Copa registra queda em número de jornalistas da imprensa escrita

Fifa confirma crescimento em fluxo de informações por redes sociais

Jamil Chade - Enviado especial ao Rio de Janeiro, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2014 | 13h42

A Copa do Mundo se transforma em um espelho na imprensa mundial e de sua situação. Dados apresentados pela Fifa revelam que, pela primeira vez em décadas, a entidade registrou uma queda no número de jornalistas credenciados da imprensa escrita. O tombo foi de 20% em comparação ao Mundial de 2010 e, pela primeira vez, a revista FranceFootball decidiu não enviar seus jornalistas para uma Copa.

No total, a Fifa registrou um número recorde de credenciamentos para a imprensa, com 16,7 mil profissionais percorrendo o Brasil para acompanhar os jogos. Mais de 10 mil deles vem de emissoras de televisão de todo o mundo, além de 3 mil profissionais de televisões brasileiras.

A Copa também registrou uma explosão das redes sociais, com números sem precedentes de fluxo de dados em sites como Facebook ou Twitter. Mas segundo Alain Leiblang, diretor de operações de imprensa da Fifa, uma situação diferente é vivida pelos jornais de todo o mundo. "Muita gente reduziu o número de jornalistas por conta do orçamento", declarou. No total, a Fifa registrou 2 mil jornalistas estrangeiros para a imprensa escrita, além de 593 brasileiros. São ainda quase mil fotógrafos inscritos de todo o mundo.

"Tivemos muitas defecções da imprensa escrita", admitiu Leiblang. Segundo ele, o número acabou sendo 20% inferior ao de 2010, na África do Sul. "Os preços altos tiveram um impacto", confessou, em uma referência ao custo de uma operação para um jornal enviar correspondentes ao Brasil. Algumas publicações ainda optaram por ignorar a primeira fase e desembarcam no Brasil apenas a partir das quartas de final. Segundo a Fifa, além dos custos no Brasil, a situação difícil vivida por várias publicações no mundo também pesou.

A entidade admite que se chegou a discutir reduzir preços de passagens para jornalistas viajar entre as cidades sede. Mas o Estado apurou que o governo acabou vetando a proposta. Na Alemanha em 2006, jornalistas viajavam de graça nos trens entre as cidades-sedes. Para a Rússia, em 2018, Moscou já garantiu transporte gratuito em sua malha ferroviária para todos que tiverem ingressos.

AUDIÊNCIA

Do lado das televisões, porém, a audiência bate todos os recordes e a Fifa já prevê que, ao final do Mundial, a taxa de 3,2 bilhões de pessoas tenham assistido o torneio. "A fase de grupos da Copa do Mundo alcançou números recordistas de telespectadores em todo o planeta, com um desempenho inédito nos Estados Unidos e um progresso impressionante também na Europa, na Ásia e em outras partes do continente americano", indicou a Fifa em um comunicado.

"Achamos que os números globais de audiência da Copa do Mundo da FIFA 2014 mostrarão de novo que a Copa do Mundo é o evento esportivo de uma única modalidade mais popular do planeta e que o futebol é o esporte número um no mundo", diz o diretor da TV FIFA, Niclas Ericson.Um dos destaques é a audiência nos EUA. "Esta impressionante alta no interesse nos EUA é um verdadeiro 'divisor de águas' para a Copa do Mundo da FIFA e para o futebol", afirma Ericson.

Segundo a Fifa, o jogo com Portugal foi a partida de futebol mais vista na história da TV americana, "com mais telespectadores que qualquer jogo das finais da NBA e que a média das finais de beisebol de 2013". No total, 24,7 milhões de pessoas acompanharam o jogo.

"Também estamos observando números ótimos na Ásia, na Europa e em outras partes do continente americano, o que nos dá a confiança de que esta Copa do Mundo se mostrará a mais popular da história no que diz respeito à audiência de TV", diz Ericson.

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