Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Corinthians cede Itaquerão e São Paulo fica perto da Olimpíada

Clube avisa que não vai gastar nenhum centavo com os Jogos

ALMIR LEITE, O Estado de S. Paulo

23 Março 2015 | 15h32

O Corinthians aceitou ceder sua arena para receber partidas dos torneios masculino e feminino de futebol da Olimpíada de 2016. No entanto, deixou claro que não gastará um centavo sequer para deixar o local apto a ser utilizado na competição. O posicionamento do clube representa um avanço para que a cidade seja incluída no calendário dos Jogos. A confirmação depende de um acordo sobre quem arcará com os custos das estruturas temporárias necessárias para o Itaquerão.

Na semana passada, o Corinthians havia condicionado a sessão de sua arena ao fim do impasse sobre os CIDs, os Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento emitidos pela Prefeitura para viabilizar a construção do estádio para a Copa do Mundo de 2014. O clube ainda não conseguiu vender os papéis no mercado por conta de uma ação do Ministério Público que contesta a legalidade do decreto que possibilitou a emissão dos CIDs e queria que a Prefeitura de São Paulo os recomprasse. Mas o prefeito Fernando Haddad (PT) descartou tal possibilidade. No entanto, o clube, por iniciativa de seu atual superintendente, Andrés Sanchez, decidiu "colaborar'' com a cidade.

A reunião desta terça-feira teve a presença de representantes do Comitê Rio-2016, do Ministério do Esporte, da Prefeitura e do governo estadual. A CBF e a FPF também estiveram representadas.  "Estamos avançando. Todas as partes saíram com uma liçãozinha para fazer'', disse uma pessoa ligada à organização dos Jogos. Essa "liçãozinha'' nada mais é do que o estudo sobre a parte que cada um terá de arcar das estruturas temporárias, a cotação de materiais e serviços e os custos.


O secretário adjunto da secretaria municipal de Esportes, Luiz Sales, também considera que o encontro representou um grande passo à frente para que a Arena Corinthians seja utilizada na Olimpíada - a cidade vai receber 10 ou 11 partidas. "Houve evolução, mesmo porque há disposição de todas as partes e o próprio Comitê Olímpico compreendeu a situação'', disse. Ele se refere ao momento difícil que o País passa economicamente -e que por consequência afeta a cidade. São Paulo espera não ter custo direto com a Olimpíada e, para isso, vai buscar parcerias capazes de arcar com os gastos.

Para que a Arena Corinthians receba a Olimpíada é necessário preencher os requisitos de um caderno de encargos com cerca de 250 itens. É preciso, por exemplo, montar tendas para receber o pessoal de apoio, alugar equipamentos de segurança e, no caso do Itaquerão, fazer adaptação nos vestiários para que possam ser utilizados pelas jogadoras das seleções de futebol feminino. "Estamos destrinchando a tabela para ver o que é atribuição da Prefeitura e fazer o orçamento, para ver se é possível atender ou não.'' Entre os itens que serão responsabilidade do município estão, entre outros, a compra ou aluguel de megafones e os gastos com combustível.

Esse trabalho, segundo Luiz Sales, será concluído até o final do mês de abril. "Em maio, pelo cronograma que nos foi apresentado, teremos de assinar um documento sobre a Olimpíada (o termo de concordância e aceitação das regras e exigências para receber os Jogos'', explicou.

A Prefeitura criou quatro grupos de trabalho para o "projeto olímpico'': nas áreas de segurança, transporte e mobilidade, saúde e de eventos. 

O valor que será gasto ainda não está fechado, mas o comitê acredita que ficará bem abaixo de R$ 30 milhões, como tem sido divulgado. Sales prefere a prudência. "Nós ainda não sabemos qual serão os custos. Mas sabemos que a estrutura necessária é bem menor do que a da Copa.'' Ele dá como exemplo as tendas, que serão exigidas numa quantidade menor do que no Mundial.

A Prefeitura deverá buscar parceiros para pagar a parte pela qual ficará responsável. O Estado poderá fazer o mesmo. Há, ainda, a possibilidade de o Co-Rio e o governo federal, por meio do Ministério do Esporte, colocar algum recurso.

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