Copa SP é trampolim para novatos

Dirigentes, jogadores e técnicos que estão disputando a Copa São Paulo de Juniores sabem que na competição há muito mais em jogo do que uma simples taça. Com a chegada de tempos austeros para o futebol ? nenhum dos principais clubes brasileiros está em condições de fazer grandes contratações ? o torneio, mais do que nunca, é a grande chance para os jovens talentos garantirem lugar em um time de ponta e para clubes realizarem uma vantajosa negociação com suas revelações. Com essa mentalidade a equipe do Confiança-SE suportou 36 horas de viagem, na qual dez jogadores contraíram dengue. Mas ninguém desanima. ?Não viemos aqui a passeio. Nossa equipe está trabalhando duro para termos um Confiança forte. Para isso, precisamos do dinheiro da transferência dos atletas?, diz o supervisor José Edson de Jesus. ?Todo mundo aqui sonha com uma oportunidade em um grande clube ou no exterior?, afirma o volante Rudnei. ?É uma grande vitrine e ficaria satisfeito com uma chance em um time, grande ou pequeno?, completa o zagueiro Antônio Carlos. Nos grandes times a ansiedade não é menor. O lateral Gabriel sabe que a Copa será a sua última grande chance, pois em breve vai ultrapassar a idade limite para atuar nos juniores. ?Minha meta é ser campeão, mas também será importante um bom desempenho para que eu consiga renovar meu contrato com o São Paulo, que acaba em fevereiro, ou obter uma vaga em outro time?, diz o jogador, filho do ex-lateral corintiano Vladimir. Zetti, técnico do Tricolor, sabe o quanto a Copa pode ser importante. ?Em certos momentos, a pressão é maior do que em um time profissional, pois posso estar definindo o futuro de um jogador ao escalá-lo ou não no time titular.? O próprio treinador espera aproveitar a ?vitrine? da competição. ?Com um bom resultado, posso me firmar na carreira de técnico?, avalia. Para a diretoria do Corinthians, o sucesso da equipe na Copa São Paulo poderá render ?frutos?. Sem verba para grandes reforços, o técnico Carlos Alberto Parreira deverá aproveitar jogadores das categorias de base durante o ano. A esperança é de que o time de 2002 ? com o meia Luciano Bebê, o atacante Titi e o lateral-direito Júlio César ? repita o destino do grupo campeão da Copa em 1999. Todos chegaram à equipe principal, e dois deles, Edu e Éwerthon, deram lucro ao serem negociados para o exterior. A equipe era esta: Renato; Índio, Marcelo, Anderson e Kléber; Rodrigo Pontes, Edu, Andrézinho e Gil; Éwerthon e Fernando Baiano.

Agencia Estado,

05 de janeiro de 2002 | 15h35

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