Lucas Figueiredo/CBF
Taça da Copa do Mundo Feminina Lucas Figueiredo/CBF

Copa do Mundo Feminina 2019: transmissão, grupos, tabela e quando o Brasil joga

Torneio que acontece na França terá início no dia 7 de junho e seleção brasileira tenta o primeiro título mundial

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2019 | 16h18
Atualizado 10 de junho de 2019 | 18h36

A Copa do Mundo Feminina tem início no dia 7 de junho e será realizada na França. O técnico da seleção brasileira Vadão convocou 23 jogadoras para a disputa do Mundial e a esperança é que o time brasileiro, apesar da crise vivida, consiga conquistar pela primeira vez o torneio. Confira a tabela do torneio.

A competição será disputada entre 24 seleções, divididas em seis grupos com quatro times cada. O torneio terá início no dia 7 de junho e a decisão, que será realizada em Lyon, acontece no dia 7 de julho, no mesmo dia da decisão da Copa América Masculina

ONDE ASSISTIR A COPA DO MUNDO FEMININA?

No Brasil, quatro canais possuem o direito de transmissão ao vivo da competição. Os jogos serão exibidos na TV aberta pela TV Globo e Bandeirantes. Na TV a cabo, os jogos terão transmissão dos canais SporTV e Band Sports. 

QUAIS SÃO OS GRUPOS DA COPA DO MUNDO?

  • Grupo A: Coreia do Sul, França, Nigéria e Noruega
  • Grupo B: África do Sul, Alemanha, China e Espanha
  • Grupo C: Austrália, Brasil, Itália e Jamaica
  • Grupo D: Argentina, Escócia, Inglaterra e Japão
  • Grupo E: Camarões, Canadá, Holanda e Nova Zelândia
  • Grupo F: Chile, Estados Unidos, Suécia e Tailândia

DATAS DOS JOGOS DO BRASIL

O Brasil estreia no dia 9 de junho, domingo, contra a Jamaica, às 10h30 (horário de Brasília). Na segunda rodada, o time brasileiro enfrenta a Austrália na quinta-feira, dia 13, às 13h (horário de Brasília) e na terceira rodada joga contra a Itália, dia 18, na terça-feira, às 16h (horário de Brasília). 

A SELEÇÃO BRASILEIRA JÁ FOI CAMPEÃ DA COPA DO MUNDO?

Não. O máximo que o time brasileiro conseguiu foi o vice-campeonato em 2007, quando perdeu a decisão para a Alemanha por 2 a 0. Conseguiu também um terceiro lugar em 1999. 

QUEM É A MAIOR ARTILHEIRA DAS COPAS?

A brasileira Marta é quem mais marcou gols na competição. Foram 15, em quatro edições do torneio. Em seguida, aparecem Birgit Prinz (Alemanha) e Abby Wambach (Estados Unidos), com 14 cada. 

LISTA DE CAMPEÕES DA COPA DO MUNDO

  • Estados Unidos - 3
  • Alemanha - 2
  • Noruega e Japão - 1

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Vadão convoca Marta e veteranas para a Copa do Mundo feminina, na França

Em busca de título inédito, equipe estreia no torneio no próximo dia 9, contra a Jamaica

Redação, O Estado de S. Paulo

16 de maio de 2019 | 11h29

O técnico Vadão, da seleção brasileira feminina, convocou nesta quinta-feira as 23 jogadoras que vão defender a equipe na Copa do Mundo feminina, na França, a partir próximo mês. A seleção vai contar principalmente com a experiência de jogadoras como a craque Marta, escolhida seis vezes a melhor do mundo pela Fifa, mais a atacante Cristiane, de 33 anos, e a meia Formiga, de 41 anos.

A convocação foi anunciada na manhã desta quinta durante entrevista coletiva na sede da CBF, na Barra da Tijuca, no Rio. O Brasil vai fazer a preparação para a Copa da França na cidade portuguesa de Portimão, na região do Algarve, sul do país. O período de treinos no local terá início dia 22 e irá até 5 de junho, data da viagem para a cidade francesa de Grenoble, local da estreia.

