Corinthians bate Palmeiras e agrava crise do arquirrival

De nada adiantou a demissão de Luiz Felipe Scolari, a promessa de bicho dobrado em caso de vitória, ou Marcos Assunção voltar antes do tempo e jogar no sacrifício. Nervoso e com um jogador a menos em campo por mais de uma hora, o Palmeiras foi presa fácil para o Corinthians, neste domingo, no Pacaembu, derrotado por 2 a 0 diante da sua torcida. Romarinho e Paulinho fizeram os gols do jogo.

DEMÉTRIO VECCHIOLI, Agência Estado

16 de setembro de 2012 | 18h05

A derrota deve aumentar a crise do Palmeiras, que vê o rebaixamento para a Série B cada vez mais de perto. A equipe, treinada pelo interino Narciso neste domingo, tem apenas 20 pontos, à frente apenas do Atlético-GO. O primeiro time fora da zona de rebaixamento é, por enquanto, o Flamengo, mas a distância para deixar os quatro últimos lugares pode chegar a nove pontos ao fim desta 25.ª rodada.

Já o Corinthians, que contou com mais um gol de Romarinho, o terceiro dele sobre o Palmeiras neste Brasileirão, chegou aos 35 pontos, ainda em nono, e mais perto da meta de chegar a 45 pontos, escapar matematicamente do rebaixamento, e começar a pensar apenas no Mundial de Clubes.

O clássico teve arbitragem polêmica de Marcelo Ribeiro de Souza, que expulsou Luan em lance contestável, não deu um pênalti para o Palmeiras e voltou atrás depois de considerar legal um gol de Valdivia - o bandeirinha avisou que antes Obina havia feito falta.

O JOGO - Talvez incentivado pela promessa de bicho dobrado, o Palmeiras começou a partida com mais vontade do que o habitual. Mas os jogadores alviverdes desde o início mostravam confundir motivação com nervosismo. Antes mesmo da primeira boa chance de gol, o primeiro amarelo, de Luan, que caiu na área pedindo pênalti e foi punido por simulação.

O primeiro bom lance de ataque foi do Corinthians, com Paulinho cabeceando para fora. O Palmeiras respondeu na sequência com Valdivia, mas foi o time alvinegro quem marcou. Juninho deu bobeira na zaga, Romarinho roubou dele e tocou rasteiro, no canto direito de Bruno. A bola ainda bateu na trave antes de entrar.

Na comemoração, Romarinho se dirigiu à torcida do Palmeiras e beijou o escudo corintiano. Os jogadores palmeirense não gostaram e foram para cima do corintiano, liderados por Luan. Depois de muito empurra-empurra, só o autor do gol foi punido com cartão amarelo.

Narciso viu que Luan estava prestes a perder a cabeça e já começou a planejar sua substituição, mas não deu tempo. Aos 24, Guilherme Andrade foi dar um chutão para a lateral e sofreu o choque de corpo de Luan. O árbitro entendeu que era a gota d''água, deu o segundo cartão ao palmeirense e o consequente vermelho, para revolta do time alviverde. Era o suficiente para o jogo ficar ainda mais violento. Dali até o intervalo, Artur, Barcos, Cássio e Martínez receberam amarelo.

Mesmo com um a menos, o Palmeiras era mais perigoso. Marcos Assunção exigiu grande defesa de Cássio, que pegou no reflexo chute forte do volante, aos 28 minutos. Barcos também tentou, mandando por cima. Mas a grande chance foi de Henrique, que desviou de cabeça falta batida por Marcos Assunção. A bola bateu na trave direita, atravessou a frente do gol, e saiu em linha de fundo.

No segundo tempo, ao invés de voltar mais centrado, o Palmeiras pareceu estar mais nervoso. E isso se via nos seguidos erros de saída de bola. Na primeira chance, Romarinho mandou para fora. Na segunda, não teve como impedir que o Corinthians ampliasse. Juninho perdeu para Douglas, que tocou para Danilo. Este cruzou e encontrou Paulinho livre para cabecear no contrapé e fazer 2 a 0.

Depois disso, só restou a Narciso lançar o Palmeiras ao ataque, tirando Corrêa e Marcos Assunção para colocar em campo Tiago Real e Obina. Mas a falta de opções no banco ficou visível quando Márcio Araújo substituiu João Vítor.

Desfigurado, o Palmeiras jogou no campo de ataque os últimos minutos de partida. Aos 26, Valdivia quase marcou, mas Cássio fez linda defesa, no ângulo. O chileno também perderia uma chance clara, cabeceando por cima, pouco depois.

Para aumentar as reclamações contra o árbitro Marcelo Ribeiro de Souza, ele deixou de dar pênalti quando Cássio falhou, Guilherme Andrade tentou ficar com o rebote, dominou na coxa, mas viu a bola ir em direção ao seu braço na sequência. O árbitro entendeu que o toque não foi intencional, para desespero dos palmeirenses.

Mas ainda haveria tempo para mais polêmica. Aos 43, Obina derrubou Paulo André e cruzou para Valdivia, que dominou no peito e marcou. O árbitro assinalou gol, enquanto o auxiliar apontava falta. Os corintianos reclamaram muito, até que Marcelo Ribeiro conversou com o bandeirinha e mudou de ideia. Aí foram os palmeirenses que enlouqueceram.

FICHA TÉCNICA:

PALMEIRAS 0 X 2 CORINTHIANS

PALMEIRAS - Bruno; Artur, Maurício Ramos, Henrique e Juninho; Marcos Assunção (Obina), João Vitor (Márcio Araújo), Corrêa (Tiago Real) e Valdivia; Luan e Barcos. Técnico - Narciso (interino).

CORINTHIANS - Cássio; Guilherme Andrade, Wallace, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo e Douglas (Edenilson); Romarinho (Giovanni) e Martínez (Jorge Henrique). Técnico - Tite.

GOLS - Romarinho, aos 21 minutos do primeiro tempo. Paulinho, aos 8 minutos do segundo tempo.

ÁRBITRO - Marcelo Ribeiro de Souza (SP).

CARTÕES AMARELOS - Obina, Artur, Barcos, Fábio Santos, Danilo, Ralf, Cássio, Martínez e Romarinho.

CARTÃO VERMELHO - Luan.

RENDA - R$ 495.577,00.

PÚBLICO - 26.068 torcedores (total)

LOCAL - Estádio do Pacaembu, em São Paulo.

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