Jose Patricio/Estadão
Jose Patricio/Estadão

'Copa no Brasil será como jogar em casa', diz técnico do Japão

Para o técnico do Japão, o forte apoio da torcida que a sua seleção terá durante o Mundial poderá ser decisivo

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2014 | 07h00

SÃO PAULO - A boa impressão deixada na Copa das Confederações do ano passado, apesar da eliminação na primeira fase, e 1,5 milhão de descendentes de japoneses que vivem no Brasil enchem o técnico Alberto Zaccheroni de confiança para a Copa do Mundo. O italiano, que está no comando do Japão desde 2010, aposta que é possível chegar pelo menos nas quartas de final e, assim, fazer a melhor campanha do país na história no torneio.

“Ter uma grande comunidade para nos apoiar nas arquibancadas me dá uma grande alegria e, com certeza, vai ser uma energia adicional para nós. Será como jogar em casa e isso também significa uma grande honra para todos os jogadores”, disse Zaccheroni em entrevista por e-mail ao Estado.

Treinador com vasta experiência e prestígio na Itália, Zaccheroni participará da sua primeira Copa. Na Udinese, ele fez história com o então inovador esquema 3-4-3 e conseguiu a inédita classificação para a Copa da Uefa (atual Liga Europa) na temporada 1996-97. No Milan também fez sucesso e conquistou o Campeonato Italiano na temporada 1998-99.

Ao assumir a seleção japonesa, após a Copa do Mundo da África do Sul, um dos seus primeiros desafios foi passar para os atletas que eles deveriam respeitar, mas não temer as seleções mais tradicionais. Passados quatro anos, ele considera ter alcançado o seu objetivo.

“Os jogadores estão mais confiantes. Como equipe, melhoramos muito. Se conseguirmos estar na nossa melhor condição de jogo durante a Copa do Mundo, sabemos que podemos ser uma parada dura para qualquer adversário.”

Uma demonstração desse novo perfil da seleção japonesa foi dada no ano passado, na partida contra a Itália, no Recife, pela Copa das Confederações. Apesar da derrota por 4 a 3, a equipe procurou manter a posse de bola o maior tempo possível e trocar passes com rapidez. O Japão chegou a abrir 2 a 0, mas no segundo tempo a defesa cometeu alguns vacilos e os italianos viraram o placar.

Agora, o treinador admite que a Colômbia, mesmo se o atacante Falcao Garcia não se recuperar de lesão, é favorita no Grupo C. Mas ele confia que a sua seleção pode passar por Grécia e Costa do Marfim e ficar com a segunda vaga. “Em uma Copa do Mundo, acho que todas as equipes são fortes e têm muita coisa para mostrar aos torcedores. Mas é fato que nos últimos anos a Colômbia melhorou em todos os aspectos. Por isso, pode ser considerada a favorita do nosso grupo. Mas nós também podemos nos classificar.”

Zaccheroni prevê um Mundial bastante equilibrado. E é justamente por causa dessa divisão de forças que ele acha que o Japão pode chegar pelo menos nas quartas de final. Em quatro participações no torneio, o máximo que a seleção conseguiu foi chegar foi às oitavas de final em 2002 e 2010 – foi eliminada diante de Turquia e Paraguai, respectivamente.

“Não espero grandes inovações ou desenvolvimentos no lado tático. Normalmente, isso não costuma acontecer durante a Copa. Mas espero algumas surpresas em termos de resultados e também a descoberta de novos jogadores jovens.”

A seleção japonesa inicia nesta quinta-feira, em Tampa, nos Estados Unidos, a última fase da sua preparação. O time ficará sete dias na Flórida para se adaptar às altas temperaturas que enfrentará no Brasil – jogará em Recife (contra a Costa do Marfim, dia 14 de junho), Natal (Grécia, dia 19) e Cuiabá (Colômbia, dia 24). A base de treinamentos do Japão durante o Mundial será em Itu.

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