Copa dos Campeões não emplaca no NE

Fracasso de bilheteria em praticamente todos as partidas disputadas, jogadores reclamando das condições precárias dos campos de treinamento, mudanças na tabela para atender o desejo da TV e um calor acima do normal. A Copa dos Campeões de 2002, que garante ao campeão uma vaga na Taça Libertadores da América do ano que vem, ainda não engrenou. Nem mesmo potências populares da região Norte/Nordeste do país, como Flamengo, Vasco e Corinthians, conseguiram sensibilizar o público de Teresina, Natal e Fortaleza. A exceção foi Belém, onde a torcida do Paysandu gerou uma média de 25 mil pessoas por partida.A CBF não confirma, mas em 2003 a competição pode ser disputada na região Centro-Oeste do país pela primeira vez. "Cumprimos rigorosamente a tabela. A Copa havia sido programada para durar até 32 dias pelo fato de São Caetano e Grêmio estarem disputando simultaneamente a Libertadores", justifica Fábio Paes de Barros, coordenador, na sede de Teresina, da Sport Promotion, empresa contratada pela Rede Globo para organizar o torneio.A própria Globo, detentora dos direitos de transmissão da competição, vem colhendo prejuízos. A emissora tem direito sobre a bilheteria dos jogos, mas os estádios vivem vazios. A última rodada da primeira fase da sede de Teresina, realizada domingo passado, atraiu pouco mais de 6 mil pessoas para acompanhar Bahia e Vasco e Palmeiras e Atlético Mineiro.No mesmo dia, mais de 100 mil pessoas brincaram na Micarina, o carnaval fora de época da cidade. O São Paulo jogou na primeira rodada da chave de Natal contra o Vitória para dois mil torcedores. "Imagina se a competição estivesse sendo realizada no eixo Rio-São Paulo. O público seria ainda menor", consola-se Antônio Padilha, coordenador da sede de Belém.Correria - Adaptações de última hora na tabela irritaram jogadores de vários times, principalmente do Palmeiras, que passaram uma semana em Teresina treinando sob um calor de quase 40 graus para a partida contra o Fluminense programada para domingo. "A Globo exigiu o jogo no final de semana", explica Fábio Paes de Barros. "Se colocássemos as quatro partidas das quartas-de-final no mesmo dia, estaríamos queimando o produto".O valor da premiação oferecida pela CBF aos times que disputam a competição é guardado como segredo de estado. Mas a Agência Estado apurou que cada um dos 16 clubes participantes recebeu R$ 200 mil pela participação na primeira fase. Nas quartas-de-final e nas semifinais, o prêmio para quem se classificar será de R$ 100 mil por fase.O clube campeão receberá mais um cheque de R$ 400 mil, o dobro do que caberá ao vice. "Estamos disputando um campeonato que vale apenas pela questão esportiva. Não estamos tendo receita, gastamos tudo o que recebemos", queixa-se Sebastião Lapolla, diretor de Futebol do Palmeiras. A organização da competição cobre as despesas de apenas 25 pessoas por delegação, incluindo jogadores, comissão técnica e pessoal de apoio.O torcedor da poltrona também não parece estar muito empolgado com a competição. De acordo com dados fornecidos pelo Ibope, a Rede Globo teve menos audiência do que o SBT em dois dos três jogos do Corinthians que transmitiu. A partida do time paulista contra o Náutico, no dia 7 de janeiro, teve uma média de 20 pontos, contra 26 do SBT no horário.Corinthians e Fluminense, domingo passado, teve uma média de 20 pontos, contra 23 da emissora de Sílvio Santos. A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Rede Globo para que indicasse um executivo para tratar do assunto. A emissora limitou-se a emitir um comunicado informando ser normal o pequeno comparecimento de público no início de todas competições, ressaltando que a tendência indica o aumento do número de torcedores nos estádios conforme os campeonatos vão se afunilando.

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