Corinthians chega ao 4º título nacional

Um título de campeão brasileiro conquistado no sufoco não é novidade para o Corinthians. Aliás, nunca foi, ao longo da história. Neste ano de 2005, a taça foi garantida somente na última rodada e graças ao tropeço do Internacional, que ficou com o vice-campeonato. Curiosamente, não se trata da primeira vez que se repete a dobradinha ?campeão/vice?. Em 1971, o Atlético Mineiro foi campeão brasileiro tendo o São Paulo como vice. Em 1977 foi a vez do São Paulo ocupar o posto de campeão com o Atlético em segundo lugar. Em 1976, o Internacional foi campeão em cima do Corinthians. Este ano foi a vez do Corinthians dar o troco.Confira abaixo como foram as conquistas anteriores. 1990 - O primeiro título nacional do Corinthians, conquistado em 1990, veio do jeito que sua torcida diz gostar: com muito suor e sofrimento. Liderado por Neto e Ronaldo, o alvinegro protagonizou uma campanha de recuperação que rendeu ao clube um título no qual pouca gente acreditava que seria possível conquistar. O Corinthians largou mal naquele ano. Começou com derrotas - por 3 a 0 para o Grêmio e por 1 a 0 para o Cruzeiro e empate sem gols com o Vitória. Sem marcar nos primeiros três jogos, o primeiro triunfo viria somente na quarta partida, por 2 a 1, justamente contra o rival Palmeiras. Os gols foram marcados por Neto e Wilson Mano. A partir dali, o Corinthians ajeitou-se e deu início a uma seqüência de dez jogos sem derrota. Em seguida, administrando seus resultados, o Timão classificou-se para as quartas-de-final do Campeonato Brasileiro em quarto lugar, fase na qual enfrentaria o Atlético Mineiro, qualificado em segundo lugar e beneficiado com a vantagem de decidir em casa por ter sido campeão do primeiro turno da etapa classificatória. Os jogos do Corinthians na reta final do Brasileirão de 1990 foram marcados por atuações exuberantes de Neto. O clube já havia derrotado o Atlético por 3 a 1 em pleno Mineirão durante a fase de classificação. No primeiro jogo das quartas-de-final, vitória corintiana por 2 a 1 em São Paulo. Um empate sem gols em Belo Horizonte assegurou a classificação para a semifinal contra o Bahia. Novamente obrigado a decidir fora de casa, o alvinegro assegurou sua classificação com placares similares aos das quartas-de-final. Na partida de São Paulo, venceu por 2 a 1. Em Salvador, o Corinthians obteve a classificação com um empate por 0 a 0 obtido com muita luta. O adversário na decisão do título seria o São Paulo, que eliminou Santos e Grêmio nas fases anteriores. O rival era melhor no papel, mas a raça corintiana prevaleceu. Com duas vitórias por 1 a 0 ? gols de Wilson Mano no primeiro jogo e de Tupãzinho no segundo -, o Corinthians conquistou seu primeiro título nacional dirigido por Nelsinho Baptista. Os placares magros mostram que a campanha corintiana não foi das mais prolíferas em termos de ataque. Seis dos 25 jogos do Corinthians em 1990 terminaram sem movimentação de placar. O Timão marcou apenas 23 gols, média de menos de um tento por partida. Entretanto, a defesa sofreu somente 20 gols. 1998 ? No papel, o time de 1998 era bem melhor que o de 1990, mas não havia nenhum tipo de euforia por parte da imprensa nem dos torcedores até o início daquele Campeonato Brasileiro. No ano anterior, o Timão escapara do rebaixamento na última rodada. No primeiro semestre, o vice-campeonato paulista diante do São Paulo gerou desconfiança, apesar de o time ter perdido somente o jogo decisivo naquela campanha dirigida por Vanderlei Luxemburgo. A estréia seria diante do Vasco da Gama numa tarde de sábado no Maracanã. A perspectiva mais otimista parecia ser perder de pouco, mas um gol de falta de Marcelinho Carioca garantiu a vitória por 