e FGV)

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