Copa São Paulo vira feira de negócios

A temporada de 2002 começa neste sábado com o início da 33.ª edição da Copa São Paulo de Juniores, para atletas até 20 anos. Em campo, dois favoritos ao título. O jogo de abertura será entre o São Paulo, segundo colocado em 2001 - o Roma, atual campeão não participará -, e Rio Negro, do Amazonas, às 14 horas, em São José dos Campos. O outro confronto do Grupo A é entre Joseense e América-RJ. O Corinthians, detentor de quatro títulos da competição, apenas superado por Fluminense, cinco troféus, duela com o Bangu, às 16 horas, em Santo André. Na preliminar, os donos da casa enfrentam o São Gonçalo, em jogos válidos pelo Grupo E. Tradicional por revelar craques, entre eles, Falcão, Romário e Rivaldo e, na atual safra, Kaká, Ewerthon e Ricardo Oliveira, a copinha, como é carinhosamente chamada, tranformou-se em feira de negócios. Aproveitando a grande vitrine na qual a competição tornou-se ao longo destes 34 anos - o primeiro torneio foi em 1969 com apenas quatro participantes -, clubes, antes interessados em reforçar suas equipes principais e empresários, agora buscam garantir um bom reforço de caixa. "Os europeus invadem a capital e se conseguirmos negociar um jogador, lucramos entre 7 e 10% de comissão. Mas não é tão rentável, pois os valores hoje são outros, baixos", revela o empresário Hamilton Bernard, que nesta competição conta com seis jogadores. Eder, Corinthians, Jefferson, Piter, Alexandre e Antônio Carlos, Portuguesa e Gabriel, São Paulo. Ele administra, também, o atacante Ricardo Oliveira, destaque da Copa de 2001. "O problema é que os clubes daqui não estão querendo se livrar dos jovens. Nunca negociei um atleta com menos de 20 anos." Há até times de aluguel, montados exclusivamente por jogadores de empresários, casos de Juventus e Nacional. Na edição passada, o Amazônia, representante de Rondônia, contava em seu elenco só com atletas do Campinas, administrado por Careca e Edmar. O Roma, era outro bom discípulo. Nenhum jogador da equipe era da cidade de Barueri, sede do clube. Tanto que hoje, defendem um clube do interior paranaense. Nesta ?fábrica de dinheiro? aparece também, uma empresa com objetivo aparentemente diferente ao dos empresários. A Think Ball & Sports Consulting, informa gerenciar a carreira de jogadores, não necessariamente baseando-se na negociação do jovem. Desempenhando suas funções há um ano, os procuradores e sócios Marcelo Robatino, Marcelo Goldfarb, Ricardo Gurman e Dênis Fuchman, controlam mais de 35 atletas. Destes, nove atuarão na Copa - Careca, Marcelo e Kevin no Corinthians, Asprilla e Davi no Jundiaí, Michael, Roger e Marcelinho no São Caetano e Babi na Matonense. "Fazemos um trabalho social com o foco diferente ao de empresários. Nossa intenção é colocar o jogador nas equipes profissionais", disse Robatino. Mas entra em contradição e deixa escapar alguns procedimentos no mínimo idênticos ao dos empresários. "Fazemos intermediações, mandamos material para a Europa todo mês para acertarmos um bom contrato. Vamos ganhar dinheiro, mas não é só isso. Também ajudaremos o garoto", enfatiza o procurador, sem convencer. A fonte de renda da empresa são os salários e luvas que os jogadores receberam em seus novos clubes. Para isso, estão trazendo dirigentes de fora para assistirem à Copa. "Um empresário coreano, outro japonês e um consultor técnico de um clube grande da Espanha estão aqui no Brasil para acompanhar nossos garotos."

Agencia Estado,

04 de janeiro de 2002 | 18h22

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