Corinthians: 2 meses e nada de parceria

Com um amontoado de recuos e tendo a falta de consenso entre as duas partes como regra, o pré-contrato firmado por Corinthians e Media Sports Investiment (MSI) completa dois meses nesta terça-feira. Conselheiros antes adeptos à parceria já admitem que as chances são mínimas de prosperar o acordo. No momento, advogados do clube e do grupo estrangeiro se reúnem periodicamente para tentar contornar os pontos divergentes."Se sair mesmo alguma coisa dessas conversas, o que já pouca gente acredita, será muito menor, com cláusulas bem modestas em relação ao que vinha sendo divulgado", afirmou um dos membros do Conselho de Orientação. De acordo com ele, após as dúvidas levantadas sobre a idoneidade dos investidores, o clube passou a exigir a flexibilização do contrato.Os dirigentes corintianos não mais aceitariam a transferência do controle da marca Corinthians, conforme havia sido definido no pré-contrato. O clube também não abre mão da redução do prazo de contrato (estipulado em 10 anos) e exige que se defina com clareza os valores que seriam investidos, considerados baixos e vagos no acordo inicial.A parceria desandou após as denúncias de que, por trás do iraniano Kia Joorabchian, da MSI, estava o bilionário russo Boris Berezovski, suspeito de ligação com a máfia de contrabando de armas da Chechênia. Desde então, a proposta perdeu força e aliados do presidente do Corinthians, Alberto Dualib, maior entusiasta da negociação, se voltaram contra ele.A dificuldade em fechar o negócio também irritou os representantes do fundo estrangeiro, entre os quais se inclui o empresário brasileiro Renato Duprat. Um deles, indignado com os obstáculos criados, teria dito, em alto e bom som, em uma das reuniões com os advogados do clube no Parque São Jorge: "Qualquer time do mundo aceitaria na hora o que estamos oferecendo a vocês (Corinthians)."

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