Alex Silva|Estadão
Corinthians espera renegociar a dívida da Arena Corinthians com a Caixa Econômica Federal Alex Silva|Estadão

Corinthians espera renegociar a dívida da Arena Corinthians com a Caixa Econômica Federal Alex Silva|Estadão

Corinthians alega ter dinheiro para pagar dívida mensal com a Caixa

Diretor financeiro garante arrecadação anual com o estádio de R$ 75 milhões e diz ter plano B e C para quitar as mensalidades

João Prata , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Corinthians espera renegociar a dívida da Arena Corinthians com a Caixa Econômica Federal Alex Silva|Estadão

O Corinthians tem dinheiro para pagar as parcelas mensais de sua dívida do estádio com a Caixa Econômica Federal até quitar os R$ 536 milhões cobrados pelo banco. Quem garante isso é o diretor financeiro do clube, Mátias Romano Ávila. Ele confirmou ao Estado que o dinheiro utilizado para bancar o financiamento vem das bilheterias dos jogos. Mas que há plano B e C para levantar as parcelas mensais de R$ 6 milhões na maioria dos meses da temporada - em quatro deles, o clube paga R$ 2,5 milhões.

Caso as rendas não sejam suficientes para saldar a dívida por mês, há a possibilidade de incluir os valores de shows na conta. Segundo ele, a previsão é de acontecer 20 eventos além do futebol no estádio por ano. Há ainda outro fundo do clube cujo saque pode chegar ao valor de uma prestação cheia.

“O que está previsto em nosso orçamento é transferir R$ 75 milhões de bilheteria neste ano para pagamento da dívida - o ano passado essa previsão era de R$ 60 milhões. É isso que pretendemos cumprir”, disse. O dirigente negou que o Corinthians possa usar a eventual venda de jogadores para ajudar a amortizar a dívida com a Caixa, tampouco corre risco de ter suas garantias penhoradas. O banco informou no processo que o clube deve R$ 536 milhões. O Corinthians diz que a dívida é de R$ 470 milhões, porque não inclui multas por atraso. 

A diretoria espera ainda neste mês resolver a pendência jurídica com a Caixa. Repete que foi pega de surpresa por essa decisão da ação. Alega ainda que o clube tem condições de cumprir o que já estava estipulado. Portanto, a execução judicial da Caixa não preocupa o Corinthians.

O departamento jurídico tem 15 dias úteis para responder à citação do juiz que foi recebida na sexta-feira. Segundo o Estado apurou, o clube responderá à intimação enquanto renegocia com a diretoria do banco. "Queremos cumprir o acordo feito verbalmente com a gestão anterior da Caixa, que é pagar os R$ 6 milhões por oito meses do ano e R$ 2,5 milhões nos outros quatro meses, quando diminui nossa arrecadação no estádio."

Apesar de se mostrar tranquilo com a questão judicial, o Corinthians sabe que precisa honrar sua dívida, com o risco de ter o nome no Serasa. No total, a Caixa emprestou R$ 420 milhões ao Corinthians para a arena. O clube pagou cerca de R$ 170 milhões até agora.

A dívida

No planejamento financeiro do Corinthians, ainda consta que a meta para 2019 era fechar no azul em R$ 650 mil. Passados nove meses do ano, o presidente Andrés Sanchez admitiu que o clube tem déficit de R$ 100 milhões. O alto valor deve diminuir porque boa parte da receita com a TV entrará no fim do ano. Mesmo assim, o mandatário alvinegro já sinaliza que será difícil o clube ter lucro nesta temporada.

Soma-se a isso a pendência financeira com a Caixa. Apesar de se mostrar tranquilo com a questão judicial, o Corinthians precisa pagar sua dívida, com o risco de ter o nome no Serasa. A planilha apresentada pela Caixa na ação diz que o Corinthians deixou de pagar, entre março e agosto deste ano, R$ 33,7 milhões em parcelas. Segundo o banco, o clube pagou só R$ 13 milhões. 

A multa pelo atraso nos pagamentos é de R$ 48,7 milhões e o valor total da execução é de R$ 536 milhões. O diretor financeiro do Corinthians alega que os valores estão distorcidos, porque o time vinha pagando o que tinha sido combinado verbalmente desde o fim do ano passado. Ou seja, em novembro, dezembro, janeiro e fevereiro desembolsou apenas R$ 2,5 milhões por mês. A Caixa só deu baixa quando a soma dos valores atingiu a parcela prevista em contrato. “Queremos esclarecer o mais rapidamente possível essa pendência, e de forma transparente. Espero que encontremos um acordo neste mês ainda. Quanto mais rápido, mais transparente, melhor para nós e para a Caixa”, diz Ávila.

A Caixa emprestou R$ 400 milhões ao Corinthians para a construção do estádio. Desde o início do financiamento, em 2014, o clube pagou cerca de R$ 170 milhões, sendo R$ 80 milhões de fevereiro de 2018 até agora. Mas como correm juros mensais, a dívida beira os R$ 536 milhões, segundo o banco.

CINCO PERGUNTAS PARA...