O Brasil enfrenta na primeira partida da Copa do Mundo feminina a Jamaica, no dia 9. Depois, em Montpellier, no dia 13, a seleção encara a Austrália e por fim fecha a primeira fase contra a Itália, em Valenciennes, no dia 18. Avançam para as oitavas de final as duas primeiras colocadas de cada grupo, além dos quatro terceiros colocados de melhor campanha.

A seleção vem de má fase nos últimos amistosos, ao ter perdido os nove últimos encontros. Além disso, busca na França uma conquista inédita para o futebol nacional. O Brasil jamais ganhou uma Copa do Mundo feminina. O melhor resultado na competição foi o vice-campeonato em 2007, na China, ao perder a final para a Alemanha. Na última edição, em 2015, a seleção foi eliminada nas oitavas de final pela Austrália.

 

Vadão explicou nesta quinta-feira que apesar de contar com o talento de Marta, o desafio será montar uma equipe que não dependa somente da camisa 10. "A Marta ainda é a Marta, mas não podemos jogar tudo nas costas dela, para resolver. A equipe estando bem, tem que ter uma estrutura que possa facilitar a Marta, para ela fazer tudo que sabe, o poder de decisão que ela tem", disse.

As convocadas

Goleiras: Aline, Bárbara e Letícia Isidoro.

Laterais: Fabiana Baiana, Letícia Santos, Tamires e Camila.

Zagueiras: Érika, Kathellen, Mônica e Tayla.

Meio-campistas: Andressinha, Formiga, Adriana e Thaisa.

Atacantes: Bia Zaneratto, Cristiane, Raquel, Debinha, Geyse, Ludmila, Marta e Andressa Alves.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Conheça o perfil das 23 jogadoras que vão defender o Brasil na Copa do Mundo feminina

Elenco embarca para a França em busca do inédito título mundial; estreia será contra a Jamaica, dia 9

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2019 | 13h16

A seleção brasileira feminina está definida para buscar o título inédito da Copa do Mundo. A partir de junho, na França, as 23 jogadores escolhidas pelo técnico Vadão terão a missão de superarem favoritas como as donas da casa, assim como Estados Unidos e Alemanha. O Brasil divulgou nesta quinta-feira a lista de convocadas, que terão como adversárias na primeira fase Jamaica, Austrália e Itália.

Com nove derrotas seguidas nos últimos compromissos, o Brasil vai se preparar para a Copa durante período de treinos em Portugal. Além de contar com a craque Marta, assim como as experientes Formiga e Cristiane, a seleção feminina aposta também em uma série de jogadoras jovens. O Estado montou o perfil das 23 escolhidas para representarem o País na competição:

GOLEIRAS

Aline: Aos 30 anos, ela joga pelo Tenerife, da Espanha, e é titular da seleção brasileira. Paulista da cidade de Aguaí, a goleira de 1m63 resolveu se tornar jogadora profissional ao ver o Brasil em campo no Mundial feminino de 2015, no Canadá. Naquela época, Aline trabalhava em uma universidade americana e deixou o emprego para realizar o sonho de disputar uma Copa.

Bárbara: A pernambucana de Recife tem 31 anos e joga pelo Kindermann (SC). A jogadora foi titular do Brasil na campanha dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, e escolhida a melhor da sua posição no último campeonato brasileiro. Com a seleção brasileira, ganhou duas vez o Pan-Americano e foi prata nos Jogos de Pequim, em 2008.

Letícia Izidoro: Com 24 anos, a carioca é goleira do Corinthians e teve passagem pelo Osasco Audax. Anteriormente, ela representou a seleção brasileira nas campanhas do título do Campeonato Sul-Americano Sub-20 e da Copa América Feminina em 2018.

 

LATERAIS

Fabiana Baiana: Nascida em Salvador, ela é lateral-direita tem 29 anos e disputou três edições de Jogos Olímpicos além das duas últimas Copas do Mundo. A jogadora já atuou no futebol europeu em países como Espanha, Rússia e Suécia.

Letícia Santos: Aos 24 anos, a atleta de Atibaia vai jogar pela primeira vez uma Copa do Mundo. Com passagens pela seleção de base, a lateral direita está há dois anos Sportclub Sand, equipe que disputa a divisão principal do Campeonato Alemão.

