Lyle Stattford/Reuters
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Copa já teve 2,7 mil testes de doping e nenhum caso positivo, diz a Fifa

Entidade rejeita suspeitas sobre seleção russa e afirma que todos os jogadores foram testados ao menos uma vez

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2018 | 08h49

A Fifa informou em entrevista coletiva nesta sexta-feira que realizou 2,7 mil testes de doping na Copa do Mundo de 2018 e nenhum caso positivo foi detectado. "Todos os atletas foram testados pelo menos uma vez", disse Colin Smith, diretor de Competições da entidade máxima do futebol.

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Alexey Sorokin, CEO da Copa, também fez questão de destacar que sua seleção russa tem sido alvo de testes. "Nossos jogadores foram repetidamente testados. E os resultados são claros", disse. Para ele, a classificação da seleção para as oitavas de final não é uma surpresa. "Eles se prepararam por meses", justificou.

Alexey Sorokin, CEO da Copa, também fez questão de destacar que sua seleção russa tem sido alvo de testes. "Nossos jogadores foram repetidamente testados. E os resultados são claros", disse. Para ele, a classificação da seleção para as oitavas de final não é uma surpresa. "Eles se prepararam por meses", justificou.

Apesar das declarações, paira a desconfiança sobre o desempenho dos russos, apontados como surpreendentemente velozes. Na semana passada, um jornal inglês revelou que a Fifa sabia e abafou casos de doping na elite do futebol russo. As revelações foram publicadas pelo jornal britânico "The Mail on Sunday", com base em investigações realizadas pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês).

De acordo com a reportagem, o ministério dos Esportes da Rússia encobriu um teste positivo de um dos jogadores inicialmente convocados para a seleção que disputa a Copa do Mundo, Ruslan Kambolov.

No total, 155 casos de doping no futebol russo teriam sido revelados. Desses, 34 casos foram investigados e teriam chegado até a Fifa. A entidade insiste que, por mais de um ano, avaliou essas informações. Mas não abriu qualquer tipo de processo. Um mês antes da Copa, a entidade ainda declarou que considerava que as informações que dispunha eram "insuficientes" para concluir se houve ou não um doping no futebol russo.

 

Ruslan Kambolov, em 2015, foi selecionado para passar por exames antidoping, enquanto jogava pelo Rubin Kazan. Seu teste deu positivo, levando o ministério dos Esportes a procurar o chefe dos laboratórios, Grigory Rodchenkov, para pedir orientação. Rodchenkov foi quem denunciou o esquema de doping russo nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, e que levou o esporte olímpico russo a ser parcialmente banido dos Jogos do Rio-2016.

Um dia depois da revelação do doping, um agente do ministério dos Esportes foi flagrado indicando que o teste estava "salvo", numa referência sobre a necessidade de encobrir o resultado.

O passo seguinte, seis dias depois, foi o envolvimento do FSB - o serviço de inteligência da Rússia - para trocar a amostra de urina do jogador. Naquele momento, a Rússia mantinha um estoque de dez mil amostras de urinas "limpas", que poderiam ser trocadas por amostras de urina de atletas dopados.

Os dados estão nas agendas de Rodchenkov, apontando para o envolvimento do espião Evgeny Blokhin, o mesmo que também operou nos laboratórios de Sochi. A Fifa rejeitou a acusação e disse que fez todas as investigações possíveis sobre os envolvidos na Copa do Mundo.

 

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