Corinthians começa em "desvantagem"

"Confesso que não conheço os times que vamos enfrentar no Campeonato Brasileiro", admitiu o técnico do Corinthians, Daniel Passarella. "Mas tenho pessoas que podem me ajudar nisso", emendou. O treinador argentino não esconde ser este um de seus pontos fracos para a competição na qual a equipe estréia neste domingo como uma das favoritas, diante do Juventude, no Pacaembu. "Meu trabalho foi voltado para desenvolver o time, buscar o máximo dos jogadores. Informações sobre os adversários quem colhe é o Alejandro (Sabella, seu auxiliar)", justificou. Passarella não costumava ver partidas do futebol brasileiro. Boa parte dos atletas e equipes está conhecendo agora, em seus menos de dois meses no País. Há poucos dias afirmou não poder comentar as qualidades do, famoso por aqui, atacante Deivid, do Santos, na época sondado como possível reforço corintiano. "Nunca o vi jogar, não sei suas características", declarou em entrevista coletiva. Demorou para o treinador se familiarizar com o elenco do Parque São Jorge. Mesmo estrelas como Roger, ex-Fluminense, Benfica e seleção brasileira, não foram reconhecidas à primeiras vista. Logo após a apresentação do técnico, o meia entregou: "Ele pediu para todos dizerem nome e posição em que jogavam. Não parecia saber quem eu era". Todas as equipes do País conhecem de cor as armas corintianas, de como atua cada um dos atletas até a disposição tática da equipe em campo. Passarella, portanto, larga em desvantagem. "Esse é mesmo um ponto negativo meu, mas vou estudar todas as coordenadas antes dos jogos", disse. Não que o também argentino e ex-meio-campista do Grêmio tenha tanto crédito com o técnico. "Não levo muito em conta as coisas que o Alejandro me diz", brincou Passarella. "Pelo que ele fala, todo adversário tem Maradona, Pelé, só possui craques. Se for na dele, estou perdido." O comandante acredita que a equipe tem boas chances de ficar, desde o início, entre as primeiras colocadas na tabela de classificação. Só não quer ouvir falar em favoritismo. "É difícil manter o prognóstico de favorito. Raramente eles se comprovam." O treinador lembrou as Copas do Mundo para confirmar sua tese. "Em 1970, no México, o Brasil foi campeão e não era favorito; em 1974, a Alemanha ganhou sem ser a mais cotada..." Para ele, o essencial é manter o grupo estimulado em toda a competição, e observou, novamente lembrando os Mundiais: "Vence sempre aquele que chega melhor no último mês, que sabe se preparar para chegar na reta final da melhor maneira."

Agencia Estado,

24 Abril 2005 | 12h12

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