Tamires: A mineira de Caeté tem 32 anos e joga pelo Fortuna Hjørring, da Dinamarca. Será a segunda Copa do Mundo da jogadora. A lateral-esquerda teve de abandonar o futebol duas vezes para se dedicar à família. É casada com César, que também é jogador, e é mãe de Bernardo, de nove anos.

Camila: Chamada também de Camilinha, ela tem 24 anos e é companheira de Marta no Orlando Pride, dos Estados Unidos. A jogadora é catarinense da cidade de São Bento do Sul e disputou os Jogos do Rio, em 2016.

ZAGUEIRAS

Érika: Aos 31 anos, a defensora é paulistana e veterana em convocações da seleção. A zagueira jogou a Copa do Mundo de 2011 e participou das três últimas Olimpíadas. Érika jogou em clubes do exterior, o último deles o Paris Saint-Germain, da França, mas decidiu atuar pelo Corinthians por ser torcedora do time.

Kathellen: Natural de São Vicente, no litoral de São Paulo, ela tem 23 anos e começou no futsal. Ainda na adolescência, teve destaque em competições e ganhou bolsa para estudar e jogar nos Estados Unidos. No ano passado ela se transferiu para o Bordeaux, da França.

Mônica: Gaúcha de Porto Alegre, tem 32 anos e defende o Corinthians. A defensora foi convocada pela seleção brasileira pela primeira vez em 2006 e tem passagens pelo Atlético de Madrid, da Espanha, e pelo Orlando Pride, dos Estados Unidos.

Tayla: A defensora de 27 anos é de Mongaguá (SP) e começou a carreira no Santos. Convocada para a última Copa do Mundo, em 2015, ela se transferiu neste ano para o Benfica, de Portugal.

 

MEIAS

Andressinha: A gaúcha da pequena cidade de Roque Gonzales tem o drible como uma das suas principais características. A meia de 24 anos defende o Portland Thorns, dos Estados Unidos. Antes disso jogou em times do Sul do Brasil e participou também da última Copa do Mundo.

Formiga: A baiana de Salvador tem 41 anos e muita experiência em Copas do Mundo. Será a sexta participação dela no torneio. Atualmente no Paris Saint-Germain, da França, a jogadora é a única da história do futebol feminino a ter participado de todos os torneios olímpicos da modalidade, que estreou no programa dos Jogos a partir de 1996, em Atlanta.

Adriana: Piauiense de União, ela tem 23 anos e vive grande fase no Corinthians. A meia foi eleita no ano passado a melhor jogadora do Campeonato Brasileiro feminino, ao marcar 14 gols na campanha vitoriosa do time.

Thaisa: Aos 30 anos e com participação na última Copa, ela atua pelo Milan, time italiano que montou uma equipe feminina recentemente. Thaisa nasceu em Xambrê, no Paraná, e já jogou por equipes de vários países, como Suécia, Islândia e Estados Unidos. 

 

ATACANTES

Bia Zaneratto: A paulista de Araraquara tem 25 anos e superou uma sequência de lesões para estar apta a disputar a Copa do Mundo feminina, que será a terceira da carreira dela. A autora de três gols nos Jogos do Rio defende atualmente o Red Angels, da Coreia do Sul.

Cristiane: A atacante de 33 anos vai para a sua quinta Copa do Mundo. Natural de Osasco e principal reforço do time feminino do São Paulo, ela tem experiência internacional e um currículo de muitos gols. Cristiane é a maior artilheira da história dos torneios olímpicos de futebol, com 14 gols marcados.

Raquel: Baixinha e veloz, ela tem 1m60 e joga no Huelva, da Espanha. Após deixar a cidade natal de Contagem (MG), passou por diversos times brasileiros e atuou também na China. Raquel está com 28 anos e disputou também a última Copa do Mundo, em 2015.

Debinha: A mineira de Brazópolis tem 27 anos e começou a jogar futebol na rua, junto com meninos. Aos poucos, ela se destacou e seguiu carreira profissional por times brasileiros, mas desde 2016 se mudou para o exterior. Após jogar na China, ela está desde 2017 no North Carolina Courage, dos Estados Unidos.

