Corinthians assina com a Globo para transmitir jogos do Brasileirão até 2015

Equipe alvinegra não revela valores e ainda critica proposta feita pela TV Record

estadão.com.br

22 de março de 2011 | 14h20

SÃO PAULO - O Corinthians assinou na manhã desta terça-feira contrato com a TV Globo para que a emissora possa transmitir os jogos do clube no Campeonato Brasileiro entre 2012 e 2015. De acordo com a diretoria alvinegra, "os valores do acordo não podem ser revelados, em razão de cláusula de confidencialidade, mas são muito superiores aos praticados atualmente".

Antes do time do Parque São Jorge, outros cinco dissidentes do Clube dos 13, Grêmio, Cruzeiro, Vitória, Goiás e Coritiba, já haviam assinado com a Globo.

"Após analisar todas as propostas para os direitos de transmissão, a direção do Corinthians tem a certeza de que assinou o melhor contrato da história do clube do Parque São Jorge, superando inclusive a previsão de faturamento do Clube dos 13. Não apenas fatores financeiros, como também aspectos técnicos credenciam a proposta da Rede Globo e Globosat como a melhor dentre as apresentadas ao Corinthians", afirmou o clube, em nota.

O Corinthians também não perdeu a oportunidade de criticar a TV Record, que publicamente havia ofertado R$ 100 milhões anuais para transmitir 19 partidas do time como mandante no próximo Campeonato Brasileiro.

"Esclarece-se que a proposta pública feita pela TV Record exige do Corinthians algo que, segundo a lei vigente, o clube não tem o direito de comercializar. De acordo com o artigo 42 da Lei no. 9.615/98, a chamada Lei Pelé, aos clubes pertence o direito de negociar a transmissão de determinada partida. Assim, o Corinthians, isoladamente, não tem poderes para comercializar seus 19 jogos como mandante, conforme proposto pela TV Record", destacou, em comunicado.

O Palmeiras também estaria perto de fechar com a TV Globo, que está cada vez mais perto de vencer a batalha contra as rivais e manter os direitos de transmissão do Brasileirão.

Cisão. O Corinthians foi um dos dez clubes que anunciaram a decisão de negociar os direitos de transmissão de TV de seus jogos sem a participação do Clube dos 13. Grêmio, Grêmio, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Coritiba, Cruzeiro, Palmeiras e Santos também resolveram agir separadamente da entidade.

A Globo, por sua vez, desistiu da licitação do Clube dos 13 pelos direitos de transmissão em TV aberta do Brasileirão entre 2012 e 2014, vencida pela Rede TV!, que ofereceu R$ 516 milhões por temporada, o que equivale a um total de R$ 1,548 bilhão pelos três anos da principal competição do futebol nacional.

A vitória da Rede TV!, porém, não teve valor prático, já que os clubes precisam assinar um documento para ceder os direitos de transmissão de suas partidas, e isso não deve ocorrer. A RedeTV! também ressaltou que só desembolsará os valores que prometeu se tiver o direito de transmitir as partidas de todos os times do Brasileirão.

Resposta. Irritada com a postura do Corinthians, a TV Record divulgou nota criticando a postura do clube do Parque do São Jorge. A emissora paulista se disse surpresa pelo fato de o valor do contrato com a Globo não ter sido revelado e reiterou que jamais foi procurada pelos cartolas alvinegros após fazer sua oferta pública de R$ 100 milhões anuais.

Segunda a Record, a proposta feita ao time alvinegro não fere a legislação, como alegaram os dirigentes corintianos. "Assim, cabe ressaltar, sempre com total e absoluta transparência, sem a suposta cortina de fumaça da dita confidencialidade, que nossa proposta está mantida em R$ 100 milhões pelos direitos de televisão aberta para o Clube de Regatas Flamengo", informou a emissora.

A Record afirmou ainda que aceita "negociar ponto a ponto" para chegar a um acordo com o Flamengo. "Atitude essa que será repetida com todos os clubes que ainda se dispuserem a conversar e não ceder a negociações impostas por quem pensa apenas no seu proveito próprio, deixando de lado os interesses dos clubes, torcedores e até mesmo a legislação em vigor", destacou, em comunicado.

A emissora paulista também cobrou uma postura do CADE (Comissão Administrativa de Direito Econômico). "Esperamos que analise se os contratos firmados agora cumprem o que foi estabelecido em acordo definido no ano passado."

(Atualizado às 17h21 para acréscimo de informação)

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