Corinthians aposta no carisma de Tevez

Tímido fora de campo, de declarações convencionais e pouco polêmicas; ousado, incansável e com muita garra nas partidas: o perfil resumido do astro argentino Carlos Tevez e talvez a fórmula ideal para um ídolo no Corinthians. Torcida e os companheiros de equipe apostam nele como diferencial no Campeonato Brasileiro ? o time estréia neste domingo, contra o Juventude, no Pacaembu. ?Ele é importante não só por sua qualidade técnica, mas também por estimular os jogadores a não desistirem nunca, a ter raça. É um exemplo?, disse o volante Marcelo Mattos.?Com meus companheiros, vou fazer de tudo para dar alegrias a essa torcida, vamos brigar por todos os títulos?, prometeu nesta sexta-feira Tevez, artilheiro do time este ano, com 11 gols. Ainda que sinta saudades da Argentina, da família, da filha recém-nascida Florencia, se diz adaptado. ?Me sinto tranqüilo aqui, todos me receberam da melhor forma e estou sendo muito bem tratado?, afirmou, em seu espanhol truncado e às vezes incompreensível, prejudicado pela dicção ruim.O idioma nacional o incomodava há algum tempo. Evitava entrevistas, porém já se sente mais à vontade nesse quesito. ?Até aprendi uma palavra em português?, anunciou, empolgado. Os repórteres, surpresos inicialmente, fizeram cara feia em seguida para tentar compreender o que significava ?Gatitalina?, expressão repetida duas vezes pelo atacante. ?O que é isso??, foi a pergunta geral. Segundos depois, os jornalistas deduziram: Tevez tentava dizer ?gatinha linda?. Bem humorado, admite caminhar a passos lentos na língua portuguesa. ?Estou procurando uma namorada para me ensinar a falar melhor?, brincou. Oportunidades para encontrá-la não faltam. Sai sempre que pode na noite paulistana e freqüenta os mais caros bares e boates da cidade.Mas nem tudo é luxo. ?Gosto de visitar favelas e hospitais, me sinto bem em mostrar apoio às pessoas que precisam.? Dessa forma anunciou a visita que fará nos próximos dias a comunidades carentes da capital. Deverá distribuir presentes, mas falará em que língua com os torcedores nas ruas? Eis a questão.Os brasileiros do elenco já se acostumaram com as dificuldades de comunicação com os quatro argentinos contratados: Tevez, o zagueiro Sebá, o técnico Daniel Passarella e o auxiliar Alejandro Sabella. Para quem já quase foi embora do clube depois de ter perdido vaga no ataque, ser chamado por algo apenas parecido com seu nome é fichinha para Gil. ?Me chamam de Chil, Chile, Gile, não conseguem falar direito o meu nome?, contou. Gil provavelmente joga domingo contra o Juventude, mas em outras posições restam algumas dúvidas. Roger, ainda não totalmente recuperado da lesão muscular, pode ficar de fora, Gustavo Nery retorna e Coelho deve entrar na ala-direita.

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