Geyse: Ela é conterrânea de Marta, ao ter nascido também em Alagoas. Aos 21 anos, a jogadora do Benfica vai disputar pela primeira vez uma Copa do Mundo e tem no currículo as passagens por equipes de base da seleção brasileira.

Andressa Alves: A camisa 10 do Barcelona, da Espanha, tem 26 anos e é paulistana. Uma das grandes estrelas da seleção brasileira está fora do Brasil desde 2015 e já passou pelos Estados Unidos e França. Será a segunda Copa do Mundo da jogadora.

Ludmila: Nascida em Guarulhos, ela tem 24 anos e joga no Atlético de Madrid, da Espanha. Antes disso, passou por equipes do futebol paulista e nos tempos de escola, praticou atletismo, já que tem como um dos pontos fortes a velocidade.

Marta: A grande craque da seleção brasileira tem 33 anos e carrega no currículo os seis prêmios individuais de melhor jogadora do mundo, entregue pela Fifa. A jogadora está no Orlando Pride, dos Estados Unidos, e disputou outras quatro Copas do Mundo anteriormente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Formiga deve quebrar recorde com sétima participação em Copa do Mundo

Convocada, meia de 41 anos entra para a história do futebol e se torna, contando homens e mulheres, como a atleta que mais vezes disputou um Mundial

Andrew Downie, Reuters

16 de maio de 2019 | 16h12

Meio-campista de 41 anos, convocada para a seleção brasileiraFormiga vai se tornar a primeira jogadora, entre mulheres e homens, a participar de sete edições da Copa do Mundo, após convocação para o torneio feminino da França nesta quinta-feira.

A jogadora do Paris St Germain atualmente divide o recorde de participações em seis Copas do Mundo com Homare Sawa, que levou a equipe feminina do Japão ao título no campeonato de 2011.

No torneio masculino, três jogadores disputaram cinco Copas -- os mexicanos Rafael Márquez e António Carbajal e o alemão Lothar Matthaeus. Se Formiga entrar em campo na França, será a mulher mais velha a jogar em uma Copa do Mundo.

O time feminino do Brasil é composto por outros rostos conhecidos além de Formiga, incluindo Marta, a vencedora de seis Bolas de Ouro. Marta é uma das maiores artilheiras da Copa do Mundo, com 15 gols.

Campeão da Copa América, o Brasil compõe o grupo C ao lado da Jamaica, da Itália e da China. A Copa do Mundo começa dia 07 de junho. Embora esteja presente em todas as sete edições da Copa do Mundo feminina, a equipe brasileira ainda não levantou o troféu mais desejado, tendo o vice-campeonato de 2007 na China como seu melhor resultado.

As jogadoras brasileiras chegam à França com uma campanha marcada por nove derrotas, o pior resultado da história da equipe. O Brasil ocupa o décimo lugar na lista mundial, sua colocação mais baixa desde a fundação do ranking. (Reportagem de Andrew Downie)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Vadão exalta individualidades e minimiza série negativa: 'Presente é o que vale'

Equipe nacional vem de sequência de nove derrotas consecutivas nos últimos nove jogos

Redação, Estadão Conteudo

16 de maio de 2019 | 14h34

Depois de anunciar a lista de convocadas da seleção brasileira feminina para o Mundial que será realizado entre 7 de junho e 7 de julho, na França, o técnico Oswaldo Alvarez, o Vadão, fez questão de ressaltar nesta quinta-feira, na sede da CBF, no Rio, que a péssima sequência de nove derrotas consecutivas nos últimos nove jogos da equipe nacional não tira a sua confiança para a competição.

O treinador destacou que o "otimismo está na cabeça de cada um de nós, de cada uma das meninas" e garantiu que o Brasil tem uma "expectativa altamente positiva" para o torneio. E embora a sua equipe tenha sofrido várias críticas pela sua maneira de jogar nesta série de derrotas que sofreu, ele deixou claro que aposta nas individualidades para as brasileiras triunfarem em solo francês.

