Corinthians armado para a luta na Argentina

A guerra prevista para o jogo entre River Plate e Corinthians, amanhã, às 15h30, em Buenos Aires, no primeiro confronto pelas oitavas-de-final da Libertadores, já começou na véspera: os brasileiros foram proibidos de treinar no local da partida, o Estádio Monumental de Nuñes. Prevendo que isso pudesse ocorrer, a equipe de apoio da comissão técnica corintiana já havia reservado o centro de treinamento do Velez Sarsfield. Quem informou sobre a proibição foi o volante Fabinho. "Não pudemos treinar no local da partida. Eles (o River) não deixaram." O time treinou sob frio de 13 graus e o técnico Geninho até antecipou a escalação da equipe, que terá três volantes: Fabinho, Cocito e Fabrício. O treinador admitiu que o Corinthians será mais cauteloso, mas não abandonará suas características ofensivas. "De repente, mesmo com três volantes, o Corinthians poderá se tornar ainda mais ofensivo", acredita o técnico. "Além de soltar um pouco mais o Fabrício, Jorge Wagner jogará mais como atacante. Acredito que essa será a grande surpresa do jogo." Pelo menos a noite de sono da delegação foi tranqüila. Temendo as tradicionais algazarras da torcida argentina, o Corinthians ocupou os apartamentos dos fundos - e num andar bem alto - de um hotel cinco estrelas de Buenos Aires. Mas a precaução revelou-se desnecessária. A fanática torcida do River nem deu as caras. "Vejo isso como uma mudança na cultura do futebol. É algo bastante positivo", elogiou Geninho. Geninho aproveitou o tempo em Buenos Aires para estudar as características do adversário. Nas informações contidas no dossiê sobre o River há detalhes importantes, que o técnico deve aproveitar no jogo. Ele sabe, por exemplo, que a defesa argentina não tem zagueiros altos, com exceção do central Matías Lequi, de 1,91 m. Os outros têm 1,77 m (Ariel Garcé), 1,79 m (Ariel Amelli) e 1,84 m (Martín Demichelis). O jogo aéreo deve ser, portanto, uma das principais armas do Corinthians amanhã. "Nossas expectativas de vitória não estão fundamentadas só nisso, mas as bolas paradas e as jogadas pelo alto são pontos fortes da nossa equipe, que não podem ser desprezados", reconhece Geninho. O treinador recomendou calma à equipe, sobretudo na hora das provocações, marca registrada dos jogadores argentinos. "Só não podemos entrar na deles. Os argentinos sabem usar a catimba, nós não." Geninho não aposta num jogo violento por parte do adversário. "Por ser um time de toque de bola, o River não tem essa característica. Além disso, a torcida não fica tão em cima. Isso também ajuda. Mas vai ser um jogo de muito contato físico. E meus jogadores sabem disso." Gil absorveu as recomendações do técnico. "Argentinos, uruguaios e paraguaios são assim mesmo: gostam de infernizar. Morderam até o dedo do Diego na semana passada..." A decisão de jogar com três volantes é justificada por Geninho como uma necessidade em jogos fora de casa. "Não fiz isso contra o Cruz Azul e perdi o jogo (3 a 0)." Os jogadores aprovaram o novo esquema. Até Leandro, que saiu para a entrada do terceiro volante, estava resignado: "O que for bom para o time é bom para mim." Fabinho jogará pelo meio, fazendo a função de terceiro zagueiro, à frente da dupla de zaga. Com a posse de bola, ele terá liberdade para avançar, como líbero. "Joguei e treinei várias vezes nessa função. Não haverá problema."

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