Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Copa do Mundo só beneficiará clubes donos de estádios, diz presidente do Atlético-MG

Alexandre Kalil questiona o legado e afirma que o Brasil valoriza demais a realização do evento de 30 dias

Agência Estado

25 de fevereiro de 2014 | 10h57

RIO - O presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, questionou o legado da Copa do Mundo e disse que o Brasil está valorizando demais a realização do evento de um mês. Para o dirigente, que vai receber a seleção da Argentina nas dependências do clube durante o Mundial, a competição só vai beneficiar os três clubes que estão cedendo seus estádios para os jogos.

"Os únicos que ganharam com a Copa do Mundo foram o Atlético-PR, o Corinthians e o Internacional. Todos por causa dos estádios. Os outros 17 clubes da Série A vão chupar dedo. Quando o mês de julho chegar ao fim, acabou a brincadeira. Aí eu quero ver quem vai encher a barriga dos banqueiros e empreiteiros", criticou Kalil, em entrevista à Sportv.

Kalil se referia à ajuda do governo, por meio de empréstimos do BNDES, para reforma e construção das arenas dos três clubes. Nas últimas semanas, as três esferas do governo precisaram se unir para ajudar o Atlético-PR a finalizar as obra da Arena da Baixada, estádio que só ficará pronto a menos de um mês do início da competição da Fifa.

O presidente também criticou a escolha de sedes, como a de Cuiabá, para receber jogos do Mundial. "Adoro Cuiabá, morei em Lucas do Rio Verde, mas lá [Mato Grosso] não pode ter estádio construído ao preço de R$ 1 bilhão para receber ópera depois da Copa", afirmou.

SEM ILUSÕES

Kalil disse ainda que os brasileiros valorizaram demais a Copa, mas agora estão preocupados com a segurança durante a realização do grande evento. "Era para todo mundo estar empolgado com a Copa, mas o que temos é um terror. O resultado é que ninguém hoje quer sair de casa por ter jogo de Copa do Mundo."

"Eu nunca tive a ilusão de a Copa do Mundo melhorar o futebol brasileiro. Disse um tempo atrás que estávamos valorizando demais a Copa do Mundo, que dura apenas um mês. O Brasil enriqueceu, o poder aquisitivo aumentou, mas é ilusão achar que vamos encher o Mineirão, por exemplo, em competições pouco interessantes com preços de ingressos a R$ 80", disse.

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