"Temos atletas de qualidade ímpar. Hoje se fala muito de plano tático, que é imprescindível. Temos atletas que podem resolver problemas com jogadas individuais, coisa que pouca gente tem, mas temos esse privilégio", disse Vadão, em entrevista coletiva, na qual depois enfatizou: "Estamos otimistas de fazer uma grande campanha e buscar esse almejado título mundial. Saímos mais preparados. Os amistosos estão no passado, o presente é o que vale".

Mesmo com o grande número de derrotas que acumulou à frente da seleção neste período final de preparação para o Mundial, Vadão também assegurou que tem o respaldo da CBF para continuar realizando o seu trabalho como técnico do time feminino do Brasil.

"A diretoria me passou essa confiança. Essa gestão da CBF está fazendo totalmente diferente das outras (da própria entidade): o Tite foi mantido no masculino, coisa que não acontecia, e eu fui mantido depois dos resultados negativos, tive a confiança do presidente (Rogério Caboclo)", disse o comandante, que procurou valorizar todo o seu histórico desta sua segunda passagem como técnico da seleção feminina, iniciada em 2017 - a primeira ocorreu entre 2014 e 2016.

"É uma questão de confiança, tive um período negativo. Ganhamos torneios internacionais, o Pan-Americano. E tivemos vários jogos importantes que vencemos. Atravessamos um momento difícil, e a diretoria entendeu que o saldo era mais positivo (do que negativo). Tenho experiência para lidar com isso. A minha tranquilidade, que as jogadoras sentem, é a confiança que depositaram em mim", completou.

MARTA

Já ao comentar sobre Marta, que voltou a ser eleita pela Fifa como a melhor jogadora do mundo na última edição da premiação da entidade, Vadão minimizou o fato de a estrela já estar com 33 anos e não possuir mais todo aquele vigor físico que ajudou a consagrá-la em outras ocasiões.

"Não tem idade tão avançada que não possa desequilibrar na Copa do Mundo. Mas tudo depende da equipe. Assisti no sábado ao jogo do Orlando (clube de Marta), que perdeu em casa, e as jogadoras da seleção não jogaram, treinando para a Copa do Mundo. Mas, mesmo assim, a Marta foi o grande destaque do Orlando, mesmo com dificuldade, todas as vezes que ela pegava na bola, criava uma situação interessante", disse o treinador, que ao mesmo tempo enfatizou que a estrela não pode carregar sozinha em campo a responsabilidade de conduzir o Brasil ao sucesso no Mundial.

"A Marta ainda é a Marta, mas não podemos jogar tudo nas costas dela, para resolver. A equipe, estando bem, tem de ter uma estrutura que possa facilitar a Marta, para ela fazer tudo o que sabe, o poder de decisão que ela tem", reforçou.

O Brasil fará a sua estreia no Mundial no dia 9 de junho, contra a Jamaica, em Grenoble, pela primeira rodada do Grupo C. Em seguida, no dia 13, a equipe nacional terá pela frente a Austrália, em Montpellier, antes de fechar a sua campanha na fase inicial contra a Itália, no dia 18, em Valenciennes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

'Tem pouco tempo e precisamos nos ajustar até a Copa', diz Andressa Alves

Uma das principais atletas do Brasil, atacante analisa expectativas para o Mundial da França e má fase da seleção

Entrevista com

Andressa Alves, atacante da seleção brasileira e do Barcelona

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2019 | 04h30

Camisa dez do Barcelona, um dos principais times do mundo no futebol feminino, Andressa Alves é uma das esperanças do Brasil na Copa do Mundo, que será disputada de 7 de junho a 7 de julho na França – a seleção brasileira foi vice-campeã em 2007, na China, e ficou com a terceira colocação em 1999, no Mundial disputado nos Estados Unidos.

No último mundial, disputado em 2015 no Canadá, a seleção brasileira foi eliminada ao perder por 1 a 0 para a Austrália, nas oitavas de final da competição.

Aos 26 anos, Andressa quer ajudar a seleção brasileira a se reerguer após uma sequência muito ruim de derrotas (a equipe perdeu as últimas nove partidas que disputou, quatro em 2018 e outras cinco neste ano) que deixaram o time e a comissão técnica sob intensa pressão. Nesta entrevista ao Estado, ela fala sobre a importância da competição e como está a sua vida na Europa.