1 a 0. Ao longo da partida, a raça do time causou boa impressão e passou a alimentar as expectativas. Começaria então uma seqüência invicta de nove partidas que contaria com uma goleada por 4 a 0 sobre o Juventude no Pacaembu e um passeio sobre o Atlético em pleno Mineirão: 5 a 1. Outro destaque eletrizante da fase de classificação foi a vitória pelo inusitado placar de 5 a 4 sobre a Ponte Preta em Campinas. Depois de alguns tropeços, o Timão recuperou o primeiro lugar no campeonato na reta final da fase de classificação e entrou com vantagem na fase decisiva, que naquele ano seria disputada no sistema de play-off, numa melhor de três jogos. Nas quartas-de-final, contra o Grêmio, o Corinthians venceu o primeiro jogo por 1 a 0 em Porto Alegre, perdeu o segundo por 2 a 0 no Pacaembu e venceu o terceiro por 1 a 0, também no Pacaembu. Na semifinal, o adversário foi o aguerrido Santos, que venceu o primeiro jogo, na Vila Belmiro, por 2 a 1, de virada. No segundo jogo, vitória corintiana por 2 a 0. Um empate por 1 a 1 no terceiro jogo levou o Timão à decisão contra o Cruzeiro. Os três confrontos decisivos foram espetáculos à parte protagonizados por Dinei. No Mineirão, o Corinthians chegou a estar perdendo o primeiro jogo por 2 a 0, mas encontrou forças para empatar e por pouco não reverteu o placar jogando na casa do adversário. A torcida corintiana ainda reclamou muito de um pênalti não marcado em Edílson. No segundo jogo, novo empate, desta vez por 1 a 1, e mais reclamações: Rincón marcou um gol legítimo erroneamente anulado pela arbitragem. O Corinthians tinha a vantagem de jogar pelos empates, mas a vitória estava entalada na garganta. E ela veio no terceiro jogo, quando Edílson e Marcelinho construíram a vitória por 2 a 0 na metade final do segundo tempo. O herói do título foi Dinei, que participou ativamente das jogadas que culminaram nos cinco gols marcados pelo Corinthians naqueles três jogos contra o Cruzeiro. 1999 ? O terceiro título nacional parecia apenas uma questão de espera. Depois de sagrar-se campeão brasileiro de 1998, o Timão perdeu o técnico Vanderlei Luxemburgo para a seleção brasileira. Ele foi substituído por Oswaldo de Oliveira, seu auxiliar na campanha de 1998. No primeiro semestre de 1999, o Timão sagrou-se campeão paulista, mas amargou uma frustrante derrota para o rival Palmeiras nas quartas-de-final da Copa Libertadores da América, sonho de consumo de dez entre dez corintianos. Mas o revés não abalou o time, que entrou no Brasileirão de 1999 com os reforços do goleiro Dida e do centro-avante Luizão. O Corinthians liderou de ponta a ponta a fase de classificação e foi para o play-off das quartas-de-final contra o Guarani. Depois de um empate por 0 a 0 em Campinas, o Corinthians venceu o segundo jogo por 2 a 0 e garantiu a classificação na terceira partida com empate por 1 a 1. O adversário da semifinal seria o São Paulo, que em suas fileiras contava com Raí, algoz corintiano ao longo da década de 90. Na primeira partida, o Corinthians venceu por 3 a 2 com direito a dois pênaltis batidos por Raí e defendidos por Dida. A classificação para a final veio com uma vitória por 2 a 1 no segundo jogo, tornando desnecessário um terceiro duelo. Na decisão, o adversário novamente seria um time mineiro, desta vez o Atlético. Como no ano anterior, o Corinthians chegou a estar perdendo a primeira partida por 2 a 0, mas conseguiu encostar e perder por 3 a 2. No segundo jogo, Luizão ganhou status de ídolo. Jogou bem, marcou os dois gols do time e ainda foi expulso. Um empate por 0 a 0 no terceiro jogo assegurou ao Corinthians seu terceiro título nacional.

Agencia Estado,

04 de dezembro de 2005 | 18h32

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