Corinthians com medo do cansaço amanhã

São Paulo, 12 (AE) - O cansaço provocado pela viagem a Rússia no final de semana passado é o maior adversário do Corinthians no jogo deste sábado, às 18h, contra o Fortaleza, no Pacaembu. Ao contrário de seus principais concorrentes ao título, que usaram o recesso no Campeonato Brasileiro para descansar ou treinar, o time de Geninho praticamente não trabalhou nesse período. A diretoria não levou em consideração a prioridade da torcida e aceitou fazer um amistoso contra o o Saturn Ramenskoye em troca de uma cota de U$ 150 mil - mais modormias para 40 pessoas que viajaram na primeira classe para a capital russa. Enquanto os jogadores se expõem diante da crítica e da opinião pública, boa parte dos dirigentes ainda curtem a viagem, estendida à China sob o pretexto de firmar uma parceria com o Xiemen. Alguns jogadores que se disseram cansados na volta de Moscou, segunda-feira passada, foram advertidos pela diretoria. O vice-presidente de Futebol Antonio Roque Citadini usou o site do clube para dizer que as reclamações de André Luiz, no desembarque da delegação, foram ´invenções da imprensa´. Coincidência ou não, André Luiz mudou o discurso após a reação da diretoria. O jogador não voltou atrás em suas convicções, mas deixou claro em todas as entrevistas, nas últimas 48h, que o time não vai usar o cansaço como desculpa para um eventual tropeço diante do Fortaleza no jogo de amanhã, no Pacaembu. "Cansados ou não, temos a obrigação de tomar uma atitude de gente grande. O Corinthians precisa dessa vitória e vai brigar por ela, custe o que custar". De outra parte, o técnico Geninho, que passou a semana inteira dizendo que a viagem a Rússia foi boa para o time, hoje não foi capaz de garantir um desempenho físico 100% amanhã, diante do Fortaleza. "Se o time vai sentir ou não o cansaço pela viagem, só o jogo vai dizer. Eu, particularmente, acredito que não". Ao contrário: o treinador fez questão de dizer que o jogo teoricamente fácil, contra um adversário inexpressivo, pode se transformar num grande problema para a sua equipe. "Esse é o tipo de joguinho complicado. De repente, o gol demora para sair, a torcida começa a pressionar e o Corinthians acaba sentindo a pressão", observa o treinador. A juventude do time é outro problema que assusta. No treinamento coletivo de quinta-feira, o time titular - com os meninos Jô, Abuda, Coelho e Moreno - correu demais. No quesito toque de bola, porém, deixou a desejar. Geninho teme que esse problema possa comprometer o desempenho do conjunto na partida diante do Fortaleza. "Não se pode esquecer que esse time é muito jovem e ainda não tem em condições de enfrentar as pressões da torcida", avisa o técnico. "Se o gol demora a sair e a torcisa começar a pressionar, vai ficar perigoso", alerta o técnico. Na prática, Geninho quer criar um clima favorável para o Corinthians. Ele faz até questão de desprezar algumas indicações na tabela que apontam uma rodada favorável à sua equipe. "O pessoal da frente tem vacilado e nós temos aproveitado a chance para encostar nos líderes. Chegou a hora de começarmos a vencer, independentemente do que fizerem os nossos concorrentes diretos". Como o time precisa da vitória a qualquer preço, Geninho optou por um esquema bem mais ousado. O time jogará num 4-3-3 bem ofensivo, com os meninos Jô e Abuda no ataque, ao lado de Jamelli, um meia com características de atacante. Além disso, dos três volantes escalados por Geninho, dois jogarão com liberdade para atacar: André Luiz pela esquerda e Fabrício pela direita. Só Fabinho permanecerá um pouco mais preso, atrás. Geninho também liberou Coelho e Moreno para jogar como alas. A ordem é atacar o Fortaleza.

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