Corinthians atrasa pagamento salarial

A crise econômica que se alastra pelo futebol brasileiro atingiu o Corinthians. Nem o contrato de parceria que mantém com a empresa norte-americana de fundos de investimentos Hicks Muse foi capaz de evitar que o clube ficasse inadimplente com seus jogadores. Por enquanto, o elenco faz silêncio sobre o assunto. Mas o certo é que o Corinthians está devendo um mês de salário e o direito de arena a alguns de seus atletas.A informação vazou em Serra Negra, onde o time está fazendo a pré-temporada. De maneira sutil, o volante Rogério escorregou e confirmou o débito. "Atraso de 20 dias ou até um mês é normal. Isso não acontece só no Corinthians."A assessoria do clube admite o débito. Mas avisa que não são todos os jogadores que estão sem receber. E se apressa em dizer que o débito será quitado nos próximos dias. O vice-presidente Antônio Roque Citadini não foi encontrado para falar sobre o assunto.A maioria dos jogadores não gosta de tocar no assunto. Há um consenso entre eles de que o clube vai colocar a casa em ordem o mais rápido possível. O elenco sabe que, embora preocupante, a situação não é igual à que vivem outros clubes."O atraso existe, não há como negar. Mas temos de entender que é início de temporada e o clube está há mais de dois meses sem faturar. Sei que a situação por aí é bem pior e que colegas de muitos times grandes estão passando dificuldades por causa da crise", disse um jogador que pediu para não ter seu nome revelado.Os dirigentes do Corinthians e da Hicks Muse apostam no sucesso do Torneio Rio-São Paulo para equilibrar as finanças. A patrocinadora começou o ano disposta a jogar pesado e avisou que não vai pagar nada além do aluguel do estádio para mandar os jogos no Pacaembu.O problema no estádio da prefeitura paulistana é antigo. As placas de publicidade são exploradas por uma empresa particular, que exige um pagamento extra para as equipes que mandarem suas partidas lá. Os norte-americanos não aceitam desembolsar nada mais do que foi acertado no contrato. O impasse pode provocar a mudança de local dos jogos em que o Corinthians for mandante no Rio-São Paulo.

Agencia Estado,

12 de janeiro de 2002 | 20h01

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