 

Qual a expectativa para a disputa do Mundial?

Disputar o Mundial é o sonho de qualquer jogadora. Trabalhamos muito nos clubes para ter a oportunidade de ser convocada e jogar a Copa, e agora estou muito ansiosa para poder jogar. 

A seleção vem de resultados negativos. O quanto isso pesa neste momento?

Os resultados realmente foram ruins e agora é trabalhar para melhorar até a Copa do Mundo. Temos pouco tempo e precisamos deixar tudo ajustado até lá. 

Você é um grande talento da seleção e tem o suporte de atletas experientes como Marta, Cristiane e Formiga. Isso te dá mais tranquilidade para mostrar seu futebol?

Com certeza ter o apoio delas é fundamental, elas são exemplos do futebol feminino mundial. É um orgulho poder jogar ao lado delas. 

Como é atuar no Barcelona?

Ser a primeira brasileira a jogar aqui foi uma realização. Estou muito feliz por tudo que vem acontecendo na minha vida e só tenho a agradecer a Deus por tudo. 

Você tem contato com os jogadores do time masculino? Já conversou com o Messi?

Já conversei algumas vezes. Temos evento do clube que o masculino e o feminino fazem juntos, e é uma sensação muito boa. Todo mundo quer conversar com Messi ou tirar aquela foto com ele.

Como é sua vida na Espanha?

A vida aqui é muito boa. A cidade de Barcelona é sensacional, tem muitos lugares para sair e vários restaurantes brasileiros. Eu me adaptei muito bem à cidade.

Você teve apoio de sua família para jogar futebol, o que não é tão comum com as meninas. Como foi isso?

Para mim foi maravilhoso ter o apoio deles porque era meu sonho e você ter um suporte da sua família ajuda a não desanimar. Infelizmente não é assim para todas as meninas, mas se puder falar alguma coisa para essas meninas é que não desistam nunca dos seus sonhos e que vale a pena lutar por aquilo que você ama. 

E quando você convivia com garotas que não tinham esse apoio em casa, como lidava com isso?

É complicado porque não tem muito o que você fazer, a não ser ajudar ali todo dia com apoio e motivação.

O futebol feminino ainda não engrenou no Brasil, apesar do talento das jogadoras daqui. Acha que chegou o momento de deslanchar?

Acredito que para deslanchar precisa de mais investimento e apoio, mas melhorou muito desde que eu comecei a jogar em 2009. 

O Mundial será transmitido ao vivo para o Brasil e os jogos da seleção estarão na TV aberta. Isso causa uma ansiedade para a disputa, pois muita gente poderá ver vocês em ação?

Com certeza terá muita ansiedade, e responsabilidade também. Você representa todas as meninas que infelizmente não terão a chance de disputar um Mundial. É uma coisa muito grande e precisamos estar preparadas da melhor maneira pra fazer bonito na Copa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Pioneiras no futebol feminino do Brasil recordam preconceito e falta de apoio

O esporte no País chegou a ser proibido em 1941 por ser uma 'prática de desportos incompatíveis com a natureza feminina'

EFE, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2019 | 11h28

As jogadoras que integraram a primeira seleção brasileira feminina de futebol tiveram que superar barreiras como a discriminação e a total falta de apoio, o que foi compensado com muita garra e amor ao esporte e à camisa.

"No começo, era muito difícil. Para chegar aonde chegamos, tivemos que enfrentar preconceitos e até nossos pais, que não queriam que mulheres jogassem futebol", disse à Agência Efe a ex-zagueira Marisa, primeira capitã da seleção.

A ex-jogadora, de 52 anos, relatou que, no começo, as jogadoras brasileiras não recebiam salário, apenas uma pequena ajuda de custo. "Nossos pais tiravam do próprio bolso para pagar a passagem de ida, mas não havia dinheiro para a volta", contou.

Outra que falou sobre o preconceito que cercava a modalidade foi Rosilane Camargo, a Fanta. Ela afirmou ter ouvido vários "nãos" durante a carreira. "A mulher não tinha espaço dentro do futebol. Tudo era negado para nós, era sempre proibido. Conseguimos, através do nosso amor pelo futebol, aos poucos, abrir espaço para a nossa modalidade", afirmou a ex-lateral, que integrou a primeira seleção feminina convocada pelo Brasil, em 1988.