Mátias Romano Ávila, Diretor financeiro do Corinthians

1. Existe a possibilidade de resolver amigavelmente a pendência com a Caixa?

Já fizemos contato com a Caixa. Eles foram acessíveis. O Corinthians está pagando. Dos estádios construídos para a Copa, só nós estamos pagando.

2. Se está tudo bem, por que houve o processo?

A única coisa que a gente estranhou foi que a Caixa protocolou a notificação extrajudicial e a ação no mesmo dia. Isso foi estranho. Temos a melhor relação com eles. Nada que desabone nossa conduta. Agora vamos renegociar.

3. No processo movido pela Caixa constam 6 meses de atraso nas parcelas?

A Caixa está contabilizando diferente do que a gente estava considerando que é o nosso acordo. Em novembro, dezembro, janeiro e fevereiro pagamos R$ 2,5 milhões, de acordo com o que estava verbalizado. Mas eles só debitavam quando juntavam os R$ 6,5 milhões do acordo antigo. Por isso a diferença de seis meses.

4. O Corinthians usa dinheiro de outros setores para pagar essa dívida?

Em nosso orçamento há a previsão de utilizar R$ 6 milhões. Devemos utilizar R$ 4 milhões de diferentes áreas.

5. Há uma previsão para resolver a pendência?

Esperamos que neste mês ainda. Quanto mais rápido, mais transparente, melhor.

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Valor do elenco do Corinthians não pagaria dívida do clube pela arena de Itaquera

Segundo o site Transfermarkt, jogadores do time de Carille valem juntos R$ 382 milhões; Caixa cobra R$ 536 milhões de dívida do estádio

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2019 | 15h24

A Caixa Econômica Federal cobra uma dívida de R$ 536 milhões do Corinthians em processo na Justiça, que pode levar o nome da empresa para o Seresa. O valor inclui multa, juros e correções monetárias, além do valor propriamente dito do financiamento para construção da arena, em Itaquera. Em termos apenas para comparação, mesmo que o Corinthians negociasse todos os seus jogadores do elenco, são 32, ele não conseguiria levantar dinheiro suficiente para o pagamento à Caixa.

Segundo o site Transfermarkt, especializado em transferência de jogadores, com valores estimados de cada atleta, o atual elenco do Corinthians atingiria, se todos fossem negociados hoje, o valor de 84,7 milhões de euros (cerca de R$ 382 milhões), bem distante da quantia do processo movido pela Caixa.

O jogador mais valioso do elenco do técnico Fábio Carille é o meia Pedrinho. O garoto de 21 anos, que tem contrato com o clube até 31 de dezembro de 2020, vale 15 milhões de euros (R$ 67,7 milhões), segundo o site especializado. A multa rescisória de Pedrinho é de 50 milhões de euros (R$ 225 milhões) para clubes do exterior. Will Dantas, empresário do atleta, acredita que ele vale pelo menos 40 milhões de euros (R$ 180 milhões). O Corinthians detém 70% dos direitos econômicos de Pedrinho e sonha receber, em caso de venda, valor na casa dos R$ 100 milhões.

Na sequência, segundo o Transfermarkt, três jogadores corintianos possuem o mesmo valor de mercado: o lateral-direito Fagner, com boa frequência na seleção brasileira, inclusive com uma Copa do Mundo no currúculo, e os zagueiros Gil e Léo Santos, que recentemente esteve emprestado ao Fluminense. Todos foram avaliados em 6 milhões de euros (R$ 27 milhões).

Sornoza, Ramiro e Clayson valem 4,5 milhões de euros (R$ 20,3 milhões) cada. Já Gabriel e Araos, 4 milhões de euros (R$ 18 milhões). João Victor, zagueiro de 21 anos, é o menos valioso do elenco. Seu contrato gira em torno de 500 mil euros (R$ 225 mil aproximadamente). Esses preços estão diretamente relacionados com o que os atletas andam fazendo em campo e suas respectivas idades. 

Time mais badalado do futebol brasileiro atualmente, o Flamengo tem um elenco avaliado em 114,6 milhões de euros (R$ 517,82 milhões), segundo o mesmo site de negociação esportiva, quantia que ainda seria insuficiente para pagar o valor da dívida corintiana com seu estádio. E olha que o time rubro-negro se fortaleceu com alguns jogadores vindos da Europa, como Filipe Luis.  

Para os homens de mercado do Transfermarkt, o elenco mais valioso do futebol brasileiro hoje é do Palmeiras, que tem um valor de mercado de aproximadamente 118,45 milhões de euros (R$ 535,2 milhões). O Grêmio aparece em terceiro (R$ 494,1 milhões) e o São Paulo, em quarto, com R$ 414,5 milhões.

JOGADORES MAIS VALIOSOS DO CORINTHIANS

Pedrinho - R$ 67,7 milhões

Fagner, Gil e Léo Santos - R$ 27 milhões

Sornoza, Ramiro e Clayson - R$ 20,3 milhões

Gabriel e Araos - R$ 18 milhões

Cássio - R$ 15,8 milhões

Manoel, Danilo Avelar e Mateus Vital - R$ 11,3 milhões 

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