Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Corinthians aposta na base e espera fazer reforços em casa

Técnico Fábio Carille deve dar mais espaço para os garotos, e clube quer usar o futsal para preparar novos talentos

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2016 | 07h01

Sem dinheiro para grandes investimentos, o Corinthians quer contornar a condição financeira revelando jogadores e aproveitando melhor os garotos da base. Uma nova e talentosa geração vem pela frente, algo que poderá render frutos em pouco tempo para o time principal.

Por isso, a comissão técnica olhará com bastante atenção para a Copa São Paulo. A escolha por Fábio Carille como técnico, dentre outros fatores, teve como ingrediente sua capacidade para trabalhar com os garotos. Os escolhidos dependerão da avaliação do treinador, mas alguns nomes já começam a ser comentados. Casos, por exemplo, dos meias Mantuan e Fabrício Oya e do atacante Pedrinho.

“A experiência que tive no profissional me ajudou muito. Bom saber que o técnico tem uma mente aberta para usar a base e esperamos aproveitar a Copinha para mostrar nosso valor”, afirmou o meia, capitão da equipe que estreará no torneio dia 4 de janeiro, contra o Pinheiro-MA, em Taubaté.

A Copa São Paulo acaba sendo uma oportunidade para os meninos se mostrarem não só para Carille como também para os torcedores. O atacante Pedrinho, por exemplo, aparece como um dos favoritos a cair nas graças da torcida, já que se destaca pela velocidade, agilidade e coragem em campo. “Sempre pensando na equipe, mas se der para dar um drible e fazer algo diferente, a gente usa esse artifício”, contou o garoto, de 18 anos.

Em setembro, após séries de denúncias contra os antigos dirigentes da base, o Corinthians reformulou o setor e anunciou Fausto Bittar como novo diretor do Departamento de Formação de Atletas. A principal missão dele será integrar ainda mais o futebol profissional da base, para que os meninos não sintam tanto a pressão quando forem promovidos. 

O diretor também faz mudanças na captação de talentos. A ideia é firmar parceria com escolinhas de futsal em todo o País e também agilizar a chegada de meninos que se destacarem nas escolinhas de futebol de campo do próprio clube. 

“Teremos mais atenção na formação também. Terminou o ano, vamos fazer uma análise dos garotos que estouraram a idade de determinada categoria. Se o número de aproveitados para a categoria acima for muito baixo, teremos que fazer cobranças e mudanças, se for necessário”, explicou Bittar, que já trabalhou em outras funções no clube, nas gestões de Andrés Sanchez e Mário Gobbi. 

INTEGRAÇÃO 

Existe ainda um trabalho para que os meninos da base corintiana atuem no futebol de campo e no salão até os 15 anos, quando terão de decidir qual modalidade seguir. Com o aprendizado duplo, os garotos crescerão com o pensamento rápido, drible curto e agilidade do futsal, mas também com a técnica do campo. 

“Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Romário, Rivaldo, Neymar, enfim, fico aqui o dia todo te falando craques que vieram do salão, onde você aprende muita coisa que pode ser primordial para o campo”, explicou Bittar.

Existe ainda a preocupação com o intelecto dos garotos. Eles fazem visitas em museus, cinemas, dentre outros programas culturais. “Temos essa preocupação, pois sabemos que a minoria vai vingar no futebol. Mais do que revelar jogadores, queremos revelar homens”, disse o auxiliar técnico e ex-lateral do clube, Coelho.

Fabrício Oya, apontado como uma das maiores promessas do clube nos últimos anos, contou que já teve a oportunidade de visitar o museu do Corinthians e, embora sonhe ser jogador, se prepara para o caso de seus planos não saírem como o esperado. "Vou fazer faculdade de Educação Física, porque a gente nunca sabe o dia de amanhã. A gente tem que estudar", ponderou o garoto de 17 anos. 

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