Segundo a ex-jogadora, também de 52 anos, na época o simples fato de jogarem futebol já era mal visto.

"Hoje não há tanto (preconceito) quanto antes, como na época das pioneiras, mas ainda existe. Muito pouco, mas existe. Há muitos homens que não conseguem aceitar que há mulheres que jogam melhor do que eles", opinou.

O futebol feminino foi proibido no Brasil em 1941 por um decreto do então presidente, Getúlio Vargas, que vetou às mulheres "a prática de desportos incompatíveis com a natureza feminina".

O decreto só foi revogado em 1979. Pouco depois, alguns clubes no Rio de Janeiro e em São Paulo começaram a montar equipes femininas para torneios amadores, entre as quais se destacou o Radar, um dos mais bem-sucedidos da época.

O clube, cuja sede fica no bairro de Copacabana, na zona sul do Rio, conquistou o Campeonato Carioca e a Taça Brasil de Futebol Feminino de 1982 a 1988 e foi a base para representar o país em um torneio expermimental na China.

A seleção brasileira feminina, pela qual hoje brilha Marta, eleita seis vezes pela Fifa a melhor jogadora do mundo, estreou em 1º de junho de 1988 com derrota para a Austrália por 1 a 0, mas voltou para casa com a medalha de bronze da competição realizada em território chinês.

"Comecei a jogar em uma época em que tínhamos muitas dificuldades e não tínhamos o sonho de ser jogadora de futebol. Jogávamos por prazer e muito amor", declarou a ex-meia Leda Maria, que integrou a seleção que disputou o Mundial da Suécia, em 1995, e participou da estreia do futebol feminino nos Jogos Olímpicos, no ano seguinte, em Atlanta.

"Apenas depois da primeira participação do Brasil em Jogos Olímpicos conseguimos viver do futebol. Tivemos um campeonato mais organizado em 1997. A partir daí, as coisas começaram a melhorar, e a nova geração pôde viver de futebol", completou Leda Maria, que hoje é comentarista de televisão.

Apesar das dificuldades, as pioneiras garantem que no começo, os jogos de futebol feminino atraíam mais espectadores. "Não entendo por que nessa época todos os clubes tinham futebol feminino, não só os grandes, e havia apoio dentro dos estádios. Embora houvesse preconceito, havia um apoio grande da torcida para o futebol feminino, era diferente. Hoje em dia, o futebol feminino tem estrutura, mas não se vê tantas pessoas apoiando o futebol feminino nos estádios", constatou Fanta.

"Havia muita dificuldade, e não tínhamos estrutura, mas tínhamos muito amor, muita raça, muito carinho pelo país, pela camisa. Para nós, a diversão era estar lá, representar (o país) sem valor financeiro algum, mas deixando o futebol feminino em evidência, algo que não vemos nas novas gerações", completou, em tom crítico.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Premiação da Copa do Mundo Feminina dobra, mas ainda está a 'anos-luz' dos homens

Competição que começa hoje pagará prêmio duas vezes maior que a anterior, mas 13 vezes menor que o da Copa da Rússia

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2019 | 04h31

Começa nesta sexta-feira a oitava edição da Copa do Mundo Feminina, na França, com grandes possibilidades de ser uma edição histórica, em que as mulheres mais terão visibilidade e respeito. A Fifa decidiu valorizar e aumentou consideravelmente a premiação para as seleções participantes, mas as cifras ainda são bem distantes quando comparamos as duas categorias. Saiba mais detalhes do Mundial Feminino.

Por isso, o "ato nobre" por parte dos dirigentes da entidade que regue o futebol mundial foi criticado por quem defende o futebol feminino. A Fifa anunciou um aumento de 100% no valor da premiação para as 24 seleções participantes da Copa do Mundo. Passou de US$ 15 milhões (R$ 58,8 milhões) para US$ 30 milhões (R$ 117,7 milhões). Dobrar uma premiação é sempre algo muito valoroso, mas quando se compara ao que a mesma Fifa paga para os homens, a diferença continua gigantesca. 

