Mikhail Klimentyev, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP
Mikhail Klimentyev, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP

Copa do Mundo mais cara da história salva a Rússia da estagnação econômica

Governo estima que o torneio poderá injetar mais de US$ 14,2 bilhões (R$ 52 bilhões) no país

Jamil Chade, Estadão Conteúdo

08 Junho 2018 | 17h42

Depois de 12 ajustes para cima no orçamento oficial, a Copa do Mundo da Rússia praticamente salvou a economia local de uma estagnação. Mas seus efeitos podem não ser duradouros. O governo estima que o torneio poderá injetar mais de US$ 14,2 bilhões (R$ 52 bilhões) na economia local. Em termos de gastos, o total passa a marca de US$ 11 bilhões (R$ 40,7 bilhões), acima do que se gastou no Brasil em 2014 e se estabelecendo definitivamente como o Mundial mais caro da história.

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Avaliações apresentadas nesta sexta-feira em Moscou por integrantes do governo russo indicam que o torneio significaria 1% do PIB do país em termos de investimentos nos últimos cinco anos. Depois de uma profunda recessão por conta dos embargos econômicos e da queda do preço do petróleo, a economia russa caminha para uma recuperação.

Mas, na avaliação do FMI, ela não seria de mais de 1,5%, abaixo da meta de 2% estabelecida por Vladimir Putin, presidente russo. Para o governo, sem a Copa do Mundo nem mesmo essa taxa teria sido obtida.

Oficialmente, US$ 3,5 bilhões foram destinados apenas aos estádios, alguns dos mais caros do mundo. Mas o governo de Vladimir Putin também usou o evento para justificar gastos de US$ 6,1 bilhões em transporte e infraestrutura. Outros US$ 680 milhões foram destinados para obras em hotéis.

 

Em 2014, o Brasil destinou R$ 25 bilhões, o que na época ficou próximo de US$ 8 bilhões. Corrigido pela inflação, o País teria destinado R$ 31 bilhões.

Em um levantamento feito pelo Estado há quatro anos, de cada nove dólares gastos no Brasil no Mundial, oito vieram de diversas fontes públicas, seja por empréstimos ou investimentos diretos. Na Rússia, uma vez mais o dinheiro público tem garantido a realização do Mundial, com o governo federal bancando 50% de todos os custos.

Enquanto analistas se dividem sobre o impacto que esses gastos terão para a economia local, o mercado financeiro estima que a entrada de capital estrangeiro por conta da chegada de turistas e imprensa ajudará a segurar o rublo diante do dólar.

O Kremlin garante que o Mundial ainda terá um amplo impacto nas contas correntes do país. Mas, de acordo com os dados de vendas de entradas, os russos receberão apenas metade dos torcedores estrangeiros que foram ao Brasil.

Em uma mensagem enviada nesta sexta-feira, Vladimir Putin, presidente russo, insistiu que fez "tudo o que estava em suas mãos" para que o mundo fosse "bem recebido na Rússia". Um dia antes, em uma entrevista à televisão russa, ele admitiu que o país "gastou muito dinheiro".

 

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