No Mundial da Rússia, ano passado, o valor total de premiação para as seleções foi de US$ 400 milhões (R$ 1,5 bilhão), um valor 13 vezes maior em comparação as mulheres. A França recebeu US$ 38 milhões (R$ 149 milhões) pelo título. Ou seja, só ela ganhou mais que o valor total que será pago no Mundial feminino. A campeã da Copa que se inicia nesta sexta ganhar US$ 4 milhões (R$ 15,7 milhões).

A FIFPro, sindicato que representa os atletas de futebol, destacou a vontade da Fifa de querer minimizar as diferenças, mas também criticou a distância de valores. “O futebol continua ainda mais longe da meta de igualdade para todos os jogadores da Copa do Mundo, independentemente do sexo. Na realidade, as mudanças significam, na verdade, um aumento na diferença entre prêmios em dinheiro de homens e mulheres. Essa tendência regressiva parece contrariar o compromisso estatutário da Fifa com a igualdade de gênero" disse o sindicato, através de uma nota divulgada para a imprensa. 

A Copa do Mundo Feminina terá seis patrocinadores exclusivos do torneio. Orange, Arkema, EDF, Proman, Crédit Agricole e a SNCF. Elas se juntam as empresas que já patrocinam a Fifa em todos os torneios da entidade, casos da Adidas, Qatar Airways, Visa, Wanda, Hyundai-Kia e Coca-Cola. 

O fato é que as grandes empresas têm olhado com mais atenção para o futebol feminino. A Nike, por exemplo, acertou patrocínio para todas as competições entre mulheres organizadas pela UEFA e a Adidas informou que os premiados do Mundial feminino receberão o mesmo valor que os da Copa masculina. 

A Fifa iniciou neste ano uma campanha com o objetivo de desenvolver o crescimento do futebol feminino em todo o mundo. Há uma ideia de criar um grande campeonato mundial de clubes, mas assim como acontece na versão masculina, ainda existe muita resistência por parte de algumas federações.

No Brasil, também cresce o número de empresas que estão investindo no futebol feminino, mas a evolução é em passos lentos. Os canais de televisão darão um espaço nunca visto em outras edições do Mundial. A TV Globo e a Bandeirantes vão passar na TV aberta os jogos da seleção brasileira, enquanto o canal fechado SporTV passará todos os jogos da competição. Para se ter uma ideia, na edição passada, apenas a TV Brasil e o SporTV transmitiram as partidas e somente do time brasileiro. 

A confiança em ver o futebol feminino ganhando mais espaço no Brasil se contrasta com a má fase da seleção brasileira comandada por Vadão. O time perdeu nove dos últimos dez jogos que disputou - Estados Unidos (duas vezes), Canadá, Inglaterra (duas vezes), França, Japão, Espanha e Escócia. A última vitória foi diante do Canadá, 1 x 0, no dia 4 de setembro do ano passado. 

Para o Brasil, além da competição poder representar um marco na visibilidade do futebol feminino, também deve significar a despedida de grandes nomes do Esporte da seleção brasileira. Marta, eleita por seis vezes a melhor jogadora do mundo - inclusive é a dona do prêmio na atualidade - tem 33 anos e dá deu indícios de que seu ciclo na seleção está perto do fim. O mesmo acontece com a atacante Cristiane, que também figura entre as melhores do mundo nos últimos anos e, com 34 anos, deverá se despedir do time nacional após o Mundial. Formiga, de 41 anos, é outra da lista que abrirá espaço para as atletas mais jovens. 

O Brasil estreia na competição no dia 9 de junho, domingo, contra a Jamaica. O time de Vadão está no Grupo C, e além das jamaicanas, irá enfrentar a Austrália e a Itália na primeira fase. A seleção brasileira tenta seu primeiro Mundial. O máximo que conseguiu anteriormente foi um vice-campeonato em 2007, quando perdeu a decisão para a Alemanha. 

Os Estados Unidos são os maiores vencedores do Mundial, com três conquistas, seguidos por Alemanha (2) e Noruega e Japão (um